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Apanhei boleia do Rabelo

Setembro 10, 2020
Museu do Douro

Agora que a realidade se entranhou na minha pele e que as férias são uma boa memória com semana e meia de distância, vou beber um vinho. Não para esquecer, mas para aguentar o caminho até às próximas férias. Pode ser um D. Graça Reserva Tinto 2016, com graduação de 14%. Dá-lhe!
Aproveito, também, para brindar ao Museu do Douro. É sobre ele que venho aqui escrever. Tal como te prometera, vão começar a desfilar, pelo blog, posts sobre os locais mais marcantes das férias desta miúda.

Museu do Douro

Situado no Peso da Régua (jamais esquecerei a vista do quarto do meu hotel), o Museu do Douro nasceu em março de 2014 no recuperado edifício da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro e é um espaço coletivo de memória e identidade da Região Vinhateira.

À entrada, cruzei-me com um galo e duas galinhas que me deram as boas-vindas. Fiz logo amizade. Depois, apanhei “boleia” do Rabelo e iniciei uma viagem pelo Douro: Matéria e Espírito. Este é o nome da exposição permanente do museu. É uma abordagem temporal e geográfica, uma viagem no tempo, se preferires, à Região Demarcada do Douro, que remonta a 1756 e que é o resultado da força de vontade, do sonho e da determinação do Homem em otimizar os recursos naturais. Onde existiam declives notáveis, escassos em água e terra, o homem construiu, segundo Orlando Ribeiro (geógrafo e historiador português), “a mais admirável obra humana que se pode ver em Portugal”.

A exposição divide-se em dois pisos. No piso 0, segui uma grande linha temporal que se inicia na pré-história e termina no século XXI. Que grande viagem! Cruzei-me com os momentos de viragem deste território de 250.000 hectares: a especialização do território, a sua demarcação, a transformação da paisagem, a Filoxera (a mais devastadora praga das vinhas), um traje de Dona Antónia, a Ferreirinha…

Subo ao piso 1 e é a euforia. Esta é uma área de exposição, muito mais visual, apresentando aspetos da produção e comercialização, bem como o desenvolvimento de imagens de marca (o que eu amei as publicidades de mil novecentos e troca o passo!). Mas, também, é um local sensorial, onde o meu narizinho descobriu as características enológicas dos vinhos da região.

Neste piso, assisti, ainda, a “Gigantes do Douro”, de André Valentim Almeida, realizado propositadamente para o Museu. São 100 anos de imagens em movimento que me deram uma visão de vários tempos, de diferentes histórias, de personagens reais e fictícias que, de alguma forma, estiveram envolvidas na construção desta região.

Se gostaste do meu post e se te despertei a vontade para o visitares este espaço museológico, leva cumprimentos meus à família galinácea (desconfio que são grandes apreciadores de Porto), visita a loja que é uma perdição (comprei o livro “Antónia Ferreira a Desenhadora de Paisagens”) e no final da visita brinda com um cálice de vinho do Porto, cortesia do Museu.

Confesso-te que, agora, apetecia-me beber um copito daquele Vinho Velho do Douro de 1834 que estava em exposição junto à bilheteira e cantarolar:

Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa
E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia
(…)
Grande Carlos Paião!!!

Rosarinho

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