Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Junho 2, 2020

Menina com corpo de mulher e mente florida, passo a vida escrevendo para ti e sorrindo para o mundo. Mas tudo o que queria era inverter essa equação, sorrir para ti e escrever para o mundo seria muito mais justo…

Se és poesia na prosa, eu sou fluorescência no escuro…
Durante estes anos, que mais parecem séculos sem ti, aprendi há dias a jogar xadrez, mas sem ti não há forma de aprender a viver.

Falta-me dar o melhor lance de xadrez no tabuleiro da vida, olhar-te nos olhos será um xeque-mate imediato.

Enquanto isso, dou comigo inventando peças, estudando jogadas, colocando a minha mente em círculos ou tapando com lençol preto o tabuleiro. Como se assim distraísse o tempo que sem ti demora… Paro o relógio, meu único adversário sem ti por perto, mas a vida continua a rolar…

No xadrez, como na vida, a peça mais importante e poderosa és tu, dama. Sem ti, mesmo que fosse o melhor jogador do mundo, nunca seria rei.

Eu jogo com as peças brancas, tu jogas com o negro da distância no tempo e no espaço.

Vem logo remexer em todo o jogo, eu já só ando com os meus cavalos em “L”, e estou deserto por galopar nos teus sentidos.

Vem de sapatos de salto alto vermelhos, perdendo a roupa transparente pelo caminho. Manda o tabuleiro ao ar como um furacão, atira ao chão a mesa, vira a minha vida do avesso. Traça diagonais de beijos no meu peito como um bispo, ama-me numa jogada ou pela vida toda, mas por favor mostra-me que temos todas as capacidades para jogar ao amor, enquanto eu for capaz de acreditar na loucura desse jogo que arde dentro de mim. Quem o inventou? Certamente não sabia como dói a solidão de quem nunca o teve…

Escrevo-te na vertical de uma torre, esperando a tua jogada horizontal para a minha cama. Mas aí meu amor, não haverá peças, nem lençóis, nem tabuleiros, nem xadrez… Apenas nós dois, jogados no carrossel quente da paixão.

Começa com a jogada de abertura…

Filipe Correia
Maio 2020

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