Ideias à solta

Bons Sentimentos, by Marisa Pedroso

Fevereiro 9, 2017
Assumo, com toda a minha
transparência, os meus Bons Sentimentos por poder estar aqui a escrever para o
Armazém de Ideias Ilimitada e para as suas centenas de seguidores diários e
outros admiradores deste blogue e das miúdas giras deste projeto, desta equipa
fantástica! Isto engrandece-me mais um bocadinho… por dentro!
 
Como sabem, o meu propósito,
nesta vida, é passar por ela com Bons Sentimentos e ajudar as pessoas nas
questões ligadas à paz interior. Vamos a isso!
 
Hoje senti que devia falar sobre
os meus olhos.
 
Adiante, vão perceber a razão
deste tema e talvez consigam dar mais atenção ao bem tão precioso que têm: a
vista. E ainda, a outras fortunas vossas que acabam por não valorizar tanto,
tão agitados que andam no vosso dia-a-dia e envolvidos em
coisas a que dão o nome de “problemas”!
 
Os meus dois olhos físicos têm,
no total, cerca de 16% de visão. É verdade! E é com essa pequena grande
percentagem de visão que vivo. Quando nasci, a 18 de Abril de 1989, cheguei
acompanhada por uma patologia na visão, que, logo em bebé, não me permitia
abrir os olhos perante a luz do Sol. Que não me deixava ver as cores como as
outras crianças. Que não me deixava ver o que a professora escrevia no quadro,
na sala de aula. Que me fez viver numa época em que pouco se conhecia das
questões do ensino especial. Que me levava a usar óculos escuros, quando,
naquele tempo não era normal, não estava na moda! Que me fez crescer com os
comentários cruéis das crianças e de alguns adultos. Que me impossibilitou, até
agora, de tirar a carta de condução e de escolher uma profissão como a de
médica dentista, gestora de produtos de maquiagem e/ou polícia. Que me deu
tanta sabedoria, leveza e amor!
 
A deficiência da minha visão está
relacionada com uma disfunção nos cones, a Acromatopsia. Para explicar de forma
simples, os cones são os colaboradores do olho humano, responsáveis pela visão
central, pela capacidade de identificarmos os pormenores das coisas (das
paisagens por exemplo).
 
Quem tem a parte central da visão
afetada pode passar por coisas imagináveis no conhecimento do mundo comum.
Quando vou a caminhar na rua, por exemplo, não reconheço as pessoas a curtas e
a longas distâncias. Ou vou muito atenta ao mundo exterior, para identificar
quem é quem, através de maneiras de estar e outras características pessoais de
cada um, que eu conheço. Ou vou no meu mundo, leve e livre, a desfrutar do
momento, passando sem dizer um “olá” à maior parte das pessoas que se cruzam
comigo e que me conhecem e num mundo mais pequeno onde fui criada, isso é
estranho – mas que por um outro lado até me dá um certo jeito… em jeito de
brincadeira!
 
Humor à parte, esta questão é
mais séria do que vocês pensam. Algumas pessoas, não compreendem isto, até porque,
no meu caso: aparento ter uns olhos normais, sou dinâmica e tenho facilidade de
criar empatia e, depois, pareço estar a mostrar o contrário nesta situação. Mas
fica só pelo parecer, vos garanto!
 
Quando conheço alguém que não
sorri, que não olha nos olhos, que pouco comunica, penso logo, “esta pessoa
anda a perder tanto”! Com o tempo, aprendi que cada pessoa acaba por ter a sua
limitação, ora é nos olhos, ora é nos ouvidos, ora é nos ossos, ora é na
cabeça, ora é nos pensamentos… Que algumas delas descobrem como as podem
contornar e outras vivem a vida inteira assim.
Pegando nas limitações dos
pensamentos: jamais uma pessoa portadora de pensamentos pouco construtivos,
pode trabalhar com pessoas, como eu trabalho. Jamais as compreenderá e as poderá,
assim, ajudar! Uma limitação nos ossos, por sua vez, e por exemplo, não permite
sermos dançarinos profissionais e esse podia ser um sonho que também ficaria
por aí… Ora, se o Marcelo Rebelo de Sousa não tivesse uma forte capacidade de
armazenar conhecimentos e se nas suas veias não corresse o fascínio pelas áreas
políticas e sociais, ele não era agora o nosso Presidente da República e
estimado por muitos! Se a Fátima Lopes não fosse uma ótima comunicadora, não
era apresentadora de televisão e se o Daniel Oliveira não tivesse o dom de
chegar ao coração das pessoas, não era um dos grandes e atuais entrevistadores
portugueses. E cada um destes seres especiais têm também, com certeza, as suas
limitações e por isso estão onde estão, chegaram onde chegaram…
 
Acima falei do facto de estarmos
focados no nosso mundo, no interior. Ou de então estarmos focados nos outros,
no exterior. Quando comecei a permitir, eu mesma, ser leve e livre, acabei por
aceitar este desafio da visão. Foquei-me em mim e descobri quem sou e para o
que nasci. (Re)aprendi que quem gosta de nós, vai gostar sempre. Que quem nos
ama deixa-nos ir e dá-nos condições para voltar… Para ser. Que o mundo é um
lugar perfeito para vivermos como somos, no nosso lugar especial e reservado
exclusivamente para nós. Que não devemos querer ser mais do que somos! Que não
precisamos de nos preocupar tanto com os outros e com o que eles dizem… Que
tudo está certo.
 
Todos nós somos muito diferentes
e especiais. Se, hoje, eu consegui chegar onde cheguei: receber dezenas de
pessoas nas minhas consultas, organizar retiros espirituais, escrever para este
querido blogue, entre outras coisas que chegaram e outras que ainda estão por alcançar,
com 16% de visão, onde tu consegues chegar com 50%, 80% ou 100% da tua visão?
Todos nós conseguimos, como conseguiu o Marcelo, a Fátima e o Daniel. E como
conseguiram e conseguem todos os dias as minhas queridas miúdas do Armazém!
 
Todos nós temos a nossa história
e todos nós chegamos longe, se quisermos e se estivermos atentos ao mundo
interior, simplesmente.
Quando aceitas os teus medos,
transformas tudo em Bons Sentimentos e acredita que, a vida sabe o que faz! Ela
dá-nos as características que precisamos de ter para sermos quem somos e para
desempenharmos os diversos papéis que vimos aqui viver, como o de mãe do João,
o de pai da Maria, o de filho da Matilde, o de filha do Rafael, o de amigo do
Joel, o de amiga da Carla… O de apresentador de televisão, o de profissional
de saúde, o de professor, o de eletricista, o de rececionista, o de arrumador
de carros…
 
Um dia, quando me senti perdida e
perguntei ao Universo qual era o meu caminho profissional, num dia em que não
sabia o que vinha a ser (porque achava que a minha visão me limitava tanto) e
que já não tinha mais força para pensar… Abri o coração e confiei… Seja o que
Deus quiser! Entreguei-me ao que é meditar e percebi a mensagem que havia para
mim, que foi algo parecido com isto: “Queres saber o que vais ser? Pensa
então no que tu já és, no que sempre foste! Com base no que somos, temos um
caminho. O teu trabalho é este, ajudar as pessoas. Cada uma delas, também pode
encontrar o seu significado, aquele que se assemelha às suas próprias
características, e ter vontade de viver como tu tens, desfrutando cada momento…”
 
Com Bons Sentimentos,
Marisa Pedroso

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