Ideias até ao infinito

Muito + do que 6 perguntas a João Aguiar

Abril 9, 2018
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Chama-se João Aguiar, é português, mas é acima de tudo
um homem do mundo e um homem com mundo.
As miúdas acham que pode muito bem acontecer que,
daqui a 490 anos (uma vez que já passaram 10
😉), o João
seja referido nos livros da História de Portugal como o percursor de uma ‘nova
epopeia’ dos Descobrimentos Portugueses.
No lugar de uma caravela, o João ‘embarcou’ nas suas
botas de caminhada, pôs a mochila às costas e fez-se literalmente à estrada.
O objetivo? Descobrir o Mundo à boleia e a fazer couchsurfing! (ele só ainda não sabia
que ia dar a volta ao mundo, quando partiu
😉)
E, um destes dias, aqui as miúdas tiveram o privilégio
de estar à conversa com este ser humano extraordinário. Sim, é desta forma que
nos faz sentido definir o João Aguiar, porque o João traz dentro de si o
verdadeiro sentido de Humanidade.
Esperamos que gostem desta entrevista, que mais
pareceu uma conversa entre amigos e que foi muito além das habituais 6
perguntas a
que temos por hábito fazer, tanto quanto nós gostámos de ‘descobrir’ o João Aguiar.
Por razões óbvias – a conversa estava tão agradável
que se estendeu por mais de uma hora!!! – fizemos uma valente ‘sessão de corte e
costura’ se não vocês não ficavam a ler até ao fim. Mas, acreditem, vale muito
a pena ‘descobrir’ a aventura que deu origem ao livro “João Aguiar, Os Meus Descobrimentos – A Volta ao Mundo em Couchsurfing“!

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A fotografia com o autor do livro, para ‘mais tarde recordar’  😊

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Praça da Alegria, RTP1
É a vida Alvim, Canal Q
Curto-Circuito, SIC Radical
Faz Sentido, SIC Mulher
Bem-vindos, RTP África… e agora Armazém de Ideias Ilimitada! 😊
Como surgiu o nome
para o livro – “João Aguiar, Os Meus Descobrimentos”? Pensaste nele assim que
tiveste a ideia de o realizar, ou foi durante a viagem?
Foi antes da
viagem. Lembro-me perfeitamente, foi uma coisa meio ‘epifanica’… “A viagem vai
chamar-se os meus descobrimentos!” [risos] A sério, foi assim meio a brincar,
meio sério. Comecei por fazer um blog… antes do blog ainda fiz um
wiki, tipo Wikipédia, para organizar a viagem. Ia colocando contactos
que tenho, sítios onde queria ir, motivos para ir…
Agora, eu não
sabia é que ia ser uma volta ao mundo… tinha um bocado essa vontade, mas, por
exemplo, Marrocos sabia que ia de certeza, ou Espanha, pelo menos. [risos]
Sabia que queria ir mais longe… Dakar era já uma segunda etapa. Depois de
Dakar, logo via. Ia para África Central ou África Austral. No fundo estava
aberto a outras ideias, a coisas que pudessem acontecer. Ou seja, não era um
plano rígido nem com datas fixas e assim podia gerir muito melhor a viagem.
Portanto, ‘os teus descobrimentos’ começaram logo na altura em que começaste a organizar a viagem?
Sim,
estruturei a coisa um bocadinho, mas nada muito rígido. Não era “vou àquele
sítio naquele dia”, era mais “olha, gostava de ir lá, até tenho lá um amigo ou
um familiar que já não vejo há 20 anos”. Pelo menos assim também nos permitimos
surpreender-nos mais, a coisa vai fluir mais e há o fator surpresa, o deslumbramento.
É a descoberta. A adaptação, a surpresa, sem dúvida.

