Ideias até ao infinito

Inspiração que chega sob a forma de… grafite

Setembro 7, 2021

Naquele dia, sentia-se uma atmosfera de excitação por um lado e de tensão por outro. Alguns dos residentes mais antigos daquele lugar pacato, mas multicultural, que em tempos serviu outros propósitos, temiam que o novo inquilino viesse alvoroçar o ambiente da residência. Outros, bem mais descontraídos, deixavam-se entusiasmar pela novidade.

Do Parisiense e do Monegasco, com os seus traços finos e elegantes, e sem quaisquer pretensões de disfarçar o snobismo, surgiam as maiores preocupações… “E se ele vierrr parra aqui prrrovocarrr confuson, ãh? Estamos habitués a calma e trrranquilidadeeee, ãh!” Ao que o Croata, de ar mais rude, mas descontraído e relaxado, habituado que está à influência mediterrânea, respondia: “Relaxem, man! Também vocês foram recebidos de braços abertos, quando aqui chegaram!

Os Nova-iorquinos, igualmente de espírito mais aberto, estão habituados a abrir as portas da sua casa a estranhos, já para não falar da diversidade e do bulício constantes da Cidade que Nunca Dorme. “Ok, damos-lhe um handshake e as boas-vindas, e até podemos mostrar-lhe a nossa library.”

Já os Portugueses, à boa maneira ‘tuga’, eram os mais descontraídos e entusiasmados com a chegada de mais um residente. Ainda por cima, conterrâneo! Apesar de algumas diferenças entre eles, no que às suas origens diz respeito, a novidade falava mais alto. “Onde cabem dois cabem três! A malta aperta-se um bocadinho e dá para todos!

O que eles não sabiam, ou não se lembravam, é que, tal como eles um dia, também o novo residente receava o que ia encontrar e, principalmente, como iria ser recebido. Afinal de contas, a mudança é sempre difícil. Para todos.

Ainda assim, respirou fundo, vestiu-se da cor da esperança para a ocasião e avançou confiante. Afinal, já esperava por este momento há algum tempo. Sabia que a primeira impressão é importante, mas também que a sua personalidade vincada costumava cativar atenções e, uma vez que o conhecessem, iriam entender-se na perfeição. “Tenho tanto para contar e partilhar, tantas histórias sobre as minhas origens… vim de um palacete do séc. XVIII, paredes-meias com um edifício moderno já deste século, ali para os lados de Castelo Branco. Partilhei o espaço com uma coleção permanente, várias exposições temporárias e uma biblioteca…

De traço carregado, verde esperança, decorado com espirais verde-claras a lembrar o logótipo e com a assinatura da Fundação Cargaleiro, ele é o mais recente Lápis de carvão que chegou à coleção desta miúda, presente da outra miúda, uma recordação das suas férias! Obrigada, amiga! Pelo presente e pela inspiração!

Susana Figueira

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