Clube de Leitura - Livros à Sexta

Livros à Sexta, o encontro da indignação

Novembro 26, 2020
livros à sexta

Indignadas com a Covid-19. Indignadas com os problemas técnicos da reunião online. Indignadas com Mr. Stoner. Ninguém escapou à indignação neste encontro do Clube de Leitura – Livros à Sexta. Olha que vou ficar indignada se não leres este post até ao fim. 🙂

Livros à sexta

Já não aguentamos encontros virtuais. Mas mantemo-nos firmes! Não desistimos. O nosso Clube vai continuar a resistir e, depois de sermos todas vacinadas, vamos embebedar-nos em abraços e beijos. Será, certamente, a bebedeira mais feliz da nossa vida. Mas até lá… está na hora digerir “Stoner”, de John Williams.

Livros à Sexta, Stoner

Desta vez, foi o Ricardo Gomes da RG Livreiros que nos lançou o desafio de ler ‘o livro esquecido’. Na verdade, não fossem os leitores da livraria britânica Waterstones a elegerem este romance como o melhor livro do ano, em 2013, nunca se teria tornado um sucesso. Segundo diz o Ricardo, e muito bem, a vida de Stoner não tem nada de especial. E é por isso que a malta do clube se indignou! O livro está extremamente bem escrito, a história está bem contada. É uma história sem rodeios, como diz o Ricardo. Tudo certo. Mas a malta do clube gosta de fósforos que ateiem fogos literários… e o fósforo de Stoner apaga-se mal se acende.

Neste encontro, exorcizámos a raiva que sentimos pela Edith, pelo Lomax e pelo próprio Stoner! Oh homem! Como é que ele pode ser tão conformista? Como é que ele não lutou pela sua vida? Aliás, no momento em que a vida começou a florescer-lhe e quando todas acreditávamos que a história ia a acontecer… Não aconteceu.

Talvez tenhamos de olhar este romance à luz da época em que decorre a narrativa, para conseguirmos lidar com esta indignação coletiva. Vivia-se um casamento infeliz, porque aos olhos da sociedade, daquela altura, um divórcio era mal visto. Abria-se mão de um verdadeiro amor, porque a comunidade académica assim o ditava. Desistia-se de viver para se manterem as aparências. Era-se infeliz e ponto.
Talvez a ideia de John Williams fosse indignar-nos. Revoltar-nos. Isso ele conseguiu com mérito. A verdade é que “Stoner” gerou um grande debate. Vivemos intimamente a vida deste homem ao longo de um mês. Precisávamos de deitar tudo cá para fora.

Renovação será o tema do encontro do Natal. Tenho a certeza que a malta de Livros à Sexta já anda a escarafunchar as estantes lá de casa para encaixar um livro na temática. Porém, antes da renovação, vamos ter um meeting online com o autor Nuno Franco Pires. Vamos respirar os bons ares do Alentejo e falar das suas searas e aldeias.

Se leste “Stoner” partilha connosco a tua indignação ou encanto, porque segundo apurámos este livro tem a capacidade de encantar uns e desencantar outros. É o poder da literatura!

Rosarinho

P.S. – Um muito obrigada à Editora Pergaminho pela oferta do livro “Reencontra-te” de Gustavo Santos. Assim dinamizámos um sorteio animado e a indignação ficou esquecida 😉

  • Vasco Orey
    Dezembro 8, 2020 at 4:41 pm

    Boa tarde a todos.
    Por um (feliz) acaso vim parar aqui.
    Tenho dois temas: um, primeiro e mais importante, Stoner.
    Uma segundo uma pergunta.
    Ora bem, vamos ao Stoner.
    Li, já lá vai algum tempo. Fiquei deslumbrado com o livro, a história, o modo como ela é descrita e a personagem.
    Deslumbrei-me com a escrita, seca e sem nenhum ativo de raiva, uma descrição da vida de uma pessoa. Que tem alguns amores na sua vida: a literatura, o ensino, a mulher (que passa a odia-lo), a filha e a aluna. Que não odeia mas despreza Lomax. Que tem amigos que não lhe retribuem a amizade que eles Stoner dedica Mas a literatura é, sem dúvida alguma o grande amor, o suporte, a razão da sua vida. Subordinado tudo o resto esta primazia, Stoner encontrou a felicidade. E a fidelidade. Fidelidade ao amor, à filha e, novamente, à literatura.
    Stoner viveu para a literatura. Amou-a e deu a vida por ela. Para mim essa é a enorme mensagem do livro.

    Pergunta: será possível um homem reformado, mas leitor viciado, associar-se a este grupo? É o primeiro que encontro em Portugal que se junta com a finalidade de conversar sobre livros. Se bem eu percebi.

    Aguardo a resposta e agradeço a paciência para a minha abordagem de Stoner.

    PS: Augustus é também um fogo de artifício. Ao nível das Memórias de Adriano da M. Yourcenar.

  • Rosarinho
    Dezembro 9, 2020 at 7:35 pm

    Caro Vasco,
    muito obrigada pelo seu comentário, por esta partilha riquíssima. “Stoner” foi um livro que gerou um debate muito interessante no nosso Clube de Leitura. Gostaríamos muito que se juntasse a nós. O nosso clube “Livros à Sexta” reúne uma vez por mês (mais coisa, menos coisa) para partilha de leituras. O próximo encontro será no dia 18 de dezembro. Se quiser participar envie-nos um mail para: blog.armazem.ii@gmail.com
    Obrigada e um abraço

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