Clube de Leitura - Livros à Sexta

Livros à Sexta a espalhar… Amor

Maio 19, 2020

Em 1967, já os The Beatles cantavam “All You Need is Love”. Sábios estes rapazes, dizemos nós.

E foi de, e com, Amor que nos reunimos uma vez mais em volta dos livros, que amamos, na passada sexta-feira, dia 15, no Clube de Leitura – Livros à Sexta. E, desta vez, olhámo-nos nos olhos… através da plataforma Zoom. É óbvio que, ainda assim, não é a mesma coisa do que estarmos no mesmo espaço a partilhar o nosso Amor pela leitura, mas sabes que mais? Espalhámos gigabytes de Amor por essa internet fora!

Falou-se de Amor entre casais. Amor de pais pelos filhos. Amor de filhos pelos pais. Amor de avós. Amor de netos. Amor entre amigos, pois que mais é a amizade se não uma forma de Amor!? Mas também se falou de Amor-próprio e da própria Linguagem do Amor.

No entanto, momentos antes de iniciarmos as nossas partilhas de Amor, contámos com a participação do Ricardo Gomes, da RG Livreiros, livraria parceira do nosso Clube de Leitura – Livros à Sexta. É que o Ricardo, tal como muitos outros pequenos empresários de comércio local, atravessou agora um momento desafiante na nossa livraria favorita de Cascais.

É que entrar na RG Livreiros é muito mais do que ir a uma livraria comprar um livro. A livraria vive muito do atendimento personalizado que dá aos seus clientes, muitos deles já amigos, o que em época de distanciamento social obrigatório se torna muito desafiante. Porém, foi com a mesma entrega e garra de sempre que o Ricardo apostou em fazer chegar os livros ao domicílio dos seus leitores e que, neste momento, de regresso à nova normalidade, pretende explorar ainda mais o online, mas sem nunca perder a característica que mais define a sua livraria: a ligação aos leitores.

Quando quisemos saber qual seria a sua sugestão de um livro sobre a temática do Amor, o Ricardo ainda hesitou um pouco, para momentos depois dizer “lembrei-me agora mesmo de um”… “Amor nos Tempos de Cólera”, de Gabriel García Márquez. Um clássico e um dos meus preferidos também!

Depois, chegou o momento do Ricardo se despedir do nosso clube de leitura (outras tarefas se impunham), mas não sem antes deixar a sugestão de leitura para o nosso próximo encontro, que será de festa: em junho, ainda sem data certa, celebramos 3 anos de Livros à Sexta e vamos fazê-lo com a leitura de um só livro: “Wilt”, de Tom Sharpe.

E eis chegado o momento de partilharmos Amor

O tema tinha sido sugerido pela nossa leitora Dora B. que, diz, na altura de fazer a sugestão não se tinha debruçado muito sobre o assunto e… apenas sentiu que deveríamos ler o Amor! Afinal, é só o que de mais importante temos na vida, digo eu! E, com vontade de explorar ainda mais esta temática, a Dora dedicou-se à descoberta d’“As 5 Linguagens do Amor”, de Gary Chapman.

Mas, porque isto do Amor é feito de encontros e desencontros, de aventura e “à ventura”, tal qual os venturosos navegadores portugueses dos Descobrimentos, a Beladina embarcou numa viagem de 600 páginas, pelos quatro cantos do mundo para descobrir “A Lenda de Martim Regos”, de Pedro Canais. Queres saber o que mais retive da sua partilha? Por entre viagens e épocas históricas marcantes, somos testemunhas de um reencontro de Amor passado 80 anos!!! That’s true love, right?!

Com a Vanda Lima fizemos check-in num ‘hotel’ que encontrou a nossa leitora, porque a Vanda diz que não é ela que escolhe os livros que vai ler, são os livros que a encontram. E assim foi com “O Pianista de Hotel”, de Rodrigo Guedes de Carvalho, que nos dá a conhecer várias estórias de Amor, feitas de encontros e desencontros, mas também de um outro Amor muito especial: o Amor à música!

Entre um copo de vinho ou um chá, e com a ‘sala’ composta, estávamos preparadas para ouvir falar de Amor pela vida, de Amor-próprio, pela voz da nossa querida Marisa Sousa, que nas páginas de “A Gorda”, de Isabela Figueiredo, encontrou um romance feito de resiliência, de uma personagem que, pelas suas características físicas, sofre na fase da adolescência, mas nunca baixa os braços, nunca se entrega, antes se vai reinventando e lutando por uma vida que valha a pena.

E porque o Amor é o que dá sentido à vida, uma das leitoras recém-chegadas, e muito bem-vindas, a este nosso clube de leitura, a Natália, procurou na escrita da norte-americana Lolly Winston “Um novo sentido para a vida”. Este romance, dividido em três partes, aborda a questão da perda, das oportunidades de mudança e de voltar a encontrar o Amor.

