Clube de Leitura - Livros à Sexta

Livros à Sexta n’O lugar das árvores (nada) tristes

Setembro 14, 2021

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 1

Não, não transformámos o Clube de Leitura ⎼ Livros à Sexta numa aula de catequese, mas falámos de crenças, fé e religião, porque a história de Isabel, Lurdes, João, Joaquim, Juliana, D. Eulália e monsenhor Alípio assim o exigia. Foi com muito entusiasmo que recebemos a Lénia Rufino no Clube de Leitura, na Casa Alfazema-do-Mar, “à boleia” de um delicioso repasto preparado com muito carinho pela Patrícia, para falarmos um pouco com a autora de O lugar das árvores tristes, sobre este seu primeiro romance.

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 2

Tudo começou com uma fotografia à porta de um cemitério, sabias? Essa imagem despertou na Lénia memórias, daquelas lá bem atrás, da sua infância. A autora contou-nos que assim que viu a foto recordou o primeiro funeral a que assistiu, ainda criança, e primeiro escreveu um microconto baseado nessa memória… só que a mente inquieta da Lénia não a deixou ficar por aqui, porque, afinal, havia dentro dela muito mais para contar.
Personagens: inspiradas em pessoas reais, mas ficcionadas, claro. Lugares: ‘retirados’ de uma infância passada algures no belo Alentejo. Acontecimentos: baseados em recordações dessa infância vivida no Portugal profundo.

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 3

Alentejo, um denominador comum entre a autora e a grande maioria das leitoras presentes. Do lugarejo onde a pequena Isabel contemplava e visitava o cemitério para as cidades, vilas e aldeias de onde descendemos foi uma viagem na máquina do tempo… ou melhor, em várias. Partilharam-se histórias, ideias e convicções. Algumas, porém, nem há tanto tempo assim.

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 4

A Lénia adora escrever desde criança e escreveu o seu primeiro microconto aos 10 anos de idade. A partir daí, nunca mais largou, primeiro a caneta, e agora o teclado. Durante a sua juventude, teve algumas das suas histórias publicadas no DN Jovem, ao lado de nomes como José Luís Peixoto!!! Na sua página de Instagram, podes ler uma das frases que define a Lénia Rufino: “Escrevo porque não sei fazer mais nada.” E, para nós, é uma alegria, Lénia, porque o fazes muitíssimo bem!

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 5

Esta é uma história que podia ser a minha, a tua, a de qualquer um de nós, porque em qualquer momento identificas uma realidade muito próxima de algo que tu própria/o já vivenciaste. E, para mim, este é um elemento de que gosto muito neste género de livros (agora lembrei-me de Um dia a aldeia acabou, do nosso “primo” Nuno Franco Pires). De pensar “eiiiish, era mesmo assim que isto acontecia! Eu lembro-me!” ou “também me senti assim”. Por isso, tudo isto para te dizer que, a mim, O lugar das árvores tristes cativou logo pelo título, primeiro, e assim que comecei a ler – “Isabel não tinha medo dos mortos” – não tive hipótese, a Lénia “prendeu-me” de imediato a esta história até ao seu final…

À Lénia Rufino queremos agradecer a disponibilidade e o carinho com que abraçou este desafio de “enfrentar” este grupo de livrólicas-nada-anónimas e muito “conversadeiras”. E ficamos ansiosamente a aguardar pelo segundo romance. Obrigada! 🙏🤍

E entretanto, num outro qualquer-planeta-parede-branca-para-lá-da-galáxia…

⎼ Boa noite, D. Maria Calêndula! Como está? Estamos a fazer muito barulho?
⎼ Boa noite, meninas! Estou bem, obrigada! Apenas ouvi falar de livros, ratos, cobras, penicos e mousse de chocolate e resolvi vir aqui fora ver o que se passava. Fiquei curiosa. E também precisava de apanhar um pouco de ar, ainda por cima com tão agradável noite… schleppp! (come a melga que andava por ali a melgar)
⎼ Ah, também já tinha alguma fome!
⎼ Pois, é verdade. Ainda não tinha jantado, às vezes estou tão entretida nos meus afazeres, que até me esqueço de comer. Mas não vos apoquento mais, queridas. Continuem. E não precisam de recear que não me aproximo demasiado… Nós, os da minha espécie, sabemos que vos causamos assim… alguma repulsa.

De volta a esta galáxia, e à Casa Alfazema-do-Mar, mais propriamente…

Livro O lugar das árvores tristes 1, Versículo 6

Não, não houve qualquer Êxodo, apesar de uma troca de cadeira e caras viradas para o outro lado. A D. Maria Calêndula (aka osga) simplesmente estava na vida dela, alegremente escarrapachada na SUA parede, muito provavelmente à espera de um voo mais distraído de um mosquito ou melga que por ali começaram a aparecer (mas ali, a espécie invasora éramos nós). Só quando o relógio deu as 12 badaladas é que se deu a saída em massa, ninguém queria perder o sapatinho, ou ver o seu veículo transformado em abóbora!

O Clube de Leitura ⎼ Livros à Sexta reúne-se no mês de outubro, dia 29, e podemos já desvendar que vamos voltar a estar à conversa com uma autora: a Sara Rodi! Por isso, se quiseres estar connosco, fica atenta/o! Até lá, boas leituras!

Susana Figueira

Pormenores do repasto que a Patrícia da Casa Alfazema-do-Mar preparou para nós 😋

Porque Ler é essencial, oferecemos às presentes o Manifesto pela Leitura, de Irene Vallejo

Memórias que ficam! 🤍

Nota: Todas as presentes foram devidamente certificadas ou testadas à Covid-19 antes do evento, daí estarmos “desmascaradas” 😉

    Escreve aqui o teu comentário

    Parcerias