Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Fevereiro 4, 2020

Saio do mar, uma ou outra onda gelada batendo no meu rosto quente, como chapadas, acordou-me do sonho que eu sonhei por nós dois. Procurei na água vestígios de sangue, procuro na minha pele vestígios dos teus orgasmos, mas lembro nesse segundo que apenas sangro na alma e que o prazer carnal que te dei se evaporou depois de o teres, como tu evaporaste a paixão que te fiz sentir.

O barulho do mar assemelha-se aos soluços do meu choro. Desejo o silêncio, como as páginas de um livro que ainda não escrevi, foi assim que te desejei, com a voracidade de um leitor entusiasta.

Tenho tanto frio! Quanto mais recordo o calor do teu corpo no meu, mais frio sinto…

Corro na areia da praia, largando água salgada ao mesmo tempo que jorro dor deste peito onde até há pouco tempo moravas. Minha alma serpenteia de angústia, como uma mangueira furada em todo o lado e largada em alta pressão.

Eu sempre soube que pagaria um preço alto por este amor incondicional, só não esperava que me ceifasses este puro coração a frio e o quisesses congelar.

Desci às trevas para te trazer para mim, travei duras batalhas nesse lugar negro onde deixaste as tuas asas e te pintas de preto. Eu quis voar por ti, eu dei-te as minhas próprias asas e agora quem não voa já sou eu. 

Preferiste ficar aí em baixo, onde a música barulhenta não te deixa ouvir o sol, onde o negro não te deixa ver o alvo, onde o mal te contamina daquilo que foges, onde o fogo te queima o coração, onde os meus sorrisos ou lágrimas não te tocam, onde eu não te consigo salvar. 

Por ti, eu enfrentei todos os medos, as manchas negras que te cobriam, falei com o diabo, ouvi o seu riso de vitória em ti, escapei sempre dele a tempo de te abraçar uma e outra vez. Porque o meu abraço sempre te daria o manto eterno do carinho e refúgio sagrado onde assistirias a todos os ocasos.

Adeus meu grande amor.

Amo-te para sempre, ainda que as trevas reinem em ti e no mundo, ainda que a luz não volte ao teu caminho, ainda que todas as praias se escoem no vácuo da tua distância, amo-te.

Porque sou o teu verdadeiro anjo branco.

Se formos almas gémeas, como tantas vezes o disseste, numa outra prosa, numa outra vida voltaremos a viver aquele amor.
Até já.

Filipe Correia
Fevereiro 2020

    Escreve aqui o teu comentário

    Parcerias