Clube de Leitura - Livros à Sexta

Livros à Sexta – E tudo o vento quis levar

Agosto 11, 2020

O sábado amanheceu com a excitação do que estava por vir.

As miúdas haviam pensado tudo ao pormenor, para que nada pusesse em risco o encontro há muito desejado…

Um espaço ao ar livre. No máximo 10 pessoas. Levem máscara e álcool-gel. Uma manta para delimitar o lugar de cada uma. Uma iguaria à escolha para um piquenique pós-partilhas literárias… e a mesma paixão de sempre pelos livros!

Só não contávamos era passar uma tarde nas páginas de… “O Monte dos Vendavais”, tal a intensidade do vento que se fez sentir 🤪 Mas o entusiasmo em estarmos ali, juntas, pela primeira vez desde que desfiámos “Os Fios” de Sandra Catarino em março, era tanto que não estávamos nem aí se o encontro terminasse connosco num país chamado Oz!

As miúdas tinham desafiado as leitoras do Clube de Leitura – Livros à Sexta para um encontro extraordinário, sem leituras obrigatórias, mas presencial. O importante era simplesmente estarmos juntas e partilharmos leituras de verão.

E se agosto é o mês das férias, por excelência, as miúdas estavam cientes de que era bem provável termos ausências neste encontro. Só que… conheces a Lei da Atração? Qualquer coisa como “atraímos aquilo que pensamos ou projetamos”… como sabes, o Clube de Leitura – Livros à Sexta é um dos nossos projetos preferidos e tudo o que com ele está relacionado deixa-nos de sorriso aberto e “com um brilhozinho nos olhos” (já cantava o Sérgio Godinho). E isso atrai pessoas do bem! Ora vê só…

Com 5 presenças habituais confirmadas, as miúdas aguardaram até à véspera para saber se mais alguém conseguiria estar presente, isto porque tínhamos 3 novas leitoras em standby. As miúdas não queriam mesmo desrespeitar a regra das 10 pessoas, apesar de irmos para um espaço ao ar livre, e quem está no clube há mais tempo teria sempre prioridade.

Ao mesmo tempo, estávamos super felizes por termos 3 pessoas novas interessadas em se juntarem ao Clube de Leitura. E vai daí, a tal da Lei da Atração fez das suas… Atraiu para o grupo a Márcia, a Vânia e a Vanessa!

Nestas fotos, vês as novas leitoras de Livros à Sexta. À esquerda, a Márcia e a Vânia, duas amigas que ‘descobriram’ o clube de leitura através de partilhas no Instagram. À direita, conheces a Vanessa, que nos foi apresentada pela nossa querida Margarida

E o vento não levou tudo… ficaram as leituras de verão e novas amizades

Aquele espaço mágico e encantado que é a Quinta do Pisão, no Parque Natural Sintra-Cascais, foi o local escolhido. Em pleno sopé da serra de Sintra, no meio da natureza, encontrámos aqui a calma e a tranquilidade perfeitas, que nos permitiram estar à conversa sobre esta paixão que nos une… bem, calma relativa, porque S. Pedro fez das suas.

