Ideias até ao infinito

Poesia…

Agosto 25, 2020

Confesso que é um género literário para o qual ainda não “despertei” à séria. E nem sei bem explicar o porquê… talvez por, mentalmente, ainda não me ter decidido a isso. Enfim…

Certo é que há pelo menos um poema que A.D.O.R.O! E hoje vou partilhá-lo contigo.

Antes de o fazer, uma curiosidade.

Este poema foi-me “apresentado” pelo meu amigo Nicolau (obrigada por isso!), há uns bons anos atrás, que o partilhou comigo tal como “deu com ele” nesta grande rede mundial chamada internet. O mesmo é dizer que “Morre lentamente” me chegou como sendo da autoria de Pablo Neruda!

Acontece que recentemente, numa pesquisa que realizei, descobri que, pelos vistos, o poema que ficou eternizado na minha memória não será do poeta chileno, mas sim de uma autora brasileira, de seu nome Martha Medeiros. E o próprio do poema intitula-se “A Morte Devagar”. E esta informação li-a numa notícia da globo.com, na qual é dito que a própria Fundação Pablo Neruda assegurou à agência noticiosa EFE que o poema não é de autoria do chileno…

Polémicas à parte, e embora o referido poema não seja de sua autoria, recentemente veio parar-me às mãos o livro “Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada”, de Pablo Neruda! E isso fez-me relembrar do quanto gosto de “Morre Lentamente”, ou melhor, “A Morte Devagar”, despertando em mim a vontade de o partilhar contigo.

Ah, e muito provavelmente, é desta que vou iniciar-me na poesia, com estes “20 Poemas de Amor…”, mesmo. Para já, lê e depois diz-me o que achas tu deste poema! De Neruda ou de Medeiros, A.D.O.R.O!

Susana Figueira

Morre lentamente quem se torna escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos percursos, quem não muda a marca, quem não se arrisca vestir uma nova cor, quem não fala com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos “is”, em vez de um remoinho de emoções, justamente aquelas que fazem brilhar os olhos, aquelas que fazem de um bocejo um sorriso, aquelas que fazem bater o coração diante dos erros e dos sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca a certeza pela incerteza para prosseguir um sonho, quem não se permite ao menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não escuta música, quem não acha graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem passa os dias se lamentando da própria sorte ou da chuva contínua.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de começá-lo, quem não faz perguntas sobre assuntos que não conhece, ou quem não responde quando lhe perguntam sobre algo que domina.

Evitamos a morte em pequenas dores, lembrando sempre que estar vivo requer um esforço muito maior do que o simples fato de respirar.

Só a ardente paciência nos levará a conquistar uma esplêndida felicidade.

    Escreve aqui o teu comentário

    Parcerias