Ideias com asas

Viajar em tempo de Covid-19

Setembro 3, 2020
viajar em tempo de covid-19

Estou de volta ao blog mais fofo do mundo! Estava com saudades de passar por aqui e escrever umas coisas. As férias correram bem, obrigada! Descansei, passeei, dormi muito, revisitei lugares que me são queridos, conheci pessoas extraordinárias e trouxe muita coisa para te contar. Hoje quero partilhar contigo como foi viajar em tempo de Covid-19. Não te retraias, nem tenhas medo. Respeita, protege-te e adapta-te. Viajar continua a ser muito bom! Vamos lá! Portugal está à tua espera!

Rio Douro, Peso da Régua

Este ano era suposto ter feito as malas e apanhado o avião para a Holanda. Estava precisamente a construir o roteiro pelo país das tulipas quando tomei consciência de que a viagem não iria acontecer. Era março.  Por essa altura, nem sabia se em agosto iria, sequer, fazer férias fora de casa. Mas tudo correu bem e organizei uma road trip com a ajuda da By Travel, em Cascais, pelo norte de Portugal. Há muito que queria explorar o Douro Vinhateiro e o Gerês. Esta era a oportunidade. Dez dias a apaixonar-me por este cantinho lindo, na companhia de Mr. J.. O nosso país é encantador e tão diversificado que estes dias tiveram o dobro do sabor. Mas, afinal, como é viajar em tempo de Covid-19?

Viajar em tempo de Covid-19

A vidinha no Hotel Régua Douro

Para nós foi muito tranquilo. Começo por te dizer que nos sentimos, sempre, seguros. Os primeiros dias foram passados no Hotel Régua Douro. Assim que pusemos os pés na entrada, um tapete especial desinfetou-os. E, claro, as boas-vindas foram dadas pelo álcool gel. Toda a equipa estava, perfeitamente, confiante sobre os procedimentos dos novos tempos. Este é um hotel com 77 quartos (o nosso tinha uma vista que eu gostaria de ter trazido para casa). Um hotel com esta dimensão já impõe algum respeito em época de pandemia. Ainda assim, tudo estava muito bem organizado e controlado. Fomos informados, logo à chegada, que teríamos de marcar hora para o pequeno-almoço e para o almoço e jantar, caso quiséssemos provar as iguarias do Restaurante Panorâmico. Havia álcool gel espalhado por vários pontos do hotel. Os hóspedes, em regra geral, respeitaram as novas formas de estar. Só houve um dia, um pouco caótico, na sala de refeições do pequeno-almoço. E porquê? Porque as pessoas não cumpriram o horário previamente marcado. A verdade seja dita, é que me senti tão segura, que até aproveitei ao máximo o lobby, por lá bebi chá, escrevi e li.

Refeições
Antes de entrarmos na sala do pequeno-almoço, uma colaboradora do hotel indicava-nos a nossa mesa e só depois avançávamos para o buffet que estava protegido por roll-ups, com telas transparentes. Do outro lado  os colaboradores (muito simpáticos, by the way), colocavam no prato as iguarias que íamos escolhendo (comi imensos croissants, não sei se isto é bom!!!). Voltar à mesa do buffet era sempre possível e não precisávamos de passar pela fila de espera. Estava tudo muito bem organizado. 
Optámos por jantar quase todas as noites no restaurante do hotel e correu, sempre, tudo bem. O espaço é amplo e, mais uma vez, as normas foram todas respeitadas. 

Piscina
Foi difícil, ainda assim, conseguimos dar um mergulho. Esta nossa dificuldade não nada teve a ver com as medidas de segurança. O verão é que teve um ataque de timidez no início da viagem. No último dia, atirei-me à piscina, cheia de confiança. Existe, sempre, um colaborador do hotel por perto, atento. Estava pouca gente, o truque é ir logo pela manhã ou bem ao final do dia. Confesso-te que mesmo em tempos normais, não suporto as piscinas com muita gente. 

