Ideias para a agenda

Aquele livro que nos abraça

Janeiro 6, 2022
o livro do conforto

Este livro é como uma manta quentinha que nos aconchega nas noites frias de inverno; é como um café acabado de fazer pela manhã; é como o cheiro a lençóis lavados; é como um abraço da pessoa que mais amamos. O livro do conforto de Matt Haig é uma experiência de leitura diferente. Eu segui uma das sugestões do autor e li-o do fim para o início. Só por si, esta decisão já é reveladora de quão alternativo este livro pode ser. Ele tem pensamentos, reflexões, listas, receitas, citações… Na verdade, são “sugestões para melhorar os dias menos bons”. Ajuda-nos a abraçar a confusão que, por vezes, é a nossa vida. Matt Haig partilha muito de si, expõe-se sem receios na tentativa de nos dizer que fazem parte de nós os altos e os baixos, as alegrias e os desesperos. Nada é para sempre e por isso depois de uma valente carga de água, chega o conforto do cheiro a terra molhada.

Nunca tinha lido nada do autor. O livro chegou ao Armazém (obrigada Porto Editora♥) com pés de lã e logo nas últimas páginas conquistou-me: “precisamos de nos recordar do confuso milagre que é estarmos aqui.” Ler uma frase destas é receber um afago na alma. Um lembrete para todos os dias. Esta é uma compilação de grandes e pequenos textos que nos recordam como é importante dar uma chance à esperança, dar uma hipótese à “torrada com manteiga de amendoim”, se ela nos trouxer conforto. Para mim, pode ser com manteiga. 

Em O livro do conforto encontras páginas dedicadas à aceitação, à predominância do ser sobre o fazer. Existem textos que te levam a refletir sobre o medo. Em algumas páginas ganhas consciência de como parar é importante. Confrontas-te com a necessidade de dizer ‘não’ e descobres a beleza da imperfeição. Revi-me em algumas reflexões e aconcheguei-me em tantas outras. Este é daqueles livros que podes ter sempre ao teu lado: na cabeceira, na secretária, na casa de banho, junto ao teu lugar favorito. Lê-o de uma ponta a outra. Lê-o ao acaso. Lê-o quando te apetecer. Apenas lê. 

Estar permanentemente à procura do sentido da vida é como estar à procura do sentido de uma torrada. Por vezes, o melhor é comermos simplesmente a torrada.

Aqui tens uma sugestão para o início deste novo ano e quem sabe não crias o teu próprio caderno do conforto. Inspira-te, faz como Matt Haig, escreve coisas para te reconfortar a ti mesm@.

Rosarinho

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