Ideias com asas

Uma miúda em Nova Iorque #3

Junho 29, 2018
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Estão a ver a expressão “em Roma
sê romano”? Pois os nova-iorquinos levam-na muito a sério e a grande maioria das pessoas com as quais interagimos,  nascidas e criadas na Big Apple, brindava-nos com esta máxima.

De facto, há lá melhor maneira de
conhecer um país do que, pelo menos uma vez que seja, ‘despirmos’ a pele de
turistas e ‘vestirmos’ a camisola local?
E foi precisamente isso que
fizemos num dos dias que passámos em Nova
Iorque
. Depois de já termos ‘turistado’ pela zona durante o dia, decidimos
que iriamos regressar a Greenwich Village
para um final de tarde e noite na fantástica zona de Lower Manhattan, ou
Downtown! Esta é uma zona que recomendo meeeesmo, se visitarem a cidade! 😉


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O plano, pouco planeado, foi
andarmos a vaguear pelas ruas mais residenciais a descobrir recantos
arquitetónicos desta que foi, desde cedo na história da cidade, a zona escolhida
por artistas e escritores para morar. Nomes como Edgar Allan Poe ou Mark Twain,
Eugene O’Neill ou Isadora Duncan são apenas alguns dos que se deixaram encantar
por esta zona. E já que falo de escritores… há livrarias tradicionais lindas de
morrer! Daquelas que apetece entrar e perdermo-nos infinitamente por entre os livros! 💛

Ao vaguear pelas ruas de Greenwich Village percebe-se perfeitamente
que se respira arte por ali, ou como os próprios nova-iorquinos a definem “é
uma combinação de museu e galeria de arte ao ar livre”. Não é por acaso que
algumas produções televisivas de sucesso foram gravadas ali, como é o
caso da série “Friends“, que
celebrizou a atriz Jennifer Aniston. Aliás, reconhecem o corner na fotografia? É claro que passámos por lá! 😊


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Greenwich Village foi também, na década
de 1960, palco de várias manifestações antiguerra do Vietname, de luta da
comunidade hippie pela liberdade
sexual e, mais tarde, acabou por ser o local de fixação e crescimento da
comunidade LGBT nova-iorquina (que, entretanto, segundo o guia que nos acompanhou numa tour noturna pela cidade, se tem vindo a
deslocar mais para a zona de Hell’s Kitchen; no entanto, é ainda visível que
esta é uma zona mais liberal).

As duas coisas que realmente tínhamos
planeado para este final de tarde e noite, ou seja, aquelas que queríamos mesmo fazer eram: ir à procura da melhor pizza de
Manhattan e assistir a um concerto de jazz
num pub local. E foi o que fizemos!

Seguindo uma dica do mesmo guia, “se
vais a Greenwich Village e queres
comer pizza, ‘the best spot in town’ é
o John’s of Bleecker Street, aberto
em 1929 pelo imigrante italiano John Sasso. E acreditem que é de comer e ‘babar’ por mais! O espaço é pequeno, mas super acolhedor. O atendimento é simpático e eficiente.
O ambiente é descontraído e com boa música de fundo. A comida e a cerveja valem,
definitivamente, a experiência.


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Já com as barriguinhas cheias, o
trio de primos da ‘vida airada’ dirigiu-se para o The Cornelia Street Cafe, cuja referência já levávamos na bagagem. E
o que dizer do The Cornelia Street Cafe?
Em primeiro lugar, é um espaço que vai fazer 41 anos de existência (4 de
julho), portanto, um sítio com história e estórias.

A nossa começou por fazer-se de uma divertida e
agradável conversa com a barmaid, Katty
do Ohio, no bar do restaurante do The
Cornelia Street Cafe
, que nos entreteve enquanto o espaço underground onde se realizam as
atuações, uma cave, não abria. Os dois espaços – o do café e o das atuações –
são geridos de forma separada. E a Katty foi, sem dúvida, uma ótima entertainer.


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O tempo voou e a atuação ia
começar. Descemos para o espaço underground
e deparámo-nos com uma sala pequena, comprida, mas cheia daquele charme boémio
que tão bem caracteriza os ambientes de performances
jazzísticas. Para consumo, obrigatório, mais uma rodada de ‘jolas’ na mesa (que
devo dizer, são XL, como tudo naquela cidade) e ‘let the musicians play!


Devo dizer-vos que assistir a um ‘jazz gig era mesmo uma das coisas que levava
na minha ‘
to do list em Nova Iorque! A banda – Peter Kronreif’s Wayfarers, com Peter
Kronreif na bateria, Andrew Gould no saxofone alto, Matt Marantz no saxofone
tenor, Addison Frei ao piano (que estava a substituir Florian Hoefner) e Martin
Nevin no contrabaixo – tocou várias músicas de um disco composto maioritariamente
pelo ‘homem do leme’ que lhe dá o nome, numa apresentação que foi fluindo entre
o
jazz tradicional e alguns trechos
mais experimentalistas. E os rapazes corresponderam às expectativas! 😊


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E querem saber uma curiosidade? De
cada vez que Peter Kronreif
apresentava uma música, eu tinha a forte convicção de que, mais do que não ser
nova-iorquino, era europeu. Ao que, no final, quando o congratulámos pelo show e lhe disse que tinha reparado que
ele não era norte-americano, o rapaz disse, em jeito de brincadeira, que tem de “trabalhar o seu sotaque em palco, porque o denuncia muito”. 😊
Peter Kronreif é um austríaco em busca
do sonho em Nova Iorque!

Com mais este check na ‘to do list, esta fantástica noite chegou ao fim! Era hora de
apanhar o subway, direção Uptown até Times Square para um sono revitalizante no
hotel, para ficarmos em forma para mais um dia a ‘turistar’ pela Big Apple!

Susana Figueira

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  • Reply
    Anónimo
    Junho 29, 2018 at 9:25 pm

    Muitos parabéns pelo texto! Fica a vontade de conhecer! Viajar é tão bom!

  • Reply
    Rosarinho
    Julho 3, 2018 at 9:34 pm

    Gratas pelas palavras! E sim, viajar é maravilhoso! Trazemos tanto connosco, dentro de nós! 🙂

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