Ideias com asas

Em busca da fortaleza escondida

Outubro 31, 2017

Eu amo a minha terra. Cascais! Escrevo muito sobre ela, aqui no blog. Orgulho-me de viver e trabalhar num local lindo onde, sempre que me apetece, vou até à praia ou corro para o verde para respirar fundo e carregar a minha bateria (que às vezes também fica em baixo!!!).


Para mim, as segundas-feiras já foram chatas, aborrecidas e cinzentas. Esses dias já lá vão e, agora, o início da semana simboliza o arranque de um novo começo cheio de bons desafios! Atitude positiva, sempre!

Mas a segunda-feira passada ainda foi melhor do que as outras! Só porque a Fortaleza Nossa Senhora da Luz abriu as suas portas para uma visita guiada muito especial.


Em busca da Fortaleza escondida…

O desafio proposto pelo arqueólogo Severino
Rodrigues (nosso guia sapiente) era de revermos 700 anos de história numa hora! Ambicioso? Sem dúvida.
Claro que a visita à Fortaleza Nossa Senhora da Luz durou mais duas horas do
que o previsto. E ainda bem! O arqueólogo empolgou-se e os visitantes também! 




A Cidadela de Cascais (a construção mais recente) revela
uma história de mais duas construções distintas que tiveram como grande desígnio a
defesa e proteção do ancoradouro da nossa vila. 

Graças a um trabalho de 30
anos, encontrou-se a fortaleza escondida!

Hoje é possível visitarmos a Torre de Santo António (a primeira construção) e a Fortaleza Nossa
Senhora da Luz
(a segunda construção). Mas desenganem-se se acham que este projeto está terminado.
Nada disso! É um pouco como a Sagrada Família em Barcelona. Mas enquanto os
nossos vizinhos continuam a construir, aqui os nossos arqueólogos continuam a
descobrir. Durante o período em que a Fortaleza está encerrada ao público
 (final de setembro a abril) os
trabalhos retomam-se. Novos espaços são abertos,
novas histórias encontradas, mais “cacos” retirados da poeira de outros tempos
(designação 
carinhosa que o nosso arqueólogo dá a achados de
porcelanas, vidro, faianças… e já são cerca de 65.000). Assim, este torna-se um
local histórico dinâmico e quando reabre as suas portas tem sempre algo de novo para contar.


  




Um resumo, muito mas muito resumido da história da Fortaleza
Desde 2014 que o espaço
expositivo está aberto ao público. Já o foram visitar? Nem sabem o que perdem!
Uma lição de história, posso-vos garantir. Querem que vos conte? Mas terá de ser muito, mas muito resumidamente e apenas apoiada em alguns apontamentos que fui tirando durante a visita. Nos finais
do século XV, D. João II mandou erguer a Torre de Santo António para aumentar a
proteção do porto (altura em que se regista uma mudança de estratégia militar),
mas também porque a expansão portuguesa está em alta e dá-se um aumento da
circulação de embarcações no rio Tejo. Para além disso, era daqui que saiam pilotos
experientes que conheciam bem as marés do rio  e que levavam as embarcações, em
segurança, até Lisboa. Mas rapidamente a Torre fica obsoleta e, hoje, sabe-se
que, aquando das invasões espanholas (séc. XVI) a Fortaleza Nossa Senhora da Luz
já estava construída. A partir desta invasão de ‘nuestros hermanos’, D. João IV
reforça todas as estruturas militares na costa e surgem novas construções entre
Peniche e Lisboa.




 

Querem saber mais?

Ao longo da visita consegue-se sentir
o cheiro das estórias da história. O nosso querido arqueólogo
 vai-nos contando
não só peripécias dos seus trabalhos de descoberta como factos históricos
escondidos por aquelas paredes húmidas. 
Não vos vou contar mais nada, senão este post não teria fim, tão rica que é a história deste local e, para além disso, em abril (quando voltar a abrir ao público) poderão conhecer, in loco, este nosso espaço. Sim! Fui uma privilegiada porque tive acesso a uma visita fora de época. Mas se
assim não fosse não estaria aqui de coração cheio a desafiar-vos para
conhecerem o nosso património.


Picar paredes, desmontar,
sequenciar… REVELAR… Obrigada Severino Rodrigues, pelo seu entusiasmo
contagiante, pelo trabalho desenvolvido em prol da história do nosso concelho e
pela janela de conhecimento que nos abriu.



Na vossa vila ou cidade também deve existir uma fortaleza ou um monumento que revela muito da vossa história, querem partilhar connosco?

Rosarinho

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