Ideias com asas

Era uma pena se não encontrasse o Chalet da Condessa

Outubro 8, 2020
Chalet da Condessa D'Edla

Sabes quando uma tarde que tinha tudo para ser romântica se transforma numa cena dramática? Uma pessoa idealiza um passeio até um Chalet, no lindo Parque da Pena; Cria na sua cabeça aquele cenário de passarinhos a cantar entre espécies botânicas vindas dos quatro cantos do mundo; Imagina-se a viver um amor idêntico ao de D. Fernando II e Elise Hensler tendo a ópera de Verdi – “Um baile de Máscaras”- como banda sonora e depois sai tudo furado… Ou quase. Vou-te contar o que sofri para chegar ao Chalet da Condessa D’Edla, a guardiã da Pena, e como depois consegui, apesar da camada de nervos que apanhei, tirar partido da beleza daquele refúgio.

O desabafo de uma miúda do povo

A ideia deste passeio já pairava na minha cabeça há algum tempo. Resolvemos aproveitar o domingo de um fim de semana XL para nos entregarmos à boa vida. O problema é que quando saímos de casa não fazíamos ideia das tormentas que teríamos de passar para alcançar o idílico Parque da Pena. Não sabíamos que o trânsito no centro histórico da vila tinha sofrido alterações e que o acesso à Pena estava vedado a viaturas particulares. Como turista de concelho vizinho, senti-me completamente perdida numa vila que até conheço relativamente bem.

Parece que estas alterações ocorreram no início do ano, e se foram boas ou más não me compete a mim julgar, mas que uma pessoa andou às voltas para conseguir chegar ao seu destino, quase ao ponto de desistir, andou. Nem a Maria GPS ajudou. Com a sua voz delicodoce encaminhou-nos para o miradouro de Santa Eufémia (que de certeza tem uma vista linda, mas uma pessoa já ia com os nervos em franja nem saiu do carro).

Andámos num sobe e desce, em curvas e contracurvas e ruas sem saída. As horas passavam e eu sabia que a última entrada no Chalet seria às 17h30. Pedimos ajuda a um cavalheiro que tentou mas não ajudou. Até que resolvemos seguir a carneirada que parecia andar tão perdida quanto nós. Resumindo e concluindo,  afinal parece que bastava ter estacionado o carro e apanhado a carreira 434, um táxi, um Uber, ou ter ido a pé! Informação que me foi facultada pela senhora da bilheteira quando cheguei, finalmente, ao chalet (depois de ter estacionado o carro num sítio duvidoso)… Não falemos sobre isso.

Ora, quis saber a razão pela qual vedaram, a carros particulares, o acesso à Pena, embora eu já calculasse qual seria a resposta. Trânsito a mais numa serra que precisava de respirar. As questões de segurança também foram tidas em linha de conta… enfim… compreendo e acho muito bem. Mas o que é uma pena, é a informação ser escassa para quem chega a Sintra e quer visitar o seu património.

O Chalet da Condessa

Depois de respirar fundo, aquele ar puro da serra, coloquei a máscara e entrei no Chalet da Condessa D’Edla, cantora lírica e segunda esposa de D. Fernando II. A simpática habitação, inspirada nos chalets alpinos, construída na extremidade ocidental do Parque da Pena foi, na altura, um refúgio para a nova vida do rei viúvo. A cortiça é o elemento decorativo que domina este espaço tão próximo do Palácio da Pena, rodeado por um lindo jardim (ao qual terei de voltar com mais tempo), plantado pelo rei e pela condessa.

No interior do chalet, destaca-se a bonita escadaria central de madeira e a Sala das Heras. Agora abro um parêntesis (não vais acreditar, a hera foi um dos elementos escolhidos para a cerimónia do meu casamento), fecho o parêntesis. Pestanejo e suspiro várias vezes. No primeiro piso adorei as paredes do quarto de vestir da Condessa, pareciam um imenso tecido de rendas brancas. Aliás, toda a decoração é requintada e com influências árabes.

Elise habitou o chalet até ao ano de 1910. Ela que tanto amou e protegeu este espaço certamente teria sofrido muito com a sua parcial destruição em 1999, provocada por um incêndio criminoso. Só em 2007 se iniciaram as obras de restauro que permitiu devolver ao chalet parte do seu aspeto original.

Bem perto da casa, em destaque, está uma tuia-gigante que me fascinou e que foi plantada na época de D. Fernando II. Ali está ela, linda, forte, segura e certamente com tanto para contar. Numa próxima visita peço emprestado o cesto de piquenique da Condessa, estendo a toalha, sento-me à sua beira. Sirvo-lhe uma limonada e conversamos.

Rosarinho

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