Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Fevereiro 2, 2021

Nos dias de céu cinzento, gosto de sol. Nos dias de céu aberto, gosto de nuvens. Todos os dias sei maximamente quem sou, desgosto completamente dos dias. Mas gosto absolutamente de ti, mesmo não tendo sol, mesmo não tendo céu, mesmo não te tendo, nem fazendo minimamente ideia de quem és…

Sentei-me à sombra de mim mesmo, em mais um magnífico pôr do sol. Ali, onde tu também gostarias de assistir a tal espetáculo diário. E procurei na memória pedaços de ti… Entre sangue e pedaços de carne, nenhuma rima te detinha. Afinal, apenas detenho cálcio nos ossos, ilusões na mente e músculo nas palavras.

Tenho cãibras no cérebro, tenho a alma desidratada, tenho as pernas tremendo, mas mesmo assim estou pronto para mais 100 anos correndo para ti. Não te encontrar parece ser o meu destino, mas eu não fui feito senão para correr.

Independentemente de tudo, vou mantendo a imaginação em alta, e tu sempre chegas a mim sem escadote.
Esta noite? Eu, tu e um quarto cheio… Vazio de religião, minha única devoção é a sedução do teu corpo omnipresente.

Mas quando me for, minhas palavras mais inspiradas rezarão por mim, por nós. Meus poemas mais leves voarão como esporos enchidos a hélio. Graças a Deus que entrelaço prosas entre os dedos, como um terço.

Graças a ti ainda acredito no amor, mesmo quando não amar mais nada em que acredito, mesmo quando não me leres. Nosso quarto ainda estará cheio, eu ainda respirarei contigo nos silêncios e, religiosamente, meus textos repousarão na nossa cama das 00:00 às 08:00. Enquanto meus sonhos perdidos me servirem de almofada e tu me servires de musa inexistente.

Nosso quarto estará sempre cheio, dentro deste vazio, dentro de mim, dentro de ti.

Janeiro 2021
Filipe Correia

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