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Como se prepara uma viagem destas? O que levaste na
mochila?
Primeiro,
tive de escolher a mochila. Foi o primeiro desafio. E escolhi com algum
critério. Era uma mochila de 60 e tal litros que abria de lado e por cima,
conseguia levá-la às costas e transportá-la de lado, à tiracolo, com as cintas…
muito adaptável. Para além disso, também conseguia ‘zipar’ uma mochila pequena
na grande, podia fazer um dois em um. Dava para chegar a um sítio e levar só a
pequena, em vez de andar sempre com a grande atrás. Se bem que o ‘zip’ se
estragou ao fim de duas semanas, por isso… depois andava com a pequenina à
frente e a grande atrás. Mas é mesmo resistente, ainda hoje utilizo as duas.
Quanto a
roupa, percebi que levei a mais. Depois até acabei por oferecer. Levava cerca
de umas dez ou sete mudas e, a dada altura, passei a viajar só com cinco.
Levei também
uma máquina fotográfica pequenina, com ecrã fixo para poder ver, como não tinha
computador comigo. E levei, salvo erro, cinco blocos, dois grandes e três
pequeninos. E foram úteis. Ia escrevendo. Mas depois ia comprando mais. Pode-se
comprar tudo lá.



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Dakar, Senegal
Para além
disso, também levei uma pequena farmácia, que me deu algum jeito.
Outra coisa
que me deu jeito em África foi um inseticida – o Biokill – houve ali uma noite
de couchsurfing que aquilo era só baratas. [argh!!! as miúdas até se
arrepiaram a ouvir isto 😛] E mesmo com o inseticida… Também tinha uma rede de dormir, que
me serviu nos primeiros meses só. Por exemplo, deu bastante jeito na
Mauritânia, também em Moçambique, sítios onde há malária e a malária em África
é mais agressiva, mata mais gente. Então, acho que aí de noite convém usar uma
rede mosquiteira.
Além disso,
tinha uma lanterna frontal, que também dá jeito. Por exemplo, quando estás a
arrumar a mala, estás a usar as duas mãos e não tens uma boa iluminação, que
podia acontecer numa ou outra aldeia africana… Levei umas botas, mas
desaconselho. Não foi uma boa compra, eram pesadas. Agora não as levaria. Era
as que estava a usar quando parti a perna. Não, aquilo não foi uma boa compra.
Isto leva-nos a uma questão mais relacionada com o
lado financeiro de uma viagem deste tipo. Como fizeste?
A parte do
dinheiro é importante. Levei travelers
cheques,
não sei se conhecem. Basicamente é um papel em forma de cheque,
que se for perdido podemos sempre pedir ao banco para cancelar e eles emitem um
novo. Ou seja, nunca é dinheiro perdido. É porreiríssimo e há uma rede muito
grande que permite trocar. E usei isto. Depois levava tudo separado, uma parte
do dinheiro numa carteira, outra numa mochila, outra noutra e quatro cartões,
dois de débito e dois de crédito, das principais redes mundiais – Visa e
Mastercard. Porque há países em que uma funciona melhor do que o outra.

Muito-mais-que-seis-perguntas-a-Joao-Aguiar-Lesoto-Sani-Pass-armazem-ideias-ilimitada
Lesoto

Nós
sabemos que levavas um canivete no bolso… [risos] Sobre as situações em que
sentiste necessidade de o agarrares… (em Fez) em alguma delas temeste, mesmo?

