Ideias até ao infinito

Páginas Salteadas com sabor a morango

Junho 1, 2021

Este mês foi um autêntico desafio escrever estas Páginas Salteadas. Se, por um lado, o ingrediente-estrela é versátil e de fácil utilização – o belo do Morango -, por outro, foi desafiante encontrar a ligação a um livro… de entre os que, entretanto, estava e ainda estou a ler. Só espero que as miúdas giras dinamizadoras deste projeto – Andreia Moita, Catarina Alves de Sousa, Joana Clara e Vânia Duarte – não me “salteiem” daqui para fora!

A verdade é que esta foi uma daquelas situações claras de termos a resposta “right under your nose” mas não a vemos… e a escolha acabou por recair no livro-desafio que me propus ler para este ano, cuja leitura ainda não terminei. Ainda assim, já dá para te deixar aqui algumas ideias sobre o que estou a achar do livro e como “desencantei” uma ligação um bocadinho rebuscada, mas acho que válida, ao Morango.

Morango, o fruto da paixão

Não sei quanto a ti, mas para mim o Morango é um dos frutos que mais associo à paixão. Seja pela sua cor garrida, o vermelho, que é também uma das minhas cores preferidas, seja pelo seu formato a lembrar os corações apaixonados, ou até pelas diversas formas como podem ser degustados… ui, sexy

Sai um Strawberry Milkshake!

A receita que preparei com o fruto da paixão é nada mais nada menos do que um simples, mas saboroso, Strawberry Milkshake (sim, um batido de morango em bom português). Por que que raio estou a colocar o nome da receita em inglês? Bem, tem a ver com a origem deste delicioso preparado e com o livro. Sabias que, reza a história, a primeira vez que surgiu a palavra milkshake foi em 1885, nos Estados Unidos? E que originalmente, além de leite e sorvete, levava whisky e ovos?! Whaaaat?! Pois, parece que por aquela altura esta mistura era revigorante!

Mas não preparei a receita original, até porque nestes 136 anos que nos separam da primeira vez que se falou em milkshake, surgiram infinitas possibilidades de fazer um Strawberry Milkshake! É só prepará-lo a gosto! E como não gostamos todos das mesmas coisas (e ainda bem! a diversidade é maravilhosa!) o meu Strawberry Milkshake pode, e será, um pouco diferente do teu! Ora espreita lá!

Strawberry Milkshake da Susana

Ingredientes
Bebida de aveia/arroz q.b.
Morangos (a gosto)
Iogurte grego natural 3/4 colheres (sopa)
Mel q.b.
Sementes de chia q.b.
Hortelã q.b. (guarda uma folhinha para decorar)

Preparação
Colocar todos os ingredientes no liquidificador e… já está! É só deixares atingir a consistência que mais gostas e servir!

Dica: Gosto de ter os ingredientes no frigorífico para o milkshake estar fresquinho na hora de beber… enquanto leio 4,3,2,1 de Paul Auster. 😉

Um desafio de leitura “salteado”

Sim, já o disse que as cerca de 870 páginas de 4,3,2,1 de Paul Auster seriam o meu desafio de leitura para 2021. Ali na estante, há uns 2 ou 3 anos, sempre que chegava a altura de escolher uma nova leitura, o Archie Ferguson piscava-me o olho. Bem, em pleno segundo confinamento, este ano, foi quando tomei a decisão: “É desta que vou agarrar este desafio!”

E, apesar de ainda não ter terminado esta leitura – vou na página 618 -, já estou avançada o suficiente na história para poder dar-te uma ideia do que tem sido esta experiência de ler o grande romance de Paul Auster.

Para quem não está familiarizado com a obra, e muito resumidamente, nas páginas deste romance vamos conhecer o percurso de vida de Archibald Isaac Ferguson (ou Archie Ferguson, como é depois chamado), neto de um emigrante judeu russo, que chega a Nova Iorque “no primeiro dia do século XX“… ou melhor dizendo, os quatro percursos de vida do protagonista, porque 4,3,2,1 significa precisamente as quatro vidas paralelas que Archie vai viver, tendo em conta determinados acontecimentos que vão influenciar as suas escolhas e, consequentemente, o rumo de cada uma das suas vidas.

E se inicialmente pode até parecer que vai ser um pouco confuso, quando nos aventuramos por estas 870 páginas rapidamente encontramos o encadeamento certo para nos entregarmos a uma leitura fluida, bem como um fio condutor destas quatro vidas de Ferguson.

Ou seja, vamos percebendo que há alguns elementos comuns a estas quatro vidas de Archie Ferguson, como por exemplo a sua relação com Amy Schneiderman, o seu gosto pela leitura e pela escrita, ou pelo desporto, ou ainda o seu fascínio pela cidade de Nova Iorque, mais concretamente a ilha de Manhattan, já que o rapaz cresce do lado de New Jersey (primeiro vive em Newark e depois em Montclair), mas sempre com os olhos postos na Big Apple.

E devo dizer que me surpreendi pela positiva, uma vez que pensava que esta leitura poderia tornar-se enfadonha, pesada, já que o livro pertence ao grupo dos chamados “calhamaços”, no entanto, isso não acontece. Paul Auster é brilhante na forma como escreve e, acima de tudo, como desenvolveu esta história. Além de ficarmos agarrados às diversas vidas de Archie Ferguson, o autor vai encadeando nestas a própria história dos EUA bem como alguns dos mais marcantes acontecimentos da história do século XX. Bottom line, este é um livro que aconselho vivamente!

Qual a ligação entre a história de Archie Ferguson e o Morango? – perguntas tu. E a miúda responde: encontrei-a na questão da origem do milkshake (que aproveitei para fazer com o ingrediente do mês), no facto de esta bebida ser muito apreciada pelos americanos (a história passa-se essencialmente nos EUA) e, por fim, por ser muito fácil para mim perceber o fascínio que esta personagem tem pela cidade de Nova Iorque, onde acaba por se desenrolar uma boa parte das suas quatro vidas. É que nunca tendo sido um dos meus destinos de eleição para conhecer, quando tive a oportunidade de a visitar fiquei maravilhada! É impossível não ficar! Tal como o livro de Paul Auster, também a cidade que nunca dorme me surpreendeu pela positiva.

Susana Figueira

    Parcerias