Ideias à solta

Alentej’Amando, by Maria Brinquete

Março 26, 2015

Primaver’ando

Abrindo um pouco mais o leque da quase crónica 1 de Alentej’Amando – o mapa afetivo das pequenas viagens, não quisemos deixar de partilhar o nosso elogio à prima estação e à poesia. Pela Páscoa, sairemos da casca e abriremos de par em par – fica, para já, um pouco do nosso Janel’ar alentejano com fotos & palavras: o poeta popular Manuel Lourenço Monteiro e Florbela Espanca.
Com votos de uma Primavera FELIZ.
Abraço alen t e j a n o

Maria Brinquete

Ó ALENTEJO


Ó lindo chão, seara louca… em flor!
Ó mar loiro, nas ondas dos trigais;
De sonhos de poetas imortais…
És sangue e pó, do humilde, lavrador.


Eu sempre te amarei, e com fervor…
Terra de camponeses e maiorais.
Na sombra de montados e olivais,
– eu te rego chorando meu amor…
Nos quentes remoinhos do Suão
E no sol a escaldar o teu terrume,
Se treme o manto d’oiro no Verão…
Alentejo que ao sol és brasa e lume…
À noite és a cantiga solidão!
Nas vozes, que te embalam, num queixume!? …
Manuel Lourenço Lopes Monteiro1, 20/10/1995





O MEU ALENTEJO
Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve… docemente…
As papoilas sangrentas, sensuais…
Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…
Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador…
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,
Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!

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