Ideias até ao infinito

Páginas Salteadas com aroma a café

Agosto 3, 2021

Quando percebi que as mentoras de Páginas SalteadasAndreia Moita, Catarina Alves de Sousa, Joana Clara e Vânia Duarte -, escolheram o café como o ingrediente do mês de julho, até se me aceleraram as batidas cardíacas e subiu a tensão arterial! Game Over! 😛 Brincadeirinha.

Plano (in)falível para uma receita com café

Como sabes, é impossível esta miúda passar um dia sem idolatrar o deus do Café e professar a religião da B.I.C.A. (mas sem açúcar, faxavor), mesmo dentro das fortalezas em que se transformaram as nossas casas neste último ano. Por isso, também acabou por ser fácil jogar com este delicioso ingrediente e a leitura do momento, até porque peguei num livro que tinha tudo para ser ‘devorado’ com um só gole de café. Só que não. Optei por ir lá atrás em busca de memórias da minha pré-adolescência/adolescência durante os fantásticos anos 80. E no que à receita diz respeito, houve um clássico que veio de imediato à memória… (já percebeste que o livro remete para a década de 80, certo?!)

Todos aqueles para quem uma fatia de Bolo de Bolacha remete para as festas lá de casa nos idos anos 80, ponham a mão no ar! 🖐🏼 Naquela altura, era a minha mãe quem preparava, e bem, esta sobremesa que fazia as delícias dos mais novos, principalmente. Nos dias de hoje, a especialista é a minha big sister. É verdade, ela herdou ‘a mão’ para as artes culinárias. No entanto, como gosto de me desafiar, o bolo que vês nas fotos foi moi même quem o fez!  Contudo, ainda antes de te dar a receita da mana Xana, fica com a review de Fortaleza Impossível, de Jason Rekulak.

Um jogo, uma ‘princesa’ e… uma Playboy

Quem teve a felicidade de viver a adolescência na década de 80 do século passado (irra, agora até parecia um Velho do Restelo, mas adiante), vai sentir uma ligação imediata às primeiras páginas de Fortaleza Impossível, do norte-americano Jason Rekulak. Ainda mais se, como eu, há uma mini-geek dentro de ti, mesmo que só um pouquinho, não ao nível de Sheldon Cooper de The Big Bang Theory, mas ainda assim vibravas com uma ida ao salão de jogos. Para mim, era Pac-Man, Tetris ou Space Invaders e estava tudo certo. 😉 Mas voltemos ao livro.

Fortaleza Impossível conta-nos a história de William “Billy” Marvin, um jovem adolescente de 14 anos, apaixonado por computadores, cujo sonho é tornar-se programador de videojogos, e dos seus amigos Alf e Clark, para quem a felicidade passa por noites em casa de Billy (sem a mãe, que trabalha por turnos), a jogar Risco ou Monopólio, a comer pizza e pipocas, a beber batidos, a falar de filmes e música, a ver TV, até ao dia em que…

“Alf irrompeu pela porta da frente.
O rabo dela está na capa – disse ele, ofegante.
O rabo de quem? – perguntou Clark. – Que capa?
Alf lançou-se para o chão, deitando-se de lado, já sem fôlego.
Vanna White. A Playboy. Acabei de ver um exemplar e o rabo dela está na capa.”

A partir deste momento, entramos numa roda-viva de situações que têm tanto de hilariantes quanto de desastrosas! A impossibilidade é comprar uma Playboy. Os três amigos decidem elaborar um plano para ‘roubar’ uma revista. A fortaleza é o quiosque e o seu dono, Sal Zelinsky, o sentinela. A princesa é a sua filha, Mary Zelinsky. E aqui é que a “porca torce o rabo” para estes três amigos. Porque, para Billy, Mary Zelinsky vai deixar de ser apenas uma rapariga qualquer e ele vai passar a (querer) ser o herói

“- Aquele 64 é teu? – perguntei-lhe.
– É da loja. Tecnicamente falando, está à venda, mas o meu pai deixa-me usá-lo.
– Eu tenho um em casa.
Ela pareceu desconfiada.
– Com armazenamento em disquete ou cassete?
– Disquete – disse eu, permitindo que um tom de superioridade se apoderasse da minha voz. Programadores com um orçamento baixo podiam guardar os seus dados em cassetes, mas o processo era lento e falível. Gesticulei para as colunas no teto,
She seems to have an invisible touch, yeah, e perguntei: – Esta música estava a tocar no teu computador?
– Sim, ando a fazer experiências com o gerador de formas de ondas. O chip SID tem três canais de som, mas, por forma a conseguir fazer a canção corretamente, são necessários quatro. Por isso é que não se ouve bateria.
Eu teria ficado menos embasbacado se ela me tivesse respondido em japonês.”

“- És a primeira pessoa que conheço a ter um 64 – disse-lhe eu – E és uma rapariga.
– E isso é algo de estranho?
– Nunca pensei que as raparigas gostassem de programar.
– As raparigas, praticamente, inventaram a programação – disse ela – Jean Bartik, Marlyn Wescoff, Fran Bilas, todas elas programaram o ENIAC.
Eu não fazia a mínima ideia do que ela estava a falar.
– E não te esqueças da Margaret Hamilton. Foi ela quem desenvolveu o software que levou a Apollo 11 a aterrar na Lua.
– Eu referia-me a videojogos – disse-lhe eu.
– Dona Bailey,
Centipede. Brenda Romero, Wizardry. Roberta Williams, King’s Quest. Entrevistei-a para um trabalho da escola no ano passado.”

Ora, como podes calcular por este first encounter, à medida que a história avança, o nosso herói, Billy, vai encontrar-se perante um dos maiores dilemas da sua vida: escolher entre os amigos e o seu primeiro amor? E mais não digo. Ok, digo-te só mais uma coisinha… numa nota final, Jason Rekulak conta-nos que quando começou a escrever este livro quis programar ‘o’ jogo para que os leitores pudessem jogá-lo em emuladores do Commodore 64. Falou com uns amigos programadores e… sabes que mais? Esta mini-geek que há em mim ocupa, por agora, o 3.º lugar do ranking de Fortaleza Impossível! E com uma pontuação ‘Fantabulous’!!! 😜 Se te atreveres a jogar, partilha com as miúdas a tua pontuação! 

Agora, vamos à receita…

Bolo de Bolacha
Uma receita by big sister Xana 

Ingredientes

2 pacotes de bolacha Maria
1,5 dl de café (morno)
200 g manteiga amolecida
400 g açúcar
2 ovos
2 dl de café para demolhar as bolachas (frio)

Preparação

Bate a manteiga com o açúcar até ficares com um creme homogéneo. Separa as gemas das claras, junta as primeiras ao creme anterior e bate muito bem. Vai juntando a este preparado o café morno, aos poucos, até ficares com um creme mais suave. Depois, bate as claras em castelo bem firme e adiciona-as ao creme, mas sem bater. Agora, tens de envolver delicadamente. Quando tiveres o creme pronto, começa a montar numa forma, ou num prato, esta delícia, alternando entre bolachas demolhadas no café e o creme. A última camada deve ser de creme. Leva ao frio e… voilá! Delicia-te com uma fatia deste bolo do tempo em que ir ao salão de jogos era uma festa!

P.S.: acabei por fazer a receita pela metade, porque não queria um bolo tão grande, e até me safei!

Susana Figueira

 

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