Quais Dorothy e o seu cão Totó, ‘levantámos voo’ dentro de um ciclone que começou em “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, a escolha da Márcia, que se apaixonou por esta história do primeiro autor português que leu. Num turbilhão, atravessámos a barreira do tempo e demos por nós em 1930, ano em que Dale Carnegie nos ensinou “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, escolha da Vanessa que adora policiais, mas este verão retomou outro tipo de leituras. Atraídas novamente pelo remoinho de vento, aterrámos no Quénia e na sua “Luz Efémera”, das irmãs Barbara e Stephanie Keating, terceiro volume de uma trilogia e a escolha deste verão da Vânia. Outra rajada de vento e vimo-nos ‘sem os limites’ que a vida quis impor ao “miúdo do cérebro avariado”, nas páginas de “Limitless – Core Techniques To Improve Performance, Productivity, And Focus”, de Jim Kwik, leitura de verão da Margarida. O ciclone não parecia dar tréguas e acabámos a saber que Lisboa esconde estórias de vidas, lugares, tragédias e conspirações, e até mesmo espionagem, contadas nas páginas de “Era uma vez em Lisboa”, de Luís Ribeiro, sugestão da Marisa Sousa que entusiasmou o grupo com a possibilidade de um passeio literário com base na sua leitura de verão. Já a Helena Manso quis adoçar-nos a tarde ventosa e, apesar de não o ter consigo (por não saber onde o tem), a sua sugestão de leitura de verão é “Como Água para Chocolate”, da escritora mexicana Laura Esquivel. Continuávamos a experimentar a força do vento, que ainda assim não foi suficiente para derrubar “Os Pilares da Terra”, de Ken Follet, leitura de verão da Carla Santos, a nossa leitora viseense que adora romances históricos… será que é pelo facto de o seu pai ser professor de História e desde sempre as suas viagens de verão passaram por locais com… história? Novo turbilhão de vento e regressámos à atualidade para tomarmos consciência de que “A Nossa Casa Está a Arder – A nossa luta contra as alterações climáticas”, da jovem Greta Thunberg com Svante Thunberg, Beata Ernman e Malena Ernman. A sugestão é da Fátima que também falou em “The Starless Sea”, da norte-americana Erin Morgenstern. Um forte redemoinho levou-nos de novo a viajar no tempo, até ao verão de 1969. E não, não é a música do Bryan Adams. É que a Rosarinho foi “passar o verão com a Jessie, a Kate e a Exalta à ilha de Nantucket”, nas páginas de “Um verão especial”, de Elin Hilderbrand, e diz que este livro é uma banda sonora! Já a sermos ‘arremessadas’ para fora do ciclone e para a mesa do belo piquenique que nos esperava, levei comigo “aqui a princesa salva-se sozinha”, de amanda lovelace (@ladybookmad), “a história de uma princesa que se tornou donzela que se tornou rainha” que estou a ler e, como não podia deixar de ser e porque o orgulho é demasiado, o livro de contos “Palavras orientadas, histórias contadas”, de vários autores, no qual podes ler “A Fuga”, de Rosária Casquinha da Silva!

Conhece aqui as 3 mais recentes leitoras de Livros à Sexta

Márcia – A mulher que ‘engole’ livros
Chegou a Portugal em 2002. Escolher um livro que simbolizasse leituras de verão não foi fácil, porque no seu país natal, Brasil, ‘é verão’ o ano inteiro. “Equador”, de Miguel Sousa Tavares foi a sua escolha, aliás, ela mesma disse que ‘engoliu’ o livro, até porque se apaixonou pela história. Diz que lhe abriu a mente. E tem o livro autografado graças ao dono do café onde Miguel Sousa Tavares ia todos os dias tomar o pequeno-almoço. Quando gosta de um livro, sugere-o e até o oferece a toda a gente. Define-se como um dos poucos leitores brasileiros que já leu Saramago, já que na sua opinião os brasileiros têm resistência a ler algo que não esteja na moda ou não seja americanizado. Estava no Porto, a ler Saramago, quando soube que ele estava umas ruas abaixo a dar autógrafos na Feira do Livro. Foi a primeira da fila. Foi ela quem deu a conhecer o Nobel português ao pai.

Vanessa – A mulher que adora ler policiais
E os seus preferidos são de Patricia Highsmith. Diz que leu “Cosmos”, de Carl Sagan, ainda jovem e que a tocou imenso. Porém, este verão optou por outro tipo de leitura e com o seu livro de verão está a ‘aprender’ a fazer mais amigos e a influenciar pessoas, já que este ensina técnicas para iniciar conversas. A primeira edição da obra de Dale Carnegie é de 1930, e tem a particularidade de ser bastante atual, levando a mulher do autor a continuar a reeditar o livro com atualizações das técnicas, de acordo com a evolução dos tempos. Diz a Vanessa que este livro deve-se ler duas vezes cada capítulo. Acabar, pensar, pensar e voltar a reler. Gosta da simplicidade da sua escrita.

Vânia – A ‘menina’ que só tinha 2 livros
Ler é um hábito que traz consigo desde pequena, mesmo que numa fase da sua vida só tivesse dois livros à mão. Lia-os e relia-os sempre ávida de mais. A Vânia diz que os deve ter lido umas 10 vezes. O acesso às bibliotecas na escola, mais tarde, permitiu-lhe devorar livros. A forma apaixonada como falou de “Luz Efémera” pareceu-nos a mesma com que descreveu o amor das autoras pelo Quénia, diz que ficamos com a sensação de também lá estar. A “Trilogia Langani”, de Barbara e Stephanie Keating, é uma história verídica e da obra a Vânia diz que “são 3 calhamaços, mas leem-se bem”.

Susana Figueira

Quando o vento começou a provocar arrepios, saímos da sombra

A foto de grupo

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