Ideias à solta

Crónicas da Brilha

Abril 2, 2015
 
Choremos e continuemos
 
O que se diz quando uma luz no mundo se apaga? Que palavras podem amenizar aquela dor pungente e aguda da perda inexorável?

Será que tudo se acaba? Será que haverá um encontramo-nos depois?

Quero, preciso acreditar que essa luz não mais se extingue, haverá de alumiar-nos de outro patamar, com a vigília de uma mãe, trazendo-nos a serenidade para aceitar, a capacidade de perdoar e a vontade de compreender que esses desígnios não são nossos para criticar ou rejeitar.

Se há uma mão invisível no mercado, porque não haverão duas mãos sustentando a natureza comum que todos partilhamos?

Se nada se perde, tudo se transforma, não haverá o Ser de se transmutar em algo mais alto, mais concreto, mais próximo de Si?

Alguém um dia deitou sementes à terra, mesmo que incerta se haveria de encontrar solo e condições atmosféricas adequadas. E essas sementes deram frutos anos depois, contribuindo para que mais uma ténue luz pudesse um dia vir ao mundo.

E essa luz partilhou a sua chama com quem cruzou o seu caminho e outras luzes frágeis foram nascendo no coração de outros Homens, como uma cadeia infinita que se estende.
 
Este Ser, na sua breve passagem pela terra, houve de mudar o mundo, os vários mundos de alguém, trazendo a consciência e as mãos que apoiam a quem a ela viesse beber.
 
Se Deus eleva os justos até si, certamente será porque quanto mais alto a luz se encontra, mais longe nos permite ver o nosso caminho.
 
Ana Brilha

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