Ideias até ao infinito

A caçar sonhos com a Cassiopeia

Maio 27, 2021
a caçar sonhos com a cassiopeia

É tão bom quando descobrimos estrelas brilhantes no hemisfério celestial do Instagram. A Catarina Vasconcelos podia ser uma das 30 estrelas da Cassiopeia. Podia! Mas eu até prefiro que ela seja uma miúda empreendedora, uma artesã talentosa, cujas mãos transformam fios em peças cheias de emoções, intenção e significado. Foi um dreamcatcher que me levou até esta mulher maravilhosa. A procura de uma prenda especial fez-me divagar pelo céu noturno. Procurei, procurei até que encontrei a ‘Aurora’ (obrigada @marciaemlisboa). Foi aí que comecei a caçar sonhos, os da Cassiopeia, By Catarina

A Catarina podia encher as prateleiras do nosso Armazém com caça-sonhos e a vida seria mais bonita.

1 – Quem é a Catarina?
Sou uma miúda de 33 anos que passa metade da vida a criar e outra metade a sonhar. Amarantina de gema a viver na belíssima cidade de Aveiro, não tenho medo da mudança, como se pode ver pelo meu percurso. Saí da aldeia que me viu nascer aos 18 anos para “ver mundo”, como gosto de dizer, e estudar na cidade grande. Licenciei-me em enfermagem, profissão que exerci com todo o amor e respeito durante oito anos. Por vezes, há ciclos que têm o tempo contado e a enfermagem já cumpriu o seu propósito na minha vida. Hoje, divido o meu tempo entre a CASSIOPEIA (o meu projeto de artesanato) e as terapias holísticas, a minha outra grande paixão. Sou apaixonada por livros, arte, viagens. Adoro caminhar na natureza, escrever poemas e sentar-me de olhos fechados a sentir o sol na face. Sou feliz com as pequenas coisas da vida e costumo dizer muitas vezes que estou a ficar cada vez mais simples, e isso traz-me muita paz e conforto. No fundo, sou uma eterna miúda a correr atrás dos sonhos.

2 – Como entrou o artesanato na tua vida?
Sou filha e neta de artesãs, de mulheres artistas e empreendedoras que, perante as dificuldades da vida, agarraram no seu saber e nos seus dons e os colocaram ao serviço. Desde muito pequenina que aprendi a desenhar, a bordar, a combinar cores e padrões. Entretanto, cresci e o artesanato ficou arrumado na caixinha de madeira. Em 2015, fui diagnosticada com fibromialgia e fui obrigada a parar e a repensar toda a minha vida. Para tentar serenar a minha mente, fui procurar a velha caixinha das agulhas e das linhas e voltei a fazer crochet e a bordar, como uma terapia. Aos poucos, fui começando a partilhar aquilo que fazia e as amigas começaram a pedir uma peça, depois as amigas das amigas e, quando dei por mim, tinha fundado o meu pequeno negócio.

3 – Cassiopeia porque…
Para explicar o nome Cassiopeia, tenho de regressar à minha infância feliz em casa dos meus avós. Em Amarante, os verões sempre foram muito quentes, mesmo durante a noite. Então, para conseguirmos refrescar um pouco antes de dormir, colocávamos mantas na varanda e deitávamo-nos de barriga para cima a olhar as estrelas. Foi aí que começou o meu fascínio pelo cosmos, que me fez pesquisar os nomes das constelações e das estrelas. E quando me deparei com o nome Cassiopeia, soube que, um dia, haveria de dar esse nome a algo que fosse meu. Quando o meu projeto começou a crescer e a precisar de um nome, esse já estava escolhido havia muito tempo: Cassiopeia. Cassiopeia porque uma peça de artesanato pode ter o mesmo brilho que uma noite estrelada de verão.

