Ideias com asas

Da Bélgica, para ti, com muito amor

Setembro 12, 2019

Apaixonei-me pela Bélgica e agora?

Simples, vou tentar convencer-te a colocar este país na tua lista de viagens. Não estava na minha, mas houve um filme, que assisti há cerca de dois anos, que me convenceu a visitar a terra dos chocolates, das cervejas, dos waffles, do Tintim, das bicicletas, de van Eyck e de Rubens. O filme em questão (de 2008) – “Em Bruges” – com Ralph Fiennes e Colin Farrell é que me levou até uma agência de viagens para comprar os bilhetes de avião (levei comigo Mr. J.). E foi assim que, para além da cidade mais próspera da Idade Média, também conheci Bruxelas, Antuérpia e Gante! 

 
Alerta! Este post está um pouco longo. Sugestão: Podes ler uma cidade por dia… 


Bruxelas cheira a chocolate e a waffles

A Susana fala muito dos cheiros quando viaja. Mal coloquei o meu pezinho em Bruxelas lembrei-me dela. As ruas cheiram todas tão bem!! O nosso olfato é constantemente atraído para uma loja de chocolates ou de waffles. Tive de me controlar para não regressar com excesso de peso! Largámos as malas no hotel enfrentámos a chuva e fomos à descoberta de Bruxelas sem expectativas, talvez porque sempre me disseram que esta cidade não tinha muito que ver. Surpreendi-me pela positiva. O que gostei mais? A Grand Place com os os seus belos edifícios arquitetónicos, que foram quase todos reconstruídos depois da II Guerra Mundial; as montras gulosas (passei o tempo todo a salivar); a Catedral gótica de São Miguel e Santa Gúdula com o seu púlpito barroco talhado em madeira; as charmosas Galerias Royales de Saint-Hubert com os seus restaurantes, cafetarias, lojas de chocolates, joalharias… Parece que foram as primeiras galerias comerciais da Europa e os turistas continuam apaixonados por elas. E claro, o ‘menino’ mais famoso da Bélgica e arredores, que faz xixi à frente dos turistas e, ainda assim, é venerado. Estou a falar-te do Manneken Pis. Confesso que o achei  muito querido. Com apenas 50 cm consegue rodear-se de multidões. No dia em que o visitei estava vestido com o traje da confraria da cerveja Delirium (era menina para tomar uma enquanto acabo de te escrever este post). Não vi a Jeanneke Pis, a réplica feminina do Manneken (no caso de me perguntares de seguida). E as nossas noites terminavam, sempre na Chaloupe D’Or e as moules (mexilhões) ganharam o lugar do nosso prato de eleição, mas a sopa de peixe não lhes ficou atrás. Em Bruxelas, as noites foram sempre brindadas com cerveja. Sabes qual foi a minha favorita? A Grimbergen Blond. Não percebo nada de cerveja, mas adorei o seu sabor. Segundo os especialistas, é uma cerveja de fermentação alta e ligeiramente frutada. Um brinde à doce Bruxelas!

Grand Place

 

Galerias Royales de Saint-Hubert
Galerias Royales de Saint-Hubert
Galerias Royales de Saint-Hubert
Catedral gótica de São Miguel e Santa Gúdula
Mannekin Pis
Grand Place
Moules

 

cerveja Grimbergen


Antuérpia e a casa de Rubens

O comboio foi o nosso grande amigo nesta viagem pela Bélgica. Num abrir e fechar de olhos, fomos de Bruxelas a Antuérpia, com a chuva a salpicar os vidros da carruagem e eu a rezar a todos os santinhos para que as nuvens viajassem para outras paragens. A estação de Antuérpia é linda e a cidade recebeu-nos num domingo de calmaria. Destaco o Rubenshuis Museum, ou como eu carinhosamente chamei a casa de Pedro Paulo. Peter Paul Rubens, um dos artistas mais famosos da terra ‘abre as portas de sua casa’ aos amantes de arte. A casa foi projetada pelo pintor e nela pude ver de perto obras que o artista adquiriu ao longo da sua vida, o seu estúdio, o seu jardim… Ficámos por lá sem pressa de sair. Estar num espaço assim é um privilégio para os olhos e para a mente. De seguida, um chá, mesmo ao lado, para aquecer o corpo (o verão de Bruxelas é fresquinho). Passagem pela loja do museu (claro!!) e depois seguiu-se a deambulação pelas ruas da cidade até chegarmos à Catedral de Nossa Senhora, a maior igreja gótica dos Países Baixos que demorou 170 anos a ser construída. E aqui continuámos na companhia de Rubens. A catedral reúne 4 trabalhos magníficos do artista. Existem visitas guiadas gratuitas, o que é excelente. Depois perdemo-nos de amores pela Grote Markt, a praça principal da cidade. Quem consegue resistir? Sei que ficou muito por ver, mas só tínhamos um dia para Antuérpia… Deixámos que a intuição nos guiasse pelas ruas e fomos descobrindo recantos encantadores e lojas cheias de charme. Nesta viagem não quisemos que a pressa e o stress de querer ver tudo nos dominasse, por isso, apreciámos verdadeiramente cada momento, cada fachada, cada obra de Rubens sem pensar muito no que ficou por ver. 

