Ideias até ao infinito

“Tropecei” numas sandálias e fui à Praia das Avencas

Agosto 20, 2020

Um destes dias, regressei às memórias de infância.

A rever umas páginas de novidades, da revista mensal feminina na qual trabalho, chamou-me a atenção mais uma tendência revivalista e dei por mim a lembrar-me das idas à Praia das Avencas.

Como bem sabes, vivo na zona da Parede desde sempre, num bairro um pouco mais acima, mais interior, mas ainda assim grande parte das minhas referências de infância e juventude passam pela Parede.

E porquê a Praia das Avencas?! É que tenho recordações de quando era (ainda mais) miúda sairmos de casa (eu, a minha irmã e os primos) e fazermo-nos à estrada, a pé, para irmos à praia. Umas vezes com os pais outras com tios, ou mesmo com a minha querida avó Alzira, que, além de café, também adorava fazer praia. Ali na Parede então, por causa do iodo fazia-lhe muito bem aos ossos, não é avozita?!

Bem, mas de que tendência de moda fala esta miúda? Ora bem, da bela da sandália de plástico, pois então! E pró menino e prá menina! Quando o destino era Praia das Avencas, a sandalinha de plástico era indispensável!

Não sei se te é familiar, mas esta belíssima praia possui características muito próprias. Se não vê só… tem a zona de praia propriamente dita, tem “piscina” e um “caldeirão”! Whaaat?! É não é?! É assim uma praia 3-em-1.

Acontece que a sua morfologia é muito rochosa, embora consigas desfrutar à vontade do mar. No entanto, tens a opção de te banhares na “piscina”, uma formação rochosa que entretanto foi trabalhada pelo Homem, claro, tendo uma espécie de rebordo por onde podemos andar, mas que desaparece na preia-mar.

Já o “caldeirão”, não penses que é o da poção mágica onde caiu Obelix. Este é mesmo o local cujo acesso implicava o uso da bela da sandália! É que para lá chegar, e só com maré vazia, tínhamos de avançar, qual exército de gauleses, por cima de formações de rochas, daquelas que ferem os pés mesmo! Daí ser “obrigatório” o uso da sandália. Pró menino e prá menina, que isto não havia cá esquisitices! Só que, quando chegávamos ao destino, tínhamos uma outra piscina, esta mesmo natural, que conheço desde sempre por “caldeirão”…

Por acaso, agora é que estou aqui a pensar… quem se terá lembrado deste nome?! Acho que vou tentar descobrir. Ainda por cima, diz que atualmente é Área Marinha Protegida, quer seja pelas plataformas que a compõem quer pelo seu areal, quer também pela biodiversidade de espécies que ali se encontram!
Aaah minha rica praia de infância!

E é muito isto, uma miúda “tropeça” numas imagens de sandálias de plástico e viaja ao passado. E a ti também te acontece “tropeçar” em coisas que te levam a tempos idos?

Susana Figueira

    Escreve aqui o teu comentário

    Parcerias