Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Setembro 15, 2020

Andei toda a vida vendado minha querida, longe de ti… Dava um passo para a frente e dois para trás, sem saber que terreno pisava, sem saber que assim não avançaria, para ti… Ora esbarrava na solidão, ora chocava com estrondo no não recíproco. A desilusão dói mais que um embate frontal a 200 km/h, mas tal como tu sabes, faz tudo parte da nossa aprendizagem e crescimento pessoal.

Andei por terras lamacentas, com força para as ultrapassar, mas sem esperar perder os sapatos, nem as unhas partidas. Sem saber que, de seguida, viriam águas profundas e que eu nem saberia nadar…
Caminhei, nadei, rastejei, sobrevivi, até que ouvi o teu chamamento pela alegria e soube que era ali o meu propósito para ter resistido até hoje.

Ensinaste-me que mesmo que não saiba para onde vá, o caminho é para sul e por aí me lanço eu. E posso colidir em mim mesmo, posso cair, dar meia volta ou rodopiar, mas poderá sempre vir quem nos chame e oriente a passada.

Eu que sempre quis correr rápido, hoje só quero aprender a voar e se me direcionando para sul te encontro, para sul vou, tal como num voo migratório de uma ave qualquer. Também eu adoro te escrever, porque assim voo sem tirar os pés no chão. A minha migração é pelas palavras, meu amor, rumo ao teu coração, e por isso eu faço centenas ou milhares de quilómetros cada vez que te escrevo.

Sigo leve, pois só com leveza poderia chegar a alguém como tu. Por ti irei refazer as asas brancas que me fazem voar, as penas eu invento num salto maior, o branco eu pinto para ti, se ainda souber pintar ou encontrar os pincéis que perdi no caminho…

Se o que queres é a celebração da vida, então celebra comigo, que chegarei a ti pleno de todos os sonhos que perdi, porque tu serás capaz de os refazer, tijolo a tijolo. Constrói-me com solidez, que eu construirei o castelo a que pertences e te tratarei como uma princesa que és.

Ainda não cheguei a ti, mas já sinto o cheiro da maresia da cor dos teus olhos, já sinto o queimar do sol da cor dos teus cabelos, já me sinto a percorrer a tua pele clara, como quem toca a fina areia branca de um deserto virgem e receia calcar muito a passada, mais do que um mapa, as curvas da tua alma me guiarão. Pensar em ti é isto: viajar na inspiração… É assim que me sinto, já em viagem e prestes a chegar a ti.

E depois todo um capítulo novo da nossa história se escreverá, sem limites, sem “mas”, sem “porquês” uma vez vencidos os teus medos.

Levar-te-ei para onde tanto almejas, aí onde eu encontrarei o portal para o sentido da vida.
No dia em que sentires o meu abraço, sentirás a vida a pulsar-te nas veias e renasceremos e celebraremos a vida.

Segura a minha mão, que leve está para ti, como um presente. O peso do passado ficou para trás, escolhe vencer a nostalgia, escolhe a alegria, escolhe-me, não amanhã, hoje, agora.

Lê-me por 10 segundos de olhos fechados, visualiza-me, beija-me por um segundo de olhos abertos, sente-me.

Até já meu amor! Estou voando para sul, oxalá ainda por lá te mantenhas. Eu estou em parte incerta, se a nuvem que está a meu lado se precipitar, prometo ser certeiro e molhar-te o corpo com chuva doce e alegre…

Filipe Correia
Agosto 2020

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