Ideias até ao infinito

Na cozinha com a Sirley Dornelas

Julho 29, 2021
Delícias da Sirley

Queres saber como é que as miúdas acabaram na cozinha da Sirley? Tudo começou com o movimento “Cartas, atalhos que aproximam”. A Vanessa Casais autora do blog O meu primeiro limão entusiasmada com a alegria de receber e trocar cartas, partilhou com a Sirley a novidade e ela inscreveu-se. Assim se cruzaram os nossos caminhos, num atalho promovido pela Vanessa. Da carta às Delícias da Sirley foi o tempo de levar ao forno um pão de nozes e pepitas de chocolate! A primeira vez que nos deliciámos com as suas iguarias foi na apresentação do livro No meio do nada, de uma das miúdas. A partir daí, nunca mais perdemos o contacto. A Sirley é uma mulher lutadora, cheia de garra e doce como um red velvet. Foi ela que fez o magnífico bolo de  aniversário do Clube de Leitura – ‘Livros à Sexta’ – e, na semana passada, fomos tomar um vinho verde fresquinho à sua cozinha, enquanto esperávamos que a bola saísse do forno. Depois foi uma jantarada até altas horas. Não sobrou quase nada… a não ser esta entrevista! 

Atenção! Este post é altamente calórico… em talento.

1. Quem é a Sirley?

A Sirley Dornelas é uma pessoa muito simples, que gosta de quem gosta dela. Amiga do seu amigo. Uma profissional da área da Educação, licenciada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil. Que adora trabalhar com crianças. Que deixou a sua vida e profissão para trás, no Brasil, para tentar uma vida melhor em Portugal, para si e para sua filha, Maria Eduarda. Uma apaixonada pela cozinha, pelo prazer que é misturar e conhecer novos sabores. Uma mulher decidida, forte, batalhadora, guerreira, que nunca baixou a cabeça perante as dificuldades e obstáculos que encontrou no caminho. Uma mulher apaixonada pela vida, que depois de passar por alguns problemas, mais uma vez, ergueu-se e continuou a olhar para frente, para as oportunidades que a vida lhe deu. Hoje, uma mulher feliz, casada com Luís Lourenço, um marido e padrasto espetacular. Ganhou uma família que a acolheu com todo o amor e carinho. Só tenho que agradecer a Deus pelas coisas boas, e também pelas não tão boas, que já passei.

2. Quando surgiu este amor pela comida?

Eu sempre gostei de cozinhar, adoro cozinhar para os amigos, aliás, adoro receber os amigos em casa e cozinhar para eles. Dá-me prazer vê-los a degustar a minha comida, e têm todo o direito de darem a sua opinião, podem criticar e dizer se gostaram ou não. Isso faz com que cada dia me apaixone mais pelo que faço, pois faço-o com AMOR.

3. Como nasceu a marca Delícias da Sirley?

O por quê de ter criado essa página de Instagram, foi para divulgar o pouco do que sei sobre culinária, mas principalmente para manter a minha mente ocupada e sair de uma “depressão”. Antes, as minhas receitas eram publicadas na minha página pessoal, mas durante uma formação em marketing, a formadora sugeriu que criasse uma página só para as receitas, então, pensei no nome. Juntamente com a minha filha e com o meu marido, surgiu a Delícias da Sirley, pois eles dizem que tudo que faço é delicioso.

4. Como funciona? Que serviços prestas?

A ideia da página Delícias da Sirley surgiu com o intuito de divulgar receitas e o meu gosto pela culinária. Gosto de criar e recriar receitas, dar o meu toque, mas também gosto de confecionar receitas tradicionais. A ideia não era  vender, mas sim divulgar o meu trabalho, pois sei que tem pessoas que gostam do que partilho. Alguns amigos, descobriram essa minha paixão pela culinária e, como adoraram, por vezes pedem para que lhes preparar alguns pratos e algumas iguarias. Um amigo foi passando para o outro e assim foram surgindo algumas encomendas. Faço tudo muito amor e carinho. Devemos pôr amor em tudo que fazemos. Quem sabe um dia possa abrir um espaço e fazer as minhas delícias de forma profissional?

5. Como defines a tua comida?

Bolos, doces e salgados caseiros, que nos fazem relembrar a infância e as delícias feitas em casa pelas nossas mães e avós. Para quem gosta de gastronomia simples e caseira.

