Ideias até ao infinito

O Universo, falcões e petiscos

Novembro 23, 2015

Na passada 5ª feira, o Universo “conspirou”
para que as nossas agendas (a minha e a da Rosarinho) coincidissem em
disponibilidade. E vai daí, combinámos ir juntas à inauguração da exposição “A Arte da Falcoaria de Oriente a Ocidente“,
no Museu do Oriente em Alcântara.
Obrigada Universo! Valeu pela inauguração. Valeu pela exposição. Valeu pelo
nosso ‘after dinner’. Mas vamos por partes.

Agendada para as 18h30, chegámos ao Museu um pouco depois da hora, mas bem
a tempo de assistir à chegada dos protagonistas desta exposição. Pela porta
principal entraram falcoeiros cada um com o seu, ou os seus, exemplar(es) da
espécie. E deixem que vos diga, ficámos maravilhadas! Ali mesmo à nossa frente,
à distância de uma festa (quando os animais assim o permitem, claro), aqueles bichos
de porte majestoso fizeram as delícias de todos os presentes. E eram muitos,
acreditem. Foi com prazer que marcámos presença numa inauguração repleta de
convidados. Voltando às estrelas do evento, por ali circularam nas mãos de cada
falcoeiro, uns maiores outros mais pequenos, uns “equipados” com os
seus caparões (
esta peça cobre a cabeça do falcão para lhe tapar a visibilidade e o impedir de ser incomodado pelo que o rodeia, como podem ver nas fotos) outros mais “despidos”, porém,
todos eles revelando um porte digno da arte para a qual são treinados: a caça.
As imagens falam por si.
 
No que à exposição diz respeito, e
embora não sejamos apreciadoras de caça em geral, o seu objetivo é dar a
conhecer a prática de treinar e caçar com falcões. Fazendo um pequeno
enquadramento histórico, esta é uma arte com cerca de 2000 anos, originária no
Oriente e que se espalhou pela Europa por volta do séc. IV, onde atingiu o
apogeu durante a Idade Média, ao tornar-se passatempo de nobres e monarcas. Mas
não pensem, porém, que esta exposição é apenas uma viagem ao passado. Aqui a
História serve precisamente para percebermos o percurso desta arte até à
atualidade. Assim, através de pinturas, gravuras, trabalhos de azulejaria,
têxteis, documentos e fotografias – cedidos para a mostra por museus, fundações,
e colecionadores nacionais e estrangeiros – percorremos a exposição que se
encontra disposta em 5 núcleos: Ornitologia
e Falcoaria
, Falcoaria no Oriente,
Falcoaria na Europa, Falcoaria em Portugal e Prática Actual. E acreditem quando
dizemos que esta é uma exposição que vale a pena. “A Arte da Falcoaria de Oriente a Ocidente” estará patente no Museu do Oriente até 6 de Março de
2016, no horário de terça a domingo das 10h00 às 18h00, por 6 euros, porém, já
sabem que este Museu dá-nos a
oportunidade de visitar as suas exposições gratuitamente às sextas-feiras, a
partir das 18h00 até às 22h00.


Só para terminar, logo no início do ‘post’,
disse que esta “conspiração” do Universo valeu também pelo nosso ‘after
dinner’. E se valeu. Como devem calcular, a inauguração tinha um ‘cocktail’,
mas um ‘cocktail’ é apenas um ‘cocktail’. E quando demos por terminada a nossa
presença ali, já as nossas barriguinhas precisavam de aconchego. Como o nosso
trajeto de regresso é feito na direção Lisboa-Cascais, toca a pensar onde
poderíamos petiscar qualquer coisinha de regresso a casa. E quase em sintonia lembrámo-nos
de um sítio do qual ambas já tínhamos ouvido falar, mas ainda estava por
descobrir: o renovado Mercado de Algés.
E que boa descoberta! Mais pequeno do que o Mercado da Ribeira, é certo,
torna-se também num espaço mais acolhedor e com um ambiente leve e
descontraído, ótimo para Comer. Beber. Amar. (o lema deste espaço) com amigos. 


Tivemos ainda a sorte de acompanhar esta nossa inesperada refeição com a música
ao vivo dos
Backdrop, que estavam de serviço nesta 5ª feira e nos brindaram com ‘covers’ que
tornaram o ambiente ainda mais ‘cosy’. Depois disto, e acho que posso falar
pelas duas, só temos mesmo que agradecer ao Universo e fazer figas para que
astros e planetas se voltem a alinhar e nos permitam repetir a experiência!

Susana Figueira e Rosarinho

Curiosidades:

  • A arte do treino e caça com falcões foi
    elevada a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2010
  • Atualmente, a arte de treinar falcões é
    utilizada em atividades de controlo aéreo
  • A falcoaria atual respeita a Convenção sobre o
    Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas
    de Extinção (CITES) e a Convenção da Diversidade Biológica (CBD)
  
Os protagonistas do evento

 Exemplo de trabalhos de azulejaria

 Dois exemplos de pinturas e gravuras que se podem ver na exposição
 
 Taça de cerâmica

  Escritório do séc. XVII (Índia)

Virginal duplo (instrumento musical com pintura da cidade de Antuérpia)

 Tapeçaria com motivos alusivos a esta arte

 Caparão  

Aqui, alguns exemplares mais excêntricos 
 
 Equipamentos dos falcoeiros

Reprodução fotográfica da atividade dos falcões na proteção dos aeroportos

O nosso ‘after dinner’ após a exposição 

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