Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Novembro 10, 2020

Já estava há tanto tempo para te escrever, meu amor… E tu esta noite decidiste entrar num sonho meu.

Esta é a prosa mais triste que escrevo, e logo para ti que serias a maior alegria que poderia ter…

Lá fora chove como se não houvesse amanhã, como que substituindo os meus olhos, que de tão amargurados de te não ver senão em sonhos, já nem de chorar são capazes…

Se aqui estivesses comigo, no meu colo, tenho a certeza que eu teria sempre dois sóis brilhando, mesmo no meio de qualquer temporal. E tu terias o ninho eterno, muito além da meninice.

Há uma dor sempre aqui, omnipresente em mim, por te não ter comigo. Mas no sonho lá estavas tu, sempre de braços esticados para mim, teus olhos sorriam só por me ver, brincávamos como se também eu fosse criança, cuidar de ti dava todo o sentido a esta vida…

Meu amor, eras tão linda nesse sonho e todo eu virava alma te abraçando. Penteava-te os cabelos e tu davas lustro ao meu coração. Aquecias-te encostada em mim e eu me envernizava. Teus sorrisos eram como holofotes para mim, teus risos eram canto gregoriano, que não me cansava de ouvir… Recebias o meu beijo como ninguém e eu subia ao meu altar. Colocavas em fila as bonecas, e eu enfileirava os meus orgulhos de pai. Eu brincava contigo e tu me fazias renascer perto do mundo. Aqui onde estou não há mundo, não há sol, a solidão me corrói cada dia mais, porque tu não estás… Mas enquanto eu te for sonhando, recordarei um futuro qualquer em que a vida fará justiça ao meu ansejo.

Um dia estarás nos meus braços, nem que seja daqui a 400 anos, só espero que seja antes do apocalipse…
Parou de chover, paro de escrever, estou seco, está escuro. E sonho mais um pouco acordado contigo meu amor, és tão bonita… És toda a beleza que me resta e não tenho e nunca encontrei.

Até ao próximo sonho. 

Filipe Correia

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