Ideias com asas

Vou-te contar um segredo!

Junho 17, 2021
Terena

Existe um lugar no Alentejo que tomou o meu coração de assalto, sem avisar, sem cerimónias. Hoje, enquanto escrevo estas linhas, sinto que parte de mim ficou a vaguear por aquelas ruas bonitas e calmas, onde o tempo parece ter parado. Tatuou-se-me na alma. Obrigada Nuno Franco Pires, meu primo de coração, por me teres revelado um dos segredos mais bem guardados do Alentejo. Sonho em voltar. Sonho reencontrar o pedaço de mim que se fundiu no casario rural. 

As minhas origens são Alentejanas e sempre que volto às planícies douradas, sinto que me enraízo cada vez mais nesta terra de gente pura, de gente resiliente, de gente que me habita. O passar do anos tem apurado em mim um sentimento de pertença ao lugar que o meu pai deixou em procura de uma vida melhor, menos dura. Sempre que a estrada me leva para este meu Alentejo, reforço laços que se foram entrelaçando com o meu crescimento interior. Pertenço à planície e ela pertence-me.

Esta vila cativou-me desde o momento em que saí do carro e a olhei. Amor à primeira vista, ao primeiro cheiro, ao primeiro toque. Abraçou-me ternamente com o silêncio das suas ruas floridas, com as mensagens deixadas estrategicamente entre o casario. Conquistou-me com o seu castelo que integrou a linha de defesa do Guadiana. Senti-me sua e ela, por momentos, foi só minha. 

Imaginei-me numa daquelas casas. Vi-me sentada a escrever, a criar as minhas estórias, inspirada pela energia do lugar, escondida da loucura dos dias. Imaginei-me a falar com a vizinha Esperança, num terno final de tarde, onde o tempo ganha outro sabor. Imaginei-me a celebrar o Deus Endovélico. Toda eu era poesia! Toda eu era liberdade! Terena sinto-te na minha pele. 

Rosarinho

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