Ideias à solta

Bons Sentimentos, by Marisa Pedroso

Outubro 2, 2017
Conheci a Fabiana numa consulta de sábado de manhã. 
Esta
história é simples e traz Bons Sentimentos ao Armazém de Ideias Ilimitada.
A Fabiana
chegou de longe e não tinha noção de que vinha para o meio do campo, porque
vinha a um consultório no concelho de Cascais! 
Aqui, por
vezes, ouve-se o vento como se o mundo fosse acabar ou, quando o
tempo está sereno, ouvimos os porcos a grunhir e as galinhas a
cacarejar.
Na
primeira consulta da Fabiana, tivemos o vento como barulho de fundo e, na
segunda, os animais a conversar e agitados.
A Fabiana
queria deixar de roer as unhas através da ajuda da Hipnoterapia e foi por isso
que chegou até mim.

histórias engraçadas e que demonstram claramente, que tudo pode mudar num
segundo, que a nossa mente é capaz disso. 
Sugeri à
Fabiana, um estado completo de concentração no objetivo que ela pretendia. Pedi-lhe
que fechasse os olhos e que se concentrasse num estado interior, para darmos
início à primeira sessão. 
A
Hipnoterapia é um estado natural e, muitas vezes, experienciamos isso no dia a
dia, por exemplo, quando estamos a ver TV, estamos tão focados no que está a
acontecer no ecrã da televisão, que
o nosso cérebro não está a viver mais nada. E estamos sempre completamente
acordados e focados nos pensamentos, no que está a acontecer no momento
presente. 
Na
hipnoterapia, há assim, a possibilidade de existir fácil acesso ao conhecimento
interior e à transformação do necessário para alcançarmos mudanças
positivas. 
Nada é por
acaso. O vento lá fora, durante a primeira sessão, fazia lembrar a Fabiana de quando
era criança e dormia nas águas-furtadas em casa dos avós e, nesses
momentos, tinha medo de ficar ali sozinha e rapidamente percebeu que foi aí que
começou a roer as unhas.
Todas as
nossas histórias estão gravadas no nosso corpo e a única coisa que podemos
tentar fazer é mudar o sentir em relação a cada uma delas.
O vento, a
partir daquele dia, diz a Fabiana, passou a ser algo que ela associa à paz de
espírito. Pela primeira vez, deitou-se a ouvir o vento e com uma perspectiva
diferente sobre isso. Deixou de ter medo. Retirámos o medo deste cenário, por
isso, não é preciso roer as unhas!
Numa
segunda sessão, os porcos e as galinhas estavam felizes. Havia uma grande
festa lá fora. 
Quando
começo a guiar uma sessão, fecho sempre os olhos e começo a ouvir o que se
passa em volta, para esse som me conduzir e, depois, conseguir levar
o paciente ao relaxamento. 
Nesse dia,
pensei, “isto vai resultar de alguma maneira e todos estes sons não estão aqui
por acaso, só pode”! 
A Fabiana
já não roía as unhas há uma semana e, no fim da sessão e ao som da minha voz e
das de todos os animais em festa, ela disse-me: “Sabes, percebi hoje que me
faltam muitas coisas na vida. Uma delas é conhecer os animais, nem sabia que os
porcos faziam todos estes barulhos e que o cantar do galo é diferente do da
galinha. Agarro-me aos problemas e não vejo mais nada, agarro-me às unhas e
fico ali bloqueada.” 
Ora, o que
aconteceu à Fabiana, acontece com todos nós. Quando pretendemos mudar alguma
coisa, facilmente ficamos atentos a outras coisas. O foco deixa de ser um e
passa a ampliar-se para mais lugares. 
Se
desligamos a atenção do mundo exterior e tentarmos perceber o que se passa
dentro do peito, podemos surpreender-nos com quem somos e o que estamos fazer
connosco. 
Só posso
ser feliz a fazer este trabalho e apreciar todas estas transformações na vida
de cada um. 
Bons
Sentimentos
!
Marisa
Pedroso
 
 
Photo by Zugr on Unsplash

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