jeito. Há gente para tudo. Essa situação foi uma cena assim um bocado esconsa.
Era um sítio muito mal iluminado. Mas foi um erro de análise, às vezes, fazemos
erros de análise. Estava com um anfitrião de Hospitality Club e, eu por norma
não desconfio das pessoas, mesmo. Mas era um fulano com quem eu não conseguia
falar. Depois percebi porquê. Ele não me explicou logo, mas ele tinha sido
atropelado e sofreu uma paralisia cerebral. Então, ele ou falava muito pouco ou
não articulava bem a linguagem. E, às tantas, estávamos a ir para um sítio
muito esconso, nos subúrbios de Fez, e fiquei um bocado naquela… já que tinha
ali o canivete! Mas foi erro de análise, completamente. Porque era uma pessoa
incrível. Aliás, adorei conhecer a família dele. Depois, quando chegámos a casa
dele, achei mesmo superfixe! Uma família incrível!
Isso leva-nos aqui para uma outra pergunta, que nos
desperta alguma curiosidade, como é que as pessoas reagiam à tua abordagem
(desconfiavam)?
Em relação às
pessoas, foi sempre na boa! Com toda a gente. Falava com malta de todas as
cores, feitios, sexo, tudo. A sério, mesmo.
Outra coisa que nos surpreendeu, é quando, no livro,
dizes que o quotidiano na sociedade sul-africana ainda se baseia muito na
divisão racial. Como é que percebeste isso?
A África do
Sul é um país que ainda está muito segmentado em cores. É triste. O apartheid
acabou em 1995/96 e ainda há muito racismo. Há ideias feitas, mas é porque
há uma grande desigualdade social. Tens para aí 10% de população que é branca,
é mais 7%, de caucasianos, e tens 90% de descendentes de tribos africanas, os bantu,
e depois tens ali uma malta que é descendente de indianos, mestiços. Durante o apartheid,
punham isto no cartão de identificação das pessoas, até dizia mais, dizia a
linguagem porque eles têm 12 línguas oficiais e o bilhete de identidade dizia: “africano e xhosa ou zulu”, ou
seja, aquilo está tudo segmentado, ainda há essa herança. Acho o racismo
execrável e quando cheguei lá fiquei um bocado abananado. Mas mais gritante ainda
era eu andar na rua – gosto muito de andar na rua e de transportes públicos – e
às vezes se estava a passear na rua vinha um branco a correr ter comigo e dizia “o que é que estás aqui a fazer? Tu és maluco! Os gajos vão te matar!” e eu “epá, calma lá, até agora não aconteceu nada”, mas mesmo assim nós nunca
sabemos.

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Cidade do Cabo, África do Sul
No seguimento da tua resposta anterior, também achámos
curioso quando referes o Senegal como um país tão tranquilo, quando nós aqui na
Europa temos níveis de violência já bastante elevados?
Surpreendeu-me,
sim. Chegas lá e tens à entrada do país “Bienvenue au pays de Téranga“,
e ‘téranga é o espírito de acolhimento na língua uolofe. O Senegal é
conhecido como um dos países mais acolhedores de África. Tanto que em termos de
paz é o país mais pacífico do continente. Às vezes, pintamos a ideia de que
aquilo é perigosíssimo, mas Paris é capaz de ser mais perigoso, os subúrbios
são mais perigosos. E por acaso fiquei numa casa num subúrbio, sem estradas, no
meio da areia, em prédios inacabados, um bocado como vemos aqui nos bairros de
lata, mas lá é normal. O pessoal não acaba porque aquilo já é o bastante, não
têm de pintar, se calhar por questões financeiras ou isso… fica tudo em bruto,
mas lá é muito normal. E também é bastante organizado para a ideia que nós
(europeus) temos dos países africanos, é surpreendente. Supera a expetativa.
Com certeza que tiveste momentos que correram menos
bem. Como é que te motivavas?
Nunca me
senti em baixo. A sério. Estou a pensar em alguma coisa que possa ter
acontecido assim… houve uma cena, quando estive lá a trabalhar num hostel,
saí de lá um bocado zangado, porque é daquelas coisas de equipas… mas houve lá
assim uma cena ou outra em que a pessoa fica a pensar “como é que podem fazer
isto?”
Até mesmo
quando parti a perna, que acho que foi assim o mais… se calhar, passou-me pela cabeça
uma vez, mas não foi uma coisa em que fiquei a pensar “vou, não vou”. Foi mais “epá, vou ficar”. A sério.