Já a Luísa Lavado, a outra recém-chegada a este clube, brindou-nos com a leitura de um poema (o seu favorito), que faz parte do livro “Diz-me a verdade acerca do Amor”, de W. H. Auden. E este poema, intitulado “Funeral Blues”, fez parte do guião de uma das cenas mais marcantes do filme “Quatro Casamentos e Um Funeral”, precisamente no funeral do Amor de uma vida de Matthew (personagem interpretada pelo ator John Hannah). Além deste livro de poemas, a Luísa leu também uma história que vem do País do Sol Nascente, pela escrita de Kyoichi Katayama, e que nos dá a conhecer o Amor entre Sakutarô e Aki, dois jovens que se conhecem na escola, “Um grito de amor desde o centro do mundo”.

Do Japão, ‘voámos’ nas asas d’“Os Pássaros”, da Maria João Covas, até um romance epistolar, no qual um casal, separado, conta a sua história de Amor ao filho, 6 anos após a separação, revelando duas perspectivas diferentes sobre o mesmo Amor e deixando, no final, uma nota de esperança.

Com a Helena Manso viajámos através da escrita do Nobel da Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, através da história d’“O Herói Discreto”, um romance que nos fala do Amor à família, entre homem e mulher, entre pais e filhos, enfim, de Amor nas suas mais variadas formas.

Uma página de Amor”, de Émile Zola, foi a escolha da Luísa Cipriano, que se deixou levar num romance à século XIX, que conta a paixão entre um médico, casado, e uma viúva que tem uma filha doente.

E quem diz que o Amor não pode ser divertido? A Fátima que o diga, que trouxe para esta tertúlia uma partilha cheia de Amor e humor, pelas mãos de Afonso Cruz, cujos títulos dos livros nos deixam de imediato com um sorriso nos lábios. “A morte não ouve o pianista” e “Jesus Cristo bebia cerveja” foram as suas escolhas, as quais, devo dizer, fiquei com curiosidade de ler.

Por último, as partilhas das miúdas e da dinamizadora deste Clube de Leitura – Livros à Sexta, a nossa querida Catarina Vitorino.

A Rosarinho, como já aqui o fez saber, deixou-se morrer de Amor(es) pelo segundo romance do Nuno Franco Pires, “Um dia a aldeia acabou”. Diz a minha amiga que nas páginas deste livro, mais uma vez, encontrou o Amor do Nuno pela escrita e pelo Alentejo, seu e nosso de coração, bem como a fez sentir mais próxima das suas raízes paternas.

A mais ávida das leitoras deste clube, começou por confessar-nos que sofreu uma enorme dificuldade de concentração para a leitura, durante o seu confinamento. Disse a Catarina que o único livro que conseguiu mesmo ler, nestes tempos estranhos, foi também o mais recente do Nuno Franco Pires. No entanto, recorreu à sua memória e ao seu Amor pelos autores latino-americanos para partilhar connosco duas leituras que contam histórias de Amores complexos, difíceis, e que nos levam a refletir, falamos de “Amor nos Tempos de Cólera”, de Gabriel García Márquez, e “Travessuras da Menina Má”, de Mario Vargas Llosa.

A mim, coube-me partilhar as leituras de dois livros, já que a minha primeira escolha, não me fez ‘perder de Amores’, o que me levou a procurar outro livro. Se o título fazia antever uma história de Amor, “Amei-te em Copacabana”, de Francisco Salgueiro, já a estória ficou aquém das expectativas… vai daí, pisquei o olho ao livro que recebi no Natal passado, na nossa já habitual ‘prática do desapego’ em que trocamos livros, no último encontro antes das celebrações natalícias.

E as histórias do Betinho e da Maria Aparecida de “A Rainha do Cine Roma”, de Alejandro Reyes, arrebataram o meu coração. Numa escrita muito crua, muito direta, num discurso dirigido ao próprio leitor, acompanhamos a história de duas crianças de rua, das favelas de Salvador da Bahia, cujas vidas se revelam uma constante busca pelo Amor (dos pais, dos amigos), por um significado para a vida e, quando os seus destinos se cruzam, acabam por se revelar almas gémeas.

Eiiiish! Já viste?! Quando o assunto é o Amor é assim, não paramos de falar, mas, afinal, como disse no início do post, os rapazes de Liverpool é que tinham razão… na vida, “Love is all we need”!

Susana Figueira

  • Reply
    António da Silva
    Maio 20, 2020 at 2:23 pm

    Boa tarde
    Viva o Amor e tempo de quarentena.
    Bjd

    • Reply
      Susana
      Maio 22, 2020 at 5:44 pm

      É mesmo, António da Silva, que nunca nos falte Amor nestes tempos estranhos!
      Beijinhos

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