Ideias à solta

O Mundo dos Livros, by Anna

Outubro 29, 2019

Frankenstein

Mary Shelley
Há livros que dispensam apresentação, histórias que trespassam o meramente literário para passarem a fazer parte da cultura popular. É o caso de “Frankenstein“, a imortal obra-prima de Mary Shelley, que ocupa um duplo lugar de privilégio: por um lado, faz parte do seleto grupo dos romances mais destacados do esplêndido século XIX, por outro, apresenta um dos símbolos mais reconhecidos do terror universal: a criatura ou monstro criado pelo doutor Frankenstein.

Mas podemos considerar “Frankenstein” um romance de terror? Ou será um romance histórico? Creio que é tudo isto e muito mais.

Não há muito para contar sobre esta história, creio que todos a fomos conhecendo em algum momento das nossas vidas, com as adaptações ao cinema que Hollywood fez ao longo dos anos.

A autora Mary Shelley descreve-nos no seu livro um tempo de descobertas e exploradores. Apesar de ser uma história de ficção são estes elementos que lhe dão toque de realismo, o que nos faz mergulhar ainda mais na vida de Victor Frankenstein. A obsessão de Victor por criar a vida torna-o demasiado ambicioso e egoísta. Ele é, no fundo, mais monstruoso do que o monstro que ele próprio criou. A criatura é mais nobre de sentimentos, inofensiva e sem mal no seu interior. Gradualmente, aprende a viver, a alimentar-se, a ler e a escrever, tornando-se, assim, culta e inteligente. No entanto, causa terror aos humanos devido às suas deformidades, quando, no fundo, o seu único objetivo é ser respeitado e reconhecido pelo criador que o despreza.

Frankenstein” é uma ode à inquietação humana, ao seu desejo de conhecimento e superação, de exceder os limites biológicos, de brincar de Deus. O próprio Victor faz isso com frequência ao longo da obra: os perigos envolvidos quando tenta superar certos limites, o tormento e a dor que surgem, porque ousa violar as leis naturais sagradas.

A obra de Shelley é uma verdadeira filha do seu tempo.

“A emoção mais antiga e mais intensa da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais intenso dos medos é o do desconhecido.” Esta frase de H.P. Lovecraft, um dos mestres do horror psicológico, dominou a minha mente ao longo da história. Victor despreza o seu monstro e a sociedade também, tudo por causa do medo que lhes causa (resultado do maus-tratos recebidos pelas pessoas). No entanto, sentimo-nos um pouco tristes por Victor, porque ele tenta emendar as suas ações, mas apenas toma decisões incorretas com consequências desastrosas.

Frankenstein” é um verdadeiro clássico pelos seus próprios méritos. Pela originalidade da sua proposta, por tocar temas capitais como o progresso, a ética ou a aceitação de si mesmo, o bem e o mal, preconceitos e vingança. Denso e complexo revestido de uma grande carga moral. Em suma, um clássico que recomendo vivamente ler ou reler (nesta época de Halloween), que nos faz refletir sobre questões que permanecem, tão atuais nos dias de hoje.

Boa leitura!
Anna

    Escreve aqui o teu comentário

    Parceiros