4 – Onde encontras inspiração para as tuas peças?
Inspiro-me muito nas emoções e na minha espiritualidade. Acredito que há uma energia que nos une e que essa energia está presente em tudo: nos livros, na poesia, na música, nos quadros, na medicina, no ensino, no artesanato. De cada vez que me sento à secretária a criar, sigo a minha intuição e deixo, simplesmente, fluir. Depois, também me inspiro muito na natureza: nas flores, no mar, no verde das árvores. Acho que são estas as minhas grandes fontes de inspiração.

5 – Como é o teu dia de trabalho?
Acordo sempre por volta das 7h30, bebo o meu shot de erva-trigo e a minha água com limão e preparo o pequeno-almoço com calma. Depois, faço a minha meditação diária e gosto sempre de escolher um cristal para me acompanhar durante esse dia. Este meu ritual matinal é sagrado e é o que me dá energia para trabalhar. Entretanto, sento-me a trabalhar às 9h, primeiro respondo a e-mails e mensagens. Nos dias de preparar e enviar encomendas, é o que faço logo em primeiro lugar. Por norma, trabalho até às 19h, altura em que saio para a minha caminhada diária. No final de jantar, é o meu momento de relaxar a fazer uma das coisas que mais amo: ler.

6 – Quais as peças que te dão mais gozo criar?
As peças personalizadas, sejam dreamcatchers ou bastidores. Gosto de pegar na ideia que a cliente tem, juntá-la com a minha intuição e criar a partir desse lugar de conexão. Acho mágico mesmo!

7 – Qual a peça best seller? E porquê?
Os mini-dreamcatchers, sem dúvida! Como se costuma dizer “o que é pequenino tem graça!” e acho que isso se aplica na perfeição aos mini! Talvez por serem mais pequeninos (mas igualmente grandes em amor!) sejam mais fáceis de colocar e integrar na decoração da casa, ou até mesmo colocar no carro. Continuam a ser dos mais pedidos e aqueles que já conquistaram um lugar no coração da comunidade Cassiopeia!

8 – Produzes peças à medida?
Sim. Na Cassiopeia, a maioria das peças são personalizadas, e eu adoro todo esse processo criativo. É muito gratificante e mágico materializarmos a peça que a pessoa sonhou.

9 – Qual foi o sonho que mais prazer te deu “caçar”?
Talvez este que estou agora a viver. Ter o meu próprio negócio, trabalhar naquilo que amo e ainda poder fazer outras coisas que tanto prazer me dão. No fundo, ter esta liberdade de ser quem sou e de fazer aquilo que me dá prazer.

10 – Sabemos que a Cassiopeia é mais do que criação de peças de artesanato. Criação, decoração de eventos ou workshops, algum deles te faz sentir mais realizada?
Adoro a decoração de espaços (principalmente celebrações de casamentos temáticos), adoro ensinar, mas a minha base é a criação, é o processo criativo, e continua a ser esse processo que me faz sentir mais realizada.

11 – Sentes que a Cassiopeia é a tua missão de vida?
Neste momento, é o meu propósito, ou um dos meus propósitos. Acredito profundamente que podemos ter vários propósitos e várias missões ao longo da nossa vida. Nós vamos mudando e evoluindo e é natural que os nossos propósitos também vão evoluindo, e está tudo bem. Neste momento, sinto-me feliz e realizada, mas se daqui a um ano sentir mudar de direção, assim o farei. Como disse no início, deixei de ter medo de mudar. Seja qual for o ou os meus propósitos, uma coisa é certa, quero continuar a cuidar, a levar amor e serenidade aos outros, seja através da minha arte, das minhas terapias ou das minhas palavras. No fundo, é essa a minha grande missão: levar amor.

Catarina se já gostávamos de ti, depois desta entrevista, o nosso amor pela pessoa que és vai daqui até Cassiopeia! As miúdas estão muito gratas por teres trazido ao Armazém a tua energia tão bonita e tão cheia de significado. O mundo precisa de mais estrelas como tu. 

Rosarinho

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