Muito-mais-que-seis-perguntas-a-Joao-Aguiar-Japao-Quioto-Templo-Dourado-armazem-ideias-ilimitada
Templo Dourado, Quioto, Japão
Então, em momento algum necessitaste de fazer um
exercício de motivação? Já estavas cheio de motivação desde o momento em que
pensaste em fazer esta viagem?
Inconscientemente
estava motivado desde o início. Porque é uma coisa que tu queres mesmo, mas tem
é de ser ali no âmago. Não é aquilo que os outros querem que tu faças. É o que
tu queres, aí há uma motivação extra. Queres aqui e agora.
Esta viagem foi uma
realização?
Foi,
porque foi uma coisa que eu quis fazer e fi-la. O livro foi outra também, mas
foi a posteriori, quis fazê-lo e fi-lo. Tinha um bocado a ideia de
escrever qualquer coisa, um dia, mas não era uma ideia fixa. Até para conseguir
viajar mais descansado, sem rigidez, sem haver aquela coisa de “tenho de ir
para ali e depois para acolá”. Fui tirando notas, fotografias, vídeos, fazia
entrevistas também áudio (como esta)… tudo. Fui mesmo tipo folha em branco.
Por falar no livro, como tem sido esta experiência do
livro? 
Muito fixe.
Gostei muito. Porque tinha feito revistas no passado, mas fazer um livro é
sempre diferente. Também quis pôr um cunho, ter muitos elementos gráficos nas
páginas, muitas fotografias, mapas, escrever o livro foi muito giro. Já tinha
coisas escritas, depois fui buscar tudo o que tinha, os registos e muitas
coisas que fui enviando para casa. Tanto que depois quando cheguei da viagem
tinha para aí três baús de coisas [risos] com tudo… souvenirs, postais,
tudo, autocolantes, bilhetes… guardava tudo. As coisas que não tinha escrito,
pegava mesmo no material todo e espalhava tudo na sala de casa e começava a escrever.
Tinha tudo muito presente. Tinha as ideias já visualizadas e comecei a
escrever.

Muito-mais-que-seis-perguntas-a-Joao-Aguiar-autografos-livro

Muito-mais-que-seis-perguntas-a-Joao-Aguiar-autografos-livro-miuda

Mais ou menos quanto tempo demoraste a escrever?
Bem, se
formos mesmo factuais, desde o instante zero à publicação, foram 10 anos.
[risos] Mas se contarmos o tempo útil de escrita, houve uns… 3/4 meses da
viagem… se calhar, um quarto. De resto, ia documentando com fotografias e
gravações, áudio, vídeo, gravava muitas músicas [locais], coisas que o
pessoal me dava. Também fiz 6 cursos de escrita. Esses cursos ajudaram-me a
aprimorar a escrita e foi um momento durante o qual não estava a escrever,
estava a aprender. E notei a diferença, depois, quando estava a escrever. Mas
acho que a pessoa aprende mesmo é a escrever. Aprende-se a escrever,
escrevendo. E publicando, como vocês fazem. E treinando, não é. Mesmo ao longo
do livro via que as coisas iam fluindo cada vez melhor, à medida que ia
escrevendo. Fiz bastantes revisões. Pedi a várias pessoas para rever, mesmo depois de
estar tudo paginado, eu também revia. Isso também levou tempo. Mas decidi levar
o projeto do livro mesmo até ao fim, em 2015, também houve um intervalo de
tempo entre o fim da formação… em que também estava a fazer outras coisas… e só depois é que decidi “não, vou mesmo acabar o livro”. Então, ao todo foram 10
anos, desde a viagem até ao lançamento. [risos] Para mim, é tudo normal, é tudo
tranquilo.
Já que falaste nos 10 anos, o que mudou na tua vida
depois da viagem? No teu entender, toda a gente devia fazer uma viagem destas?
Em primeiro
lugar, a
cho que a minha vida não
mudou assim tanto. Agora, há aqui uma coisa mais óbvia, que é, depois de vermos
o mundo todo – acho que a pessoa depois de ver 5 continentes pelo menos pode
pensar para si mesma “eu vi 5 continentes” – fica-se com uma ideia de como
é a vida nos 5 continentes. E quando temos esse vislumbre podemos achar “epá,
afinal, as coisas não são tão diferentes como às vezes somos levados a pensar”.
Com base nisso, pessoalmente não gosto mesmo de pensar de maneira
preconceituosa, mas acho que depois disto ainda menos.

