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D. Maria II, a exposição

Julho 15, 2021
D. Maria II a exposição

Num sábado não muito distante decidi que queria almoçar sardinhas numa esplanada em Belém, matar saudades de um gelado Santini (aquele sabor da minha infância) e visitar a exposição D. Maria II. De princesa brasileira a rainha de Portugal. 1819-1853, patente no Palácio Nacional da Ajuda. Se bem o pensei, assim o fiz. 

Hoje em dia todos os pretextos são bons para sairmos de casa e a exposição desta rainha, que deu a cara para as notas de mil escudos (lembras-te?), foi o mote para um sábado muito especial. A bonita senhora (sim, sim, esta rainha era muito bonita) filha do imperador Pedro I do Brasil, D. Pedro IV de Portugal, foi a primeira rainha constitucional do nosso país e pioneira da época contemporânea nacional. Na comemoração do bicentenário do seu nascimento, esta mostra pretende revisitar a vida e o reinado da menina que, aos 15 anos, começou a governar um país em reconstrução. E se pensarmos bem, naquela época, tutelar cavalheiros muito mais velhos e experientes, não foi tarefa fácil (ainda hoje não é!). Esta exposição permite-nos conhecer e compreender, através de várias obras de arte, objetos e documentos que evocam a sua biografia, aquela que foi governadora, mulher (de 3 maridos) e mãe (morreu ao dar à luz o seu 11.º filho).

Eu tenho as minhas preferências por algumas personagens da nossa história e Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela é uma delas, sem dúvida. Admiro-a por vários motivos e mais este que se segue. Foi no seu reinado que se deu início à circulação do selo em Portugal, mais precisamente a 1 de julho de 1853, e foi desenhado pelo seu terceiro e muito amado marido, D. Fernando de Saxe-Coburgo. O selo tinha o perfil da rainha, pois claro. Foi, também, no seu reinado que o Teatro D. Maria II se edificou, bem como liceus distritais e as Escolas Politécnicas de Lisboa e do Porto. O seu reinado foi um grande desafio com sucessivas revoluções, mas quando, a 15 de novembro de 1853, fechou os seus olhos, o país entrara numa fase tranquila e de grandes melhoramentos materiais.

Não posso deixar de referir que adorei as vitrinas dedicadas à troca de correspondência entre a rainha e figuras ilustres, bem como o serviço de mesa e sobremesa “Casquinha” de 80 peças e a Coroa Real Portuguesa que há mais de duas décadas estava escondida do olhar dos comuns mortais (não tirei fotografia). Curiosamente a exposição está patente na Galeria do Rei D. Luís (o segundo filho de D. Maria II) e poderás visitá-la das 10h00 às 18h00, todos os dias, com exceção da quinta-feira, até 29 de setembro. A entrada tem um valor de 5€ (apenas exposição) e 8€ se quiseres associar a visita ao palácio.

Rosarinho

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