Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Março 19, 2020

Libertei-te, tal e qual como quando perdemos por entre os dedos o cordel de um balão destinado a subir no céu. Não sabemos se ele rebenta ou se chega a outro planeta, da mesma forma que eu não sei já da tua órbita, apenas sei que o meu pensamento resvala para ti todos os segundos, sem saber se voltaremos a entrar em rota de colisão.

Todos os dias olho para o céu, quanto mais alto olho, mais sinto a firmeza do chão, e os meus pés pesam mais do que uma tonelada de relva, e os meus olhos ganham metros de um tom mais verde… Quanto tu pesaste na minha vida? Qual é a cor do balão? E a tua? Ajuda-me a decifrar tudo isto por favor!!!

Todos os dias olho para o céu, não sei se esperando que o balão volte para a minha mão, se esperando que tu voltes para os meus braços, ou se desejando que eu consiga voar até à nuvem mais distante. Lá, onde o céu limpo não traz nuvens de algodão-doce, mas onde o perfume sublime da tua pele adocicada paira e não evapora e eu levito.

Desprendi-te de mim e hoje não sei quem sou. Perdi a melhor parte de mim, a parte romântica, a parte sonhadora, a parte poética. Não sei quem escreverá sobre amor por mim na minha mente, nem tão-pouco quem escreve agora estas linhas. Eu aqui sozinho diante do azul, esperando pelas linhas tortas deixadas pelos aviões no céu, para conseguir escrever direito. Sei que um dia irei descolar, até onde as prosas brotam como flores na primavera, até onde reencontrarei o teu corpo nu e voltarei a estar fascinado como da primeira vez que te vi.

Até lá, olho o céu, e percebo que sem ti me desmonto, peça a peça. Se no fim me restar o coração, eu saberei que estou inteiro, íntegro e feliz.

Olho o céu mais uma vez, a noite veio. Se um dia vieres e colidires comigo por mero acidente gravitacional, o buraco negro terminará, e eu verei a maior explosão de cor. Será assim que eu estarei refletido no céu e outro alguém verá este fogo de artifício, que tu não consegues ver.
Já oiço foguetes a subir…

Oxalá eu volte a ter a ingenuidade de uma criança que brinca com um balão, ou de quem acredita num amor para sempre.

Oxalá me leias…

Filipe Correia
Março 2020

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