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Deserto do Saara, Mauritânia
Depois, acho
que sim, toda a gente devia fazer uma viagem destas, porque derruba
preconceitos. Ganha-se mundividência, ou seja, hoje, vejo o mundo de outra
forma. Sempre fiz trabalho de voluntariado, e ainda faço, acho importante. Mas
já tinha essa predisposição para dar-me com todo o tipo de pessoas. No entanto,
mais do que a mundividência, o derrubar preconceitos, a desmistificação, acho
que o lado humano é o mais importante. Ou seja, depois de fazer uma viagem destas, com
muito voluntariado, ir a sítios improváveis, sítios que não são turísticos, a
pessoa também fica mais humana… por exemplo, depois de estares num campo de
refugiados da Cruz Vermelha por causa das cheias em Moçambique. E vês a malta a
lutar por um saco de arroz… estar lá é outra coisa. A pessoa fica chocada. É
real. É uma lição de realidade, “as real as it gets“.



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Aldeia de Massaca, Maputo, Moçambique


Isto para dizer
outra coisa: sem dúvida que dou mais valor hoje em dia a coisas que não dava
tanto, sei lá, por exemplo, saneamento básico. Depois de ter estado na
Mauritânia a fazer couchsurfing… era um prédio onde viviam cento e tal
pessoas e só havia uma casa de banho e era uma fossa. Não havia água. A água
que as pessoas bebiam era tipo uns chás que eles ferviam durante quase meia
hora e depois era uma água da qual nós, à partida, teríamos nojo – mas bebi e
fiquei bem – mas olhas para aquela água cheia de espuma… [risos] aquilo pode
transportar muitas doenças, não é… Na altura, fez-me alguma confusão, mas não
me deteve, agora quando cheguei aqui a Portugal passei a dar outro valor. Ou à
comida, por exemplo, lá havia sítios onde só comiam arroz e peixe. No orfanato
onde estive, em Moçambique, os miúdos só comiam carne uma vez por semana, e são
crianças! Estão a crescer! Como é que eles se vão desenvolver sem proteína
diária? Não que eu não desse importância antes, mas vês as coisas de outra
forma.

Descobrir o mundo é descobrirmo-nos? 
Sem
dúvida. Porque o mundo é tão diverso. Não é só um. Primeiro, há o nosso mundo.
Depois há o mundo à nossa volta. Depois há o mundo dele, dela, o que está à
volta dele e dela, há o do país… é descobrir o mundo. E sobretudo há
identidades, há uma cultura ali outra acolá. Para além das fronteiras, que às
vezes não correspondem às culturas… cada cultura é um mundo. Eu acho que sim.
Viajar é ver mundos.

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Mar de la Plata, Colonia del Sacramento, Uruguai

Se é que existem planos, para quando a próxima
viagem? 
Já estou
a pensar. Já estou a planear. Vai ser de barco. Ainda não sei uma data, mas vai
ser de barco, a velejar. Já sei velejar. Estou a treinar. Mas sim tenho planos para essa
viagem, ainda não tenho itinerário bem definido, mas à partida é para ir até à
costa africana, depois para as Caraíbas e depois logo se vê. É o mesmo estilo.
Obviamente há sítios onde quero ir.
Que conselho darias a quem viaja (ou quer viajar)
sozinho?
A
pessoa tem de ir a sítios onde quer ir. Viajar é prazer. E depois também é bom
viajar com tempo, porque com tempo também consegues ir aos sítios que tu
queres. Às vezes, é tudo uma questão de tempo. Então é por aí, ir onde se quer
e com tempo. Ou seja, permitir-se a isso. E a estar. O mais possível.
Viajar sozinho é…
Viajar sozinho é viajar com toda a gente.



Rosarinho & Susana Figueira

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Bairro La Boca, Buenos Aires, Argentina 

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Aragão, Espanha

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Nota: As fotos da viagem são da autoria do João Aguiar e foram-nos gentilmente cedidas para ilustrar a entrevista

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