Ideias à solta

Um Pouco de Tudo, by Aldy Coelho

Dezembro 8, 2015
Fábio e Aldy com um dos grandes Mestres da Capoeira

Eu
sou movida pela capoeira!


pouco mais de um ano, eu fui acompanhar meu marido em seu batizado de capoeira.
E confesso, não era muito afeita a ela. Quando ainda morávamos em Taubaté, ele
já praticava esse esporte lá. Inúmeras vezes, ele me chamou para acompanhá-lo.
E eu, resistia. A cada vez que assistia a uma aula ou ia a algum evento,
pensava “o que leva as pessoas a passar tantas horas jogando capoeira sem
parar?”



Aliás,
vocês sabem o que é capoeira? Bom, vamos às explicações: De acordo com o site
Wikkipedia, a capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura esporte,
luta, dança, cultura popular e música. De origem afro-brasileira, essa
manifestação incorpora movimentos de luta, acrobacias, dança, percussão e
músicas, num diálogo rítmico de corpo, mente e espírito.


Foi
criada por escravos africanos trazidos ao Brasil e desenvolveu-se
principalmente na Bahia, difundindo-se, posteriormente, por vários estados
brasileiros. É caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos,
utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas e joelhadas.


A
terminologia é originária do tupi-guarani e refere-se às áreas de mata rasteira
do interior do Brasil. Foi sugerido que a capoeira tenha obtido esse nome a
partir dos locais que cercavam as grandes propriedades rurais de base
escravocrata.


Até
1940, a capoeira era proibida e considerada crime. Desde novembro de 2014, a
capoeira tornou-se reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural e Imaterial
da Humanidade. Hoje em dia, a capoeira se tornou não apenas uma arte ou um
aspecto cultural, mas uma verdadeira exportadora da cultura brasileira para o
exterior.


E
como foi que eu aprendi tudo isso? Treinando capoeira, ora essas! Nesse mesmo
dia, há pouco mais de um ano, quando acompanhei meu marido em seu batizado na
capoeira – é assim que se denomina a primeira vez que você é graduado na
capoeira, ou seja, pega a primeira corda/cordão que será amarrado na cintura do
jogador e, de acordo com cada grupo, pode ter cores específicas para diferentes
níveis de aprendizado.


Quando
fui apenas acompanhá-lo, percebi que este não era um esporte apenas para
homens, ou para esportistas de alta resistência. Ali, após o batizado e troca
de cordas para aqueles que já evoluíram de nível, havia crianças, mulheres de
todos os tipos físicos e pessoas mais velhas. Me surpreendi com uma senhora, no
auge de seus mais de sessenta anos, feliz por ter trocado de corda.


Nesse
momento, eu percebi que a capoeira é um esporte agregador, e que vai além de
uma prática esportiva, pois é uma mistura de dança, de ginga, em que é preciso
ser esperto o suficiente para atacar com precisão e se defender dos golpes de
seu parceiro. Mais que isso, ele é uma troca de conhecimento, de aproximação
com o ser humano, uma manifestação cultural carregada de história, que te
ensina a usar o corpo e a mente para se aproximar ou se defender do ser humano.


Foi
quando pensei, “por que não tentar?” E, na semana seguinte, lá estava eu,
superando os meus próprios limites físicos e de pré-conceitos para abrir a
mente e me inundar, de corpo e alma nessa expressão artística. E assumo, não
foi fácil. É preciso muita força nos braços, nas pernas e no abdome para utilizar
o seu corpo como única arma.
 Aldy na Capoeira
  Evento Nacional de Capoeira
 
 Fábio e Aldy com grandes Mestres da Capoeira
Instrumentos como o berimbau, atabaque e pandeiro dão o ritmo para o jogo de Capoeira
Ainda
preciso me dedicar um pouco mais se quiser alcançar as graduações, que vão de aluno
iniciante, intermediário, estagiário, graduado, instrutor, professor, formando
e formado/mestre, que é o mais alto grau da capoeira. O grupo Capoeira Brasil,
do qual hoje faço parte, usa para definir as graduações as cores da bandeira
brasileira e suas variações.


Enfim,
neste ano fui eu quem pude receber a minha primeira corda e ser batizada como
aprendiz de capoeira. Já o marido, evoluiu mais um nível e trocou a cor de sua
corda. Na abertura desse grande evento, que reuniu grandes nomes da capoeira no
Brasil, fizemos uma apresentação especial, contando a história do samba que,
assim como a capoeira, nasceu para dar corpo e espaço para as manifestações
africanas aos escravos no Brasil, no século XVIII.


Mas,
sobre a história do samba, eu vou deixar para a próxima postagem!
Aldy
Coelho

aldycoelho@gmail.com


(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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