Ideias até ao infinito

As “Páginas Salteadas” azedaram… ou talvez não

Março 23, 2021

Do doce chocolate passamos para o acídico limão.

As criadoras de “Páginas Salteadas” – a Andreia Moita, a Catarina Alves de Sousa, a Joana Clara e a Vânia Duarte – elegeram este fruto cítrico como ingrediente do mês de março e as miúdas nem pensaram duas vezes… treparam a um limoeiro e encheram a cozinha com o fresco aroma deste fruto cor do sol.

Março, o mês do limão

Este ‘primo’ da laranja é rico em vitamina C, tão importante para o nosso sistema imunitário, mas também em ácido cítrico, que lhe confere dois ‘superpoderes’: é antissético e bactericida. Mas como não viemos aqui para te dar uma lição de “frutologia”, vamos lá descascar estas “Páginas Salteadas”.

Quando pensas em limão, qual é a primeira coisa que te vem à cabeça? Guess what?! Por aqui, pensamos de imediato em amarelo, a cor do sol! Depois, numa fresca e deliciosa limonada! Só que, a verdade é que este fruto cítrico tem – não vou dizer 1001 maneiras de cozinhar, como o bacalhau, mas… – uma enorme variedade de utilizações culinárias. Do seu sumo à casca, praticamente tudo é aproveitado neste fruto maravilha.

A Receita

E o que andámos nós a ‘saltear’ com o limão? – perguntas tu. A receita que trazemos hoje é de umas bolachas de aveia aromatizadas com raspa de limão! Um snack bem delicioso que, por estes lados, tem combinado muito bem com o café da manhã.

A receita, essa, para dizer a verdade, já não me lembro bem de onde a tirei… se foi da net ou se de algum workshop de alimentação saudável ao qual fui, mas o certo é que já as faço há algum tempo e é uma das minhas (poucas) receitas vencedoras. Então, aqui vai:

Bolachas de Aveia com raspa de Limão

Ingredientes
200 g de flocos de aveia
70 g de manteiga amolecida
125 g de açúcar mascavado/amarelo
1 ovo
70 g de farinha integral
1 c. (sobremesa) de fermento
Raspa de um limão

Preparação
Preaquece o forno a 180 ºC.
Bate a manteiga com o açúcar e a raspa do limão. Junta o ovo e envolve. Depois adiciona a farinha e o fermento, e envolve bem. Por fim, junta os flocos de aveia. Com a ajuda de duas colheres forma as bolachas e coloca num tabuleiro forrado com papel vegetal. Leva ao forno durante 12 a 15 minutos (varia de forno para forno).

Dica: em alternativa ao limão, podes fazer estas bolachas com aroma de baunilha; também ficam deliciosas.

Uma receita bem simples e rápida de se fazer, que combina com…

Review de Os Três Casamentos de Camilla S., de Rosa Lobato de Faria

Em primeiro lugar, tenho a dizer que este foi o meu primeiro Rosa Lobato de Faria. E… não azedou, meeesmo! Que agradável surpresa!

Vamos por partes… onde é que este livro tem sabor a limão?

Devo dizer que foi um autêntico “tiro de sorte” (ou talvez não), porque logo às primeiras páginas percebi que não ia largar o livro (só não o terminei mais rápido, porque foi uma daquelas leituras que não queres que acabe, queres ir saboreando!), por isso, e como nos propusemos a realizar este desafio, de imediato lancei para o universo a intenção de que este tinha de ser o “meu limão”! E para meu espanto, na página 88, o próprio do fruto está lá escarrapachado!

Descalça, de combinação de seda cor de limão e rendas beges, olho pela primeira vez com atenção para aquele quarto onde se desenrola o lado clandestino da minha ida.

Sem o saber, Rosa Lobato de Faria entregou-me o ingrediente do mês de março numa bandeja.

Porém, agora, terminada a leitura de Os Três Casamentos de Camilla S., apercebo-me que este só poderia ser “o” livro. Estás a ver a célebre frase “se a vida te dá limões, faz uma limonada”? Pois, a vida da Camilla S. foi-lhe dando alguns “limões”, aliás, limoeiros mesmo, os quais foi transformando em verdadeiras limonadas, umas vezes mais frutadas, outras mais acídicas.

O fio condutor desta história maravilhosa é a ligação entre Camilla S. e Paca, a sua ama-de-leite, confidente, protetora e amiga para toda a vida. Camilla é órfã e vive com os seus tios, Alberto e Joséphine, e Paca, claro, num palacete em Sintra, e a história começa em 1902 com o seu primeiro casamento, aos 12 anos, com o respeitável médico Emídio Seabra, um casamento arranjado pelos tios, com a ‘desculpa’ de que temiam morrer e deixar a pequena Camilla sozinha e desamparada.

E logo aqui começamos a descobrir o humor delicado, mas ao mesmo tempo aguçado, com que a autora nos vai brindando ao longo da narrativa, e que, devo dizer, me surpreendeu.

Tenho sede, doem-me os pés. Quero a Paca.
Mas tenho ainda de assinar num grande livro o meu nome completo, que me parece infinito, na minha letra infantil, Camilla Leonor Eugénia Maria Luísa d’Azincourt Salema Batalha, a que acrescento Seabra, todos os meus maridos, disse-me a Paca, terão um sobrenome começado por S, nunca será necessário inutilizar os monogramas do meu imenso enxoval.
É por isso que sorrio quando acabo de assinar o nome completo, este sorriso é interpretado como a grande felicidade de acrescentar ao meu o respeitado apelido Seabra, tão insigne que o próprio rei se dignará vir erguer com os noivos uma taça de champagne francês.

Chamámos-lhe assim [Carlos Eduardo] em homenagem ao nosso rei D. Carlos, tão tragicamente desaparecido, e ao rei do país que nos acolhe, Eduardo VII, falecido há um ano. Para mim, mas não posso dizer a ninguém, é também o protagonista de ‘Os Maias’ de Eça de Queirós, que li às escondidas e me encantou.

Nas páginas deste livro, embarcamos numa viagem por quase todo o século XX, através dos amores e desamores (os três casamentos e um amor impossível), das alegrias e das tristezas (os filhos, os netos e a morte sempre ali ao lado), das aventuras e desventuras de Camilla S. (como a sua passagem pela “casa de alta-costura” da Madame Armandine), numa escrita que nos deixa maravilhados, ora pela forma como somos transportados para os cenários – com detalhe, mas sem ser exaustiva -, ora pela intensidade que coloca nos acontecimentos, conferindo a esta narrativa um toque poético que nos deixa maravilhados. Pelo menos a mim deixou.

Para quem gosta de ler, e se ainda não leu Rosa Lobato de Faria, como eu não tinha lido, aconselho vivamente este Os Três Casamentos de Camilla S.! Um dos meus preferidos até agora, este ano! Leitura deliciosa!

Esperamos que gostes tanto de ler este livro como das nossas Bolachas de Aveia, que combinam muito bem com o chá das cinco a que Camilla S. se habituou dos tempos em que viveu em Londres.

Susana & Rosarinho

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