6. Onde vais buscar a inspiração para criar os teus pratos?

A minha inspiração vem das lembranças que tenho de ver a minha avó a cozinhar. Também me inspiro em tudo que aprendi trabalhando na restauração e com o meu amigo António Gonçalves, que é o melhor pasteleiro que conheço e com quem tive o prazer de trabalhar. Além de estar constantemente em busca de formações sobre culinária brasileira e portuguesa. Assisto a vídeos e receitas na internet e consulto muitos livros de culinária. Uma das vertentes que tenho investido, atualmente, é no vegan e sem glúten. Para mim, é uma área bastante interessante da culinária. Uma das autoras de que gosto muito é a Gabriela Oliveira, culinária vegetariana e vegan. Na parte do sem glúten, Ângela Silva e Suanna Booth. Gosto muito das receitas e de como são simples de fazer.

7. Tens alguma referência no mundo da gastronomia? Qual?

Apesar da minha comida ser mais caseira e simples, tenho como referência, aqui em Portugal, o Miguel Laffan e o Henrique Sá Pessoa. Admiro muito o trabalho de ambos, e já tive o privilégio de conhecer pessoalmente Miguel Laffan e também de ter um like seu numa foto de um prato simples que fiz de costeleta do cachaço no forno com ananás. Fiquei muito feliz, pois não sabe quem sou e gostou de um prato confecionado por mim, mesmo sem ter provado.

8. Qual a iguaria mais pedida? Porquê?

Os meus amigos e familiares são fãs dos meus rissóis de camarão, da bola de carne, do cheesecake de Oreo e, claro, do red velvet, bolo aveludado, regado com vinho do Porto, recheado com cream cheese e chantilly, coberto por frutos vermelhos fresco e folhas de hortelã. É uma iguaria doce divinal.

9. Que semelhanças encontras entre a gastronomia portuguesa e a brasileira?

Penso que as semelhanças estão em tudo, pois no Brasil temos uma mistura de culturas e, claro, de culinária portuguesa, africana, italiana, japonesa entre outras. Mas, penso que temos um gosto peculiar pela pão e o café assim como os portugueses. Gostamos de doces, o facto de estarmos todos reunidos para um almoço ou jantar, de amarmos a comida das avós. Um doce que aprecio muito, e que é de origem portuguesa (e todo mundo pensa que é original do Brasil) é o quindim. Muita gente não sabe desse história, mas o quindim é inspirado no doce brisa do Lis. As escravas, na cozinha, preparavam essas receitas para seus senhores, mas para preparar as brisas do Lis elas tinham um grande problema: a falta de amêndoas. Com toda a sua criatividade para a gastronomia, as africanas decidiram aproveitar outro ingrediente que existia em abundância nas terras brasileiras: o coco. Quem gosta de cozinhar sabe que se mudamos um pequeno ingrediente de uma receita ela se transforma em outra e foi justamente o que aconteceu com o tradicional doce português. Pela falta de amêndoas e o alto custo e dificuldade da sua importação, o ingrediente foi substituído por coco ralado e o doce precisou ganhar um novo nome. As escravas africanas o batizaram de quindim, que significa encanto ou dengo, uma alusão ao facto de ser delicado. A receita com coco ralado também foi aprovada e o quindim nasceu das habilidosas mãos das escravas africanas, que adaptaram a receita lusitana para o solo brasileiro. Ou seja, o quindim, como todo bom brasileiro, é uma grande miscigenação. Ele tem raízes portuguesas, foi elaborado e batizado por africanas em solo brasileiro!

10. Para quem gostarias de cozinhar?

Para os meus amigos, para as pessoas que amo e que apreciam a minha comida, as minhas delícias.
Mas, quem sabe um dia desses não cozinho para o Miguel Laffan ou mesmo para o Henrique Sá Pessoa?

Se quiseres provar as Delícias da Sirley é muito fácil. Só tens de a seguir no Instagram ou Facebook e enviar-lhe uma mensagem privada. Quando receberes os teus amigos em casa (está quase, esperamos nós), vais estar com tantas saudades que todo o tempo junto deles será precioso. Fala com a Sirley. Ela trata do brunch, do almoço, do chá das cinco, do jantar ou da ceia! 

Rosarinho

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