Estação de comboio de Antuérpia

 

Rubenshuis Museum


Rubenshuis Museum

 

Rubenshuis Museum

 

Catedral de Antuérpia

 

Catedral de Antuérpia

 

Antuérpia
Antuérpia

 

Antuérpia
Antuérpia




Gante, a surpresa

Vou confessar-te uma coisa. Gante surpreendeu-me e foi a cidade que mais gostei (desculpa Bruges). Que pena tive de não ter passado mais tempo na sua companhia. Quase fui atropelada por uma bicicleta. Quase! Não estou habituada a este movimento desenfreado de duas rodas por todo o lado. Mas isso não teve importância nenhuma. Importância tiveram os locais lindos que a cidade nos apresentou orgulhosamente. Já deves ter percebido que as catedrais são sempre um ponto de paragem obrigatória para nós. Gostamos daquele quase silêncio, da sensação de presença do divino, da entrega das pessoas à contemplação. E a catedral de Gante tinha algo de belo para contemplar… O Cordeiro do Senhor. Estou a referir-me à magnífica obra de outro grande pintor belga, Jan van Eyck  “A Adoração do Cordeiro Místico”. Vale muito a pena pagar a entrada, que tem audioguia incluído, e que nos explica todos os pormenores e segredos deste políptico do século XV. Tenho vertigens, mas não tenho medo de alturas… (é estranho, eu sei). E assim consultei os gémeos que me autorizaram a subir os 400 degraus que nos levaram ao topo do Belfort, o campanário, que, para além de nos contar toda a sua longa história, oferece uma vista de encantar sobre a cidade. Quase que traçámos o nosso passeio turístico a partir do topo da torre. Foi lá que o castelo do conde Filipe nos piscou o olho. Mas já lá vamos. Porque primeiro comprámos bilhetes para um passeio de barco ao longo dos canais. Esta é também uma excelente forma de se conhecer a cidade salpicada com vestígios de uma longínqua Época Medieval. No Castelo do Conde Filipe receberam-nos com muito carinho e o nosso audioguia foi o grande companheiro nesta visita a tempos idos. O castelo apenas apresenta telas pintadas de situações que vão sendo sussurradas aos nossos ouvidos e uma outra peça em destaque e isso é suficiente. Deixa ver se te consigo explicar. Os cenários e as cenas vividas são produzidas pela nossa mente e projetados no espaço. É incrível como um audioguia tem este poder. Olhava à minha volta e os turistas de auscultadores na cabeça e de sorrisos, mais ou menos expressivos, desenhados no rosto caminhavam ao som das estórias contadas com uma boa pitada de humor. Deixámos Gante com aquela sensação que muito ficou por descobrir. O comboio esperava-nos para nos levar de regresso a Bruxelas.

Catedral de Gante
catedral de Gante
um chá em Gante

 

Belfort
Gante

 

Os canais de Gante
Castelo do Conde D. Filipe



Bruges, a culpada


Aqui ficámos duas noites, três dias (mais coisa, menos coisa), porque foi a cidade que me levou a fazer esta viagem. A culpada. Próspera na Idade Média, atualmente enche-se de turistas que anseiam descobri-la, que vasculham cada ruela, cada canto com uma ansiedade latente de captar a fotografia mais bela, de guardar a recordação mais preciosa, de sentir a sua história em cada passada dada. É linda. Nada a dizer quanto a isso. Encantou-nos e recebeu-nos com um concerto de órgão e outro de carrilhão. Foi nela que celebrámos o aniversário de Mr. J. e onde, mais uma vez, desafiámos os nossos gémeos e quadricípites – 366 degraus (quase sempre em caracol) da torre sineira da cidade. Mas foi lá, no alto, que tivemos Bruges a nossos pés. A bela Bruges. Adorámos a Praça Maior (Markt), encantámo-nos com o Burgo (a segunda praça mais importante da cidade) e visitámos a loja de uma das fragrâncias mais antigas do mundo. Conheces a Nº 4711? Foi criada em 1792 e continua a perfumar homens e mulheres por esse mundo fora. Visitámos várias livrarias (como é óbvio) e andámos à deriva, não nos canais, mas no recinto do Hospital de São João. Partilhámos o waffle mais delicioso da Bélgica no OTTO (na verdade, foi o único que provámos), e visitámos o  Museu Groeninge. Este espaço reúne uma grande coleção de pintura, essencialmente flamenga. Não nos viemos embora sem antes passear nos canais e dar um passeio romântico  de mãos dadas no Minnewater Lake.


Bruges

 

Bruges
Livraria em Bruges
Torre sineira em Bruges
Bruges
Burgo em Bruges

 

Waffles do Otto
Bruges
Museu Groeninge
Jan van Eyck, Bruges

 

Hospital de São João em Bruges
Bruges


E assim termino este post da Bélgica, para ti, com muito amor. E espero ter-te convencido a uma visita, porque não este ano? Diz que no Natal estas cidades ganham uma atmosfera muito especial. Boa viagem!


Rosarinho

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