Clube de Leitura - Livros à Sexta

Tic tac tic tac é TEMPO de “Livros à Sexta”

Setembro 17, 2020
Clube de Leitura "Livros à Sexta"

O Clube de Leitura “Livros à Sexta” agora reúne ao sábado. Não é a mesma coisa, mas o TEMPO em que vivemos não permite que este grupo lindo se reúna em locais fechados. Estamos com muitas saudades dos nossos encontros às sextas, ao final do dia, no Dona Flor Café & Bistrô… Há tanto TEMPO que não degustamos as iguarias da Patrícia enquanto falamos dos livros que alegram os nossos dias. Assim, e como o TEMPO ajudou, fomos para o lounge do Quiosque Rocha do Inferno. Entre gelados e mojitos, as devoradoras de livros (sim, agora somos só mulheres), passaram uma tarde que irá ficar na memória por muito TEMPO.

Clube de Leitura "Livros à Sexta"

Já reparaste, certamente, que estou a utilizar a palavra TEMPO em letras maiúsculas e com demasiada frequência. É propositado. E a culpa é da Carla Santos (a nova miúda do blog, que escreve Palavras ao a(o)caso ), foi ela que escolheu TEMPO como tema para as nossas leituras de verão. E agora veio-me à ideia aquela música “Amor de verão, amor de verão, o inverno vai vir…” (ando a ser influenciada pela miúda Susana).

Tic tac tic tac… estás com TEMPO para ler este post e saber como foi o nosso encontro da rentrée?

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Fiquei logo desorientada e com o coração acelerado quando a Beladina puxa do livro Palavras Orientadas, Histórias Encontradas, (vários autores) e faz uma interpretação do meu conto, “A Fuga”, tendo em conta o tema. O TEMPO parou naquele momento, pelo menos para mim. Paralisei num sorriso tolo.

No conto A Fuga, a escritora escreve “Fugiu à pressa com medo”. Ora aqui está o tempo! O tempo da urgência, da fuga ao presente. Mais à frente ainda escreve “Subitamente o barco parou”, a pressa que pomos em tudo, o tempo que se perde ou se ganha. É importante pensarmos que, ao menos, o barco parou.

A Vânia falou-nos de um livro que leu há muito TEMPONo Tempo das Tangerinas – de Urda A. Klueger Uma família alemã imigrada no Brasil durante a II Guerra Mundial e as suas memórias entrelaçadas de cheiros. Recorda que tinha cerca de 15 anos quando requisitou este livro na biblioteca da sua cidade, ela também é filha de imigrantes italianos no Brasil.

Depois foi TEMPO de fazermos os nossos pedidos à Anabela, porque livros servidos com uma iguaria e bebida têm outro sabor. O lounge do Quiosque Rocha do Inferno reservado só para nós, foi um sonho com sabor a bola de gelado de Ovos Moles de Aveiro.

Tic tac tic tac… Já com as papilas gustativas em delírio a Margarida revelou-nos A vida secreta das árvores, de Peter Wohlleben.

Acontecem coisas fantásticas na natureza.

Eu sempre desconfiei! Este é um livro técnico, mas com uma abordagem leve que revela segredos como: as árvores comunicam, as árvores sofrem e as árvores têm a noção de TEMPO. Subitamente, fui inundada por um forte desejo de abraçar uma árvore.

A Fátima preparava-se para a sua primeira investida à bola de gelado recém-chegada ao lounge quando é chamada a partilhar com o grupo o seu livro. Se eu ficar, de Gayle Forman é um romance baseado em factos reais. Começa com a contagem do TEMPO que antecede um evento que mudará para sempre a vida da narradora. Tic tac tic tac Fátima, assim o gelado derrete!

Ah! Recebemos uma convidada especial, a Anna, que tem a rubrica “O Mundo dos livros”, aqui no blog. Aterrou mesmo a TEMPO de participar neste nosso encontro. Acabadinha de chegar de Manchester falou-nos de The Science of Meditation de Daniel Goleman & Richard J. Davidson. Boa escolha, tendo em conta que quando ela começa a meditar os pensamentos fogem-lhe para o menu do jantar. Todo o grupo chegou à conclusão o quão difícil é libertarmo-nos dos nossos pensamentos que são teimosos como o raio! Porém, todas concordámos com a Margarida: a meditação é o TEMPO presente. Este livro tem bases científicas e resulta de ensaios e estudos em laboratório.

Já a Márcia falou-nos de um livro que se lia no TEMPO em que era criança, um clássico do Brasil que acabou por ser novela – Éramos seis, de Maria José Dupré. Confessou que a leitura deste livro lhe trouxe à memória uma vizinha. Esta foi uma partilha com emoção. Ai sua malandra, que fiquei com uma lágrima no canto do olho. A história gira em torno de uma família, dos seus amigos e vizinhos, e de como a sua história muda e se escreve ao longo do TEMPO.

A estreante Maria João, a nossa expert em matéria de literatura, a mulher que eu conheço que lê livros como quem respira (onde é que ela arranja TEMPO?), apresentou dois títulos (claro), a saber: O enigma do quarto 622, de Joël Dicker e A Terceira Índia de Iris Bravo. Um autor suíço e uma autora portuguesa. No que diz respeito ao primeiro, o livro apresenta-nos o TEMPO da história e o TEMPO do autor. O autor sofre tremendamente com a morte do seu amigo e editor e passa por um bloqueio, resolve ir para um luxuoso hotel nos Alpes Suíços. Acaba por investigar um crime que tivera lugar há 15 anos. O bloqueio acaba e escreve este excelente policial. Já a autora Iris Bravo, relata-nos a história de um casal, cuja mulher quer engravidar e o marido sente-se usado, como se fosse o simples portador do espermatozóide milagroso. A Maria João achou que já era TEMPO de dar voz aos autores portugueses pouco conhecidos, mas com muito talento. Para ela, Iris Bravo é o Júlio Dinis do nosso TEMPO.

Tic tac tic tac… este post já vai longo e tu já deves estar pelos cabelos! Não desesperes. Que a  Helena, foi muito breve nas suas partilhas. Escolheu Frida Kahlo. Uma biografia, de Maria Hesse, para enaltecer as mulheres à frente do seu TEMPO, e um policial – A Vingança serve-se quente, de M. J. Arlidge, uma verdadeira corrida contra o TEMPO.

As miúdas ficaram para o fim… ainda tens TEMPO para ler as nossas escolhas? Prometo ser breve. A Susana escolheu a história de uma família e da sua aldeia ao longo do TEMPO, num Alentejo que se desertificou. Já se falou tanto, neste blog, sobre Um dia a aldeia acabou, de Nuno Franco Pires, mas este tanto nunca será de mais. E eu escolhi uma autora que queria ler há tanto TEMPO, Isabel Stilwell. D. Catarina de Bragança, uma mulher de outro TEMPO.

 

Terminámos o encontro com uma surpresa preparada pela Márcia que levou livros seus para nos oferecer. A arte do desapego ou o escasso espaço nas estantes? Isso pouco importa. A sua generosidade é do tamanho de um calhamaço, daqueles com mais de 1000 páginas. Obrigada!

Espero que tenhas ficado com curiosidade em ler alguns destes títulos. Espero que tenhas ficado com vontade de te juntares a nós e aos nossos livros. Outubro aguarda O(s) nosso(s) (Re)Encontro(s).
Se gostas de ler, não encontres desculpas, encontra TEMPO.

Rosarinho

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