Ideias à solta

A sério? Isto foi nos anos 90?, by Ricardo Dinis

Março 29, 2017
Chegados ao décimo post sobre os anos
90, é altura de me despedir de vós. Não. Não irei deixar de escrever
mensalmente para o Armazém de Ideias Ilimitada, mas os meus posts passarão a
incidir sobre uma nova temática. Tal como um jogador de futebol, acho que
nos devemos despedir quando ainda estamos em boa forma! Foi um prazer reviver a
minha década preferida, como será a de qualquer pessoa que passou a sua
infância/adolescência por cada uma delas. O saudosismo marcou de forma
indelével as minhas opiniões. Chegou a hora de refrescar. Irei abordar uma nova
temática, a anunciar em breve.
A todos os que acompanharam esta
aventura, quero agradecer pelos minutos que dedicaram a ler-me. Espero que se
tenham rido, descontraído, revivido, ou ficado a conhecer um pouco melhor a
cultura pop dos anos 90.
O último post será sobre um produto que
fez furor na segunda metade dos anos 90: o Bip da Coca Cola.
Quando os telemóveis ainda eram
demasiado caros e as assinaturas mensais, ainda mais, comunicávamos de forma
diferente. O clássico telefone fixo de casa dos pais era o principal canal de
comunicação. Era sempre um pouco embaraçoso, porque este aparelho estava
habitualmente no espaço comum da casa, a sala, o que retirava muita privacidade
quando queríamos ter conversas mais íntimas com amigos, amigas ou namorada(o)s.
Todos os que viveram nessa época se lembram do outro lado da linha atender um
dos pais dos nossos amigos e lá tínhamos nós que repetir, vezes sem conta: Olá,
tudo bem? É o Ricardo, o Pedro está?
A nível da comunicação escrita via web,
o mIRC, criado por Khaled Mardam-Bey, em 1995, é o grande antecessor do Messenger
e do Whatsapp. Foi a primeira vez que tive acesso a comunicar online com
milhares de pessoas de forma imediata. Esta plataforma permitia a entrada fácil
no IRC (Internet Relay Chat) e até a partilha de ficheiros.
Como naquela década não tínhamos
internet a não ser nos nossos PCs, 386 ou 486, precisávamos escrever offline. É
nesse contexto que surgem os bips. Aparelho muito usado pelos médicos nos
hospitais para comunicarem de forma rápida, através de mensagens alfa
numéricas. No fundo, o bip era como um walkie talkie de longo alcance, mas com
linguagem escrita. Ligávamos para um número e transmitíamos a mensagem, que o
destinatário recebia por escrito. Na maior parte dos casos ou usávamos as
mensagens predefinidas ou deixávamos o número para o qual queríamos ser
contactados, tendo depois o nosso interlocutor de ir a uma cabine telefónica
para efectuar a chamada.
Quando a Coca Cola lançou uma campanha
em que juntando as anilhas das latas ou as tampas das garrafas ganhávamos um
bip, foi a loucura total. Acho que nunca bebi tanto aquele refrigerante e
instiguei amigos, familiares e conhecidos para guardarem as preciosas tampas,
que permitiriam obter o tão almejado bip.
Após receber o aparelho e a excitação
inicial de ter um gadget que na altura estava na moda e até era high tech,
confesso que a utilidade do mesmo se revelou bastante diminuta e acabei por
usá-lo muito poucas vezes…
O telefonema e a combinação do local e
hora de encontro, subsistiu durante bastante tempo, até ao momento em que os
telemóveis dispararam em força e as SMS vieram substituir esta tecnologia,
considerada agora medieval.
É verdade, as coisas eram assim nos
anos 90 e não foi há assim tanto tempo!
 
Ricardo Dinis

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