Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Julho 20, 2021

Sei que não ouves o meu canto, então, eu aprendi a tocar viola. Talvez o choro das cordas, telecomandadas por mim, cheguem até ti… Ou a qualquer nuvem doce.

Olho para o céu e o sal escorre-me na tua ausência, como farrapos de mar.

O nosso abraço inaugural era para se dar ao som de harpas, onde notas e faíscas conciliar-se-iam na perfeição.

Da minha mente saltam solfejos que te chamam em pautas, da minha viola, apenas passos trémulos caminham na escala de sol, sem eu saber se te alcanço ou se apenas concretizo sustenidos.

Falho notas, como falho em não chegar a ti.

Baixo meio tom na esperança de te ter, mas ainda assim são as tuas palmas que oiço em cada minievolução que consigo. Olhar-te dar-me-ia o acorde de sol maior de olhos fechados, estar a teu lado seriam os acordes de fá e si, que se me afiguram impossíveis de concretizar.

Se eu um dia tocar uma música inteira, será porque te toquei. Até lá não quero o dó de quem me julga, quero seguir em frente, sem colocar marcha a ré, quero o lá de um agora de paz, e um aqui de mi cheio de ti.

Teu perfume me afinaria a viola num só suspiro.

Se desafinado prosseguir, perdoa-me. Eu prometo que um dia destes toco e canto para ti. Se eu souber que cordas puxar por ti, se eu souber quantos trastos tem o tempo e se eu souber quanto tempo cabe no compasso ternário do teu amor inalcançado.

Lê-me até ao fim da valsa.

Um beijo em sétima, meu amor.

Junho 2021
Filipe Correia

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