Ideias até ao infinito

Uma miúda “nas malhas do crime”… a culpa é dos ‘bad boys’

Novembro 3, 2020

No submundo do narcotráfico, normalmente liderado por homens, as mulheres assumem o protagonismo. A história começa com um cliché – a rapariga perde-se de amores pelo bad boy, que é traficante de droga para um cartel mexicano gerido pelo “nosso” Epifanio Vargas, o mesmo é dizer, Joaquim de Almeida. Só que não.

Esta não é a típica série em que o amor vence barreiras e tudo acaba em bem. E é isso desde logo que nos prende ao ecrã. É a história de Teresa Mendoza (Alice Braga, sobrinha da grandiosa Sónia Braga) e do sinuoso e doloroso caminho que percorre até se transformar ela mesma na… “Rainha do Sul”. Utilizando uma expressão muito em voga nos dias de hoje, esta é uma série que empodera as mulheres, e acredita que sou muito fã da Teresita (como lhe chama Pote, o seu braço-direito e personagem que adoro!), mas é mais forte do que eu e perco-me pelos bad boys. Na ficção e na vida, apesar de esta me trocar as voltas e brindar-me quase sempre com nerds… enfim!

“Rainha do Sul” está pejada deles, ou não fosse esta uma série sobre narcotráfico. Aqui, nenhuma personagem é anjinho. Ok, há inocentes e danos colaterais, mas ainda assim num qualquer momento da série, tal como na vida, todos são colocados perante situações que os fazem caminhar no fio da navalha. E, aliás, acredito que ninguém é 100% anjinho nem 100% diabinho… se calhar, há é pessoas que escolhem mais vezes deixar-se ‘cortar’ pela navalha!

Agora que penso nisto, nem a propósito, lembrei-me de um parágrafo de “Sou um crime – Nascer e Crescer no Apartheid”, de Trevor Noah, precisamente sobre isto de todos podermos, em qualquer momento da vida, ser colocados perante situações que nos levam a enveredar nas malhas do crime…

No bairro, ainda que não sejamos um criminoso inveterado, do piores, o crime faz parte da nossa vida, de uma maneira ou de outra. Existem graus de criminalidade: desde a mãe que compra comida desviada da traseira de uma camioneta para alimentar a família aos gangues que vendem equipamento e armas de calibre militar. O bairro fez-me tomar consciência de que o crime prospera, porque faz aquilo que o Governo não faz: o crime preocupa-se com as pessoas. O crime tem raízes na comunidade. O crime cuida dos miúdos que precisam de apoio e de uma mão amiga. O crime oferece programas de estágio e empregos de verão e oportunidades de carreira. O crime envolve-se na sociedade. O crime não discrimina.
A minha vida de criminoso começou humildemente, comigo a vender CD pirateados. Isso, só por si, era um crime e, hoje em dia, sinto que estou em dívida para com todos aqueles artistas, por lhes ter roubado música; no entanto, para os padrões do bairro, nem sequer era ilegal. Naquela época, nunca nos ocorreu que estivéssemos a fazer alguma coisa de errado: se copiar CD estava mal, para que se fabricavam gravadores de CD?

Bem, mas com isto já me desviei do assunto.

Falando dos bad boys de “Rainha do Sul”, há pelo menos dois que me enchem as medidas. A mim e à Teresita, a protagonista, que são os dois homens que têm um papel importante na sua vida em momentos diferentes da trama, mas que acabam por se cruzar, formando um empolgante trio.

El Guero (Jon-Michael Ecker), ou só Guero como Teresa o trata, é o amor da sua vida e também o “responsável” pela sua entrada no mundo do narcotráfico. Sim, coloquei ”responsável” entre aspas porque, no final, somos nós os responsáveis pelas nossas escolhas, mas quando o assunto é coração, nem sempre conseguimos ter o discernimento para decidir pelo “bem”.

No entanto, consigo perceber perfeitamente o que leva Teresita a apaixonar-se por Guero. Um olhar sedutor que faz subir a temperatura a qualquer mulher num 1,80 m de homem, carinhoso, companheiro e superprotetor da sua mulher. Uma postura descontraída dá-lhe um ar de menino traquinas, mas ao mesmo tempo sonhador, cujo sonho é deixar aquela vida e viver o seu amor por inteiro com Teresa, longe daquele mundo…

James Valdez (Peter Gadiot) começa por ser o braço-direito de Camila Vargas, mulher de Epifanio e sua soon to be rival (logo aos primeiros episódios percebemos isto, portanto, não estou a fazer spoiler ok). O miúdo é giro que se farta, moreno, uns olhos lindos, muito estilo e o seu ar de “somebody has to do it, apesar de não ser bem isto que queria fazer”, deixa uma miúda de queixo caído.

A sua postura inicial perante Teresa é de algum distanciamento e firmeza nas ordens, mas logo logo o rapaz também não fica indiferente à força e à resiliência de Teresa, protegendo-a de tudo e todos. Aliás, esta série dá muitas voltas e reviravoltas e isso também é um dos motivos por que queremos ver mais e mais!

À esquerda, tens o bad boy Pote; e, à direita, o bad boy Javier Jimenez

Bottom line, em “Rainha do Sul” assistimos a um desfilar de bad boys, uns com muita pinta (há quanto tempo que não usava esta expressão?!), como o fantástico Pote (Hemky Madera)… já disse que adoro esta personagem?! … Boaz Jimenez (Joseph T. Campos) ou o seu primo, Javier Jimenez (Alfonso Herrera), outros que nos dá vontade de estrangular (mesmo) como o coronel Alberto Cortez (muitíssimo bem interpretado pelo ator Yancey Arias) ou o Judge Cecil Lafayette (David Andrews).

Enfim, agora resta-me aguardar pela próxima temporada (a quinta) para continuar a lavar as vistas e a divertir-me com estes bad boys da TV. E tu também te deixas encantar por bad boys, ou és mais de “príncipes encantados”?

Susana Figueira

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