Ideias à solta

Um Pouco de Tudo, by Aldy Coelho

Março 1, 2016
 
A evolução do samba
 
Na minha
última crônica, eu falei sobre a capoeira, um mundo totalmente novo que entrou
em minha vida, e estou descobrindo cada dia mais. Hoje, vou falar de outra
manifestação cultural originada da capoeira e da cultura africana, que tomou
contornos brasileiros e hoje é reconhecida no mundo todo: o samba!
 
Isso mesmo.
Não há nada mais brasileiro do que o nosso samba! Assim como o nosso povo, o samba é uma mistura de tradições, ritmos e
etnias que faz dele um som único. Ele é considerado o símbolo da cultura
brasileira, nos faz ser reconhecidos em todo o mundo
e, em
2016, completa cem anos.
 
Com uma raiz que
mistura a tradicional cultura indígena das danças de roda, do batuque e da
ginga africana, com seus acordes e instrumentos de percussão, já não há como
separar o samba do Brasil! E foi sobre esse tema que apresentamos, em forma de
teatro, toda a evolução do samba para cerca de 1,5 mil pessoas no último
Encontro Nacional do Grupo Capoeira Brasil, em São José dos Pinhais.
 
Resgatando a
origem do samba, que nasceu na Bahia e se desenvolveu em diversas regiões do
Brasil, por onde passou, o samba ganhou características diferentes, assim como
o povo brasileiro. Como a capoeira, que nasceu para dar espaço para as
manifestações africanas aos escravos no Brasil, no século XVIII também nasceu o
samba, originado do batuque, luta de destreza corporal vinda de Angola.
 
Na Bahia, do
batuque e de seus instrumentos musicais, fez nascer o samba de roda ou também
conhecido como samba de umbigada. Esse estilo musical teve como inspiração o semba, um estilo musical popular de
Angola que significa umbigada. Por esta razão, o nome samba se popularizou para
descrever esse ritmo que extrapolou fronteiras e ganhou outras características
em cada região brasileira.
 
Vindo com os
escravos da Bahia para o Rio de Janeiro, já no século XIX, o samba carioca
ganhou outros elementos, influenciados por ritmos como a polca, o maxixe, o
xote e até pelo americano jazz. Também surgiram as marchinhas de carnaval com a
grande Chiquinha Gonzaga, até que em 1917, numa roda de samba, foi gravado,
oficialmente, o primeiro samba brasileiro, chamado “Pelo Telefone”.
 
E o samba não
parou mais! Com o advento do rádio nas décadas de 20 e 30, o samba conquista o
mercado fonográfico, alcança a classe média e transforma grandes nomes como
Noel Rosa, Ari Barroso, Francisco Alves E Carmem Miranda, em grandes ídolos do
samba!


Depois disso,
surgiram diversos tipos de samba, entre eles, o tão famoso o samba-enredo,
canções criadas para os grandes blocos de carnaval e que deram origem às
tradicionais escolas de samba. O estilo tem como fonte inspiradora um fato histórico,
literário ou biográfico. É o tema do samba-enredo que dá o tom do desfile em
suas cores, alegorias, adereços e evoluções.
 
E em cada
década, o samba renasce de formas diferentes! A influência americana nos anos
50 fez nascer a Bossa Nova, tão conhecida internacionalmente. Já na década de
60 é a vez de ressurgir o samba tradicional, de raiz, com sua batida
tradicional. 
Nos anos 70, o
samba é revalorizado e volta à cena musical tendo como foco o samba de partido
alto, que nasceu nas rodas de samba das tias baianas nos morros cariocas e cultivado
pelos sambistas de “alto gabarito”.



O samba se
moderniza, cria novos ritmos, mas nunca perde suas raízes. E de tempos em
tempos, o samba renasce, com alguma diferença, vindo de São Paulo, Rio de
Janeiro, da Bahia, ou de qualquer lugar desse país, mas sem deixar de ser o
nosso samba!

 
O samba é
sinônimo de brasilidade, faz parte da nossa identidade e da nossa história. É
por isso que, no Brasil, tudo acaba em samba, e sabem por quê?  “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é.
Ou é ruim da cabeça, ou doente do pé…” já cantava o sábio cantor e compositor
baiano Dorival Caymmi!


 

 
ALDY COELHO
 
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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