A vidinha no Primavera Perfume Hotel

Na segunda parte da viagem fomos à descoberta das Aldeias Históricas do Gerês. Com quarto marcado na vila de Vidago, no Primavera Perfume Hotel (que nos anos 30 abriu as portas como pensão), experimentámos uma realidade mais tranquila. O hotel tem 32 quartos e o nosso tinha vista para a piscina e para as paisagens verdejantes em redor. Lá encontrámos um tipo de refúgio. Excelente escolha para os restantes dias da nossa road trip. A vila foi, em tempos, muito agitada (nos dias de hoje não seria aconselhável). As ruas apinhavam-se de gente que procurava as famosas águas termais. Hoje em dia, confesso que me soube bem tanto sossego (talvez seja uma vila sossegada de mais para os habitantes).  Sentimo-nos muito tranquilos em relação à estada no hotel em tempos de Covid-19. Existe álcool gel em todas as esquinas e recantos. Até nos perguntaram se queríamos que arrumassem e limpassem o quarto todos os dias, já que alguns hóspedes optavam por ter o mínimo de contacto possível com o pessoal do hotel. Achei interessante esta opção. Há uma coisa que tenho de te contar. O nosso quarto tinha um recanto de leitura/escrita. Por mim, tinha ficado lá até ao final do verão. O hotel é de três estrelas, mas a equipa tem mais duas.

Refeições
Como esta unidade hoteleira era mais pequena e a sala de comes e bebes era ampla, não houve necessidade de marcar hora para as refeições. Já te disse que adoro os pequenos-almoços nos hotéis? Acredito que tu também pertences ao meu team. No Primavera a primeira refeição do dia em formato buffet estava protegida por acrílicos e os colaboradores é que nos serviam, muito à semelhança do hotel no Douro. Este hotel tinha a opção de restaurante ou bar. Os nossos jantares foram intercalados entre uma refeição mais sofisticada no Restaurante ou mais descontraída na esplanada do Bar. Sempre em segurança. Repito muitas vezes esta palavra porque foi o que senti ao longo destes dias.

Piscina
Mal largámos as malas no quarto, vestimos os fatos de banho e lá fomos nós para o paraíso dos viajantes:  piscina rodeada de verde e de pássaros que, ao final do dia, davam uns bons mergulhos na água fresquinha. Nós também demos uns bons mergulhos e apanhámos muita vitamina do sol, que este ano a praia ficou em pausa. Apesar de ser um local mais procurado pelos hóspedes, correu sempre tudo bem. A malta manteve a distância física. Pela manhã, bem cedo, lá andava a brigada da limpeza a desinfetar tudo. O bom da piscina é que estava aberta das 08h00 às 20h00. Deu para usar e abusar desta tranquilidade. A espreguiçadeira foi minha cúmplice de leituras, de escrita e de sonos leves. Se não me sentisse em segurança, nunca teria relaxado assim… até adormecer. 

Visitas a museus, mosteiros e castelos

Ao longo destes 10 dias de viagem foram várias as visitas a locais fechados, apesar de termos passado bastante tempo ao ar livre, rodeados de verde, do som da água, de vacas e ovelhas, de 16 quilómetros de passadiços e de muitos cheiros que não sentimos na cidade. Visitámos museus, mosteiros e torres de menagem. Nesses locais usámos o acessório da moda mais famoso do ano, a máscara. Desinfetámos as mãos até a pele cair (estou a exagerar) e confesso que sofremos um pouco com o calor. Já te tinha contado que visitar um espaço museológico de máscara não é fácil, mas consegue-se. Mil vezes isso a ficar aprisionada ao medo, em casa. Claro que existem seres que acreditam ser imunes ao bicho e desfilam com a maior vergonha na cara desmascarada. Mas são poucos e logo chamados à atenção. Também existem aqueles que gostam de se aconchegar ao nosso redor, mas nada como um olhar menos simpático de alto a baixo para os fazer recuar 3 ou 4 passos. Vais sempre encontrar gente deste tipo, mas cabe-te a ti lidar com a situação e manter o teu perímetro seguro.

Ainda vou escrever muito sobre estes 10 dias de road trip. No entanto, este primeiro post, para mim, fazia todo o sentido. Queria deixar-te aqui a minha experiência de férias em tempos estranhos. Porque se ainda tiveres algumas dúvidas em viajar neste nosso país lindo, cheio de história e de lendas, deixa que elas se dissipem. Portugal está pronto para te receber e acarinhar. Vai!

Rosarinho

Ligações de interesse:
https://www.facebook.com/ByTravel.Cascais
https://www.hotelreguadouro.pt/
http://www.primaveraperfumehotel.com/

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