Ideias à solta

Uma lufada de romantismo, by Filipe Correia

Dezembro 10, 2019

Não sei de onde venho, se soubesse, assumiria que não sou daqui. Apenas sei que sou teu e sempre o fui.

Não sei onde estou, o lugar mais lindo que visitei és tu, saber que estou em ti localiza-me por completo neste planeta. Não sei por onde andei, toda a minha vida foi um pesadelo até chegar a ti. Eu corria para não me perder, hoje, seguro a tua mão para me encontrar. Eu sonhava para acordar a poesia, hoje, eu toco a tua pele para a ter e para adormecer melhor. Não preciso de bússola, tu és o meu farol. Não preciso de mantas, tu aqueces-me a alma ate à epiderme. Não poderei nunca dizer-te adeus, apenas a morte me tirará a vida, apenas a vida te devolveu a mim, apenas a morte me levará da tua beira. Não é tarde para amar querida, é cedo para viajar, porque a viagem agora tem como destino um regresso ao futuro a que pertencemos. Lambi o passado para te saborear aqui no presente, naquele tempo em que éramos bravos guerreiros, eu nunca imaginaria que era preciso tanta resiliência para aqui estarmos. Não sei já caminhar sem ti, pensar em seguir sem ti, é como deixar de sentir as pernas. Não sei já escrever sem ti, a tetraplegia das minhas palavras seria total. Não sei já alimentar-me, apenas quando faço amor contigo, sinto a verdadeira energia do pão que chega à alma, és fermento, desse mesmo pão, para as minhas prosas. Não sei já matar a sede, possuir-te é banhar-me no oceano mais profundo e nele beber água por osmose. Respirar sem ti é já tão provável, quanto respirar debaixo do mar. Não sei já ver-me ao espelho, habituei-me a ver-me refletido nos teus olhos, no teu desejo. A forma do meu corpo no espelho deve ser o desenho que traças em mim quando me derretes amor incandescente. Quando me magoas, abres em mim uma cratera do tamanho da Ásia, quando és fria, eu sinto o vento gélido da Gronelândia. Não sei manter-me de olhos abertos, apenas quando vês o verde dos meus olhos, eu tenho alento para os abrir. Não sei quem és meu grande amor! Assusta-me que sejas tudo isto e, ao mesmo tempo, que não sejas nada! És mais que tudo! Bem maior que o monstro dos meus medos. Muito mais bela do que toda a beleza que projetei para uma mulher. Então, ama-me como se não houvesse o nunca. Abraça-me como se, me agarrando, agarrasses o sempre.

Dezembro 2019

Filipe Correia

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