Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Julho 21, 2020

Sem teu olhar para me acalmar, deixei que tudo a meu redor se queimasse. Agora só resto eu próprio para arder, não me tivesse eu já feito em cinzas. Mergulho no mar, aqui onde não há fogo que chegue. Não sei se mais longe ou mais perto de ti, mas de destino mais lavado…

Completamente molhado, o vento seca-me sem eu querer, do mesmo jeito que eu sem querer ainda te amo. Pego numa toalha ali à mão, mas tudo o que queria era secar-me no teu corpo ou então molhar-te até que o sol baixasse.

Queria provar-te, mas para isso seria preciso amassar-te como um pão, trincar-te, mastigar-te e misturar o teu sangue no meu. De que grupo sanguíneo seria a tua alma?

Queria deter-te entre os dedos, mas tu escorres-me como glicerina líquida, como o tempo… Queria ler-te, mas iria folhear-te de uma ponta à outra, cruzar páginas, inventar metáforas, pintar hipérboles sobre a tua pele, por cima das tuas tatuagens, sublinhar anáforas como nesta prosa…

Queria fitar-te, como se os teus olhos fossem oceanos que nunca tivessem sido navegados. Queria conhecer-te, mas para isso terias de te deixar ver… Queria viver, mas para isso seria preciso que existisses…

Depois de te querer, provavelmente, iria querer-te cada dia mais, mas, ao contrário de toda a gente que se sente sufocada pela intensidade, eu sei que tu colocarias mais duas ou três mudanças na minha caixa de velocidades. Só tu virias dar sentido a esta viagem que faço em ponto-morto.

Quero-te. E ainda que nunca te venha a ter, tenho-te.

Sempre que escrevo, que inspiro por mais uns segundos, que te prendo na minha memória… Tenho-te.
Tenho-te tanto que sinto os lábios salgados, sempre que mordo o pensamento com os teus dentes cravados ainda em mim. Mordo esta solidão.

Gosto de imaginar que me lês, bebendo o teu café sem açúcar e sorrindo com o mel e a canela que em ti deixei…
Até já.

Filipe Correia
Julho 2020

    Escreve aqui o teu comentário

    Parcerias