Ideias à solta

Um pouco de Tudo, por Aldy Coelho

Fevereiro 19, 2015
 
Fazenda Nova Gokula – Local de contemplação e adoração
à Krishna
 
Um pedaço da
Índia no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Brasil. Para quem procura paz de
espírito, belezas naturais e um encontro com Deus, independente de religião, a
Fazenda Nova Gokula, maior comunidade Hare Krishna da América Latina, é o lugar
certo.
 
Localizada na
zona rural de Pindamonhangaba, a fazenda abriga dois grandes templos,
restaurantes vegetarianos, pousadas, camping, lanchonetes, biblioteca e lojas
para receber os praticantes da religião Hare Krishna e os curiosos, que buscam
um lugar tranquilo para admirar a natureza, fazer trilhas e se refrescar no rio
que corta a propriedade. O local também é uma área de proteção ambiental e
soltura de animais silvestres.
 
 
Fundada em 1978,
no auge da religião no Brasil, chegou a abrigar 200 famílias na década de 1980.
Hoje, apenas 70 moradores habitam o local que recebe visitantes de todo o mundo
diariamente. É comum encontrarmos as mulheres vestidas com sáris coloridos,
homens com o traje típico indiano, e devotos entoando o mantra de 16 palavras
incessantemente, com uma espécie de rosário chamado “japamala” (japa =
repetição / mala = cordão), dentro de uma bolsa de tecido.
 
A paz que o
local transmite é inquestionável. Além da aproximação com a natureza, o clima
de meditação é constante, dentro e fora dos templos. A área interna do templo
principal chama a atenção pelos dois altares, um defronte ao outro. Um deles
traz a imagem em tamanho original (e quase real) do pensador indiano e fundador
da
Sociedade Internacional para a Consciência de
Krishna (ISKCON),
A.
C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.
 
 
Do outro lado, uma grande janela fechada
indica a surpresa que é revelada aos presentes: o altar das Deidades, estátuas
de Krishna em sua forma original com a flauta ou em uma de suas manifestações
como Caitanya Mahaprabhu, Narasimha, Jagannatha, etc. Os devotos consideram
que, como Krishna é absoluto, não há diferença entre ele próprio e sua
representação na forma de Deidade.
 
 
Todos os dias os templos executam várias
cerimônias de adoração à Deidade, oferecendo itens como incenso, água, flores
aromáticas e comida vegetariana. As Deidades são regularmente despertadas,
banhadas, vestidas, colocadas para dormir, enfim, têm toda uma rotina como se
fossem hóspedes de honra. Três vezes por dia o altar onde estão as Deidades é
aberto e as pessoas podem acompanhar o pujari (brâmane responsável pela
adoração da Deidade) realizar a cerimônia.
 
 
A ISKCON, segundo as descrições dos devotos,
representa a mais antiga civilização e tradição
religiosa, a cultura Védica ou Vaishnava (tradição monoteísta com milhões de
seguidores na Índia e no Ocidente, que cultiva a devoção à Suprema
Personalidade de Deus, Krishna ou Vishnu). O estilo de vida e crenças
filosóficas praticadas, segundo seus membros, baseiam-se nas escrituras Védicas
milenares, tais como os Vedas, os Upanishads, os Puranas e o Bhagavad-gita, o
principal livro do Movimento Hare Krishna.
 
De acordo com a
religião, é proibido o consumo de carnes ou de qualquer alimento que cause
sofrimento animal nas dependências da fazenda. Por esta razão, todo o alimento
servido nos restaurantes, lanchonetes e cozinha comunitária é totalmente
vegetariano. Uma das iguarias mais famosas do local é a tradicional coxinha de
jaca. O recheio do salgado é feito com a polpa da fruta, que é preparada com
temperos e condimentos de forma a ficar com sabor salgado e textura
completamente diferente da fruta original.
 
Assim como a Fazenda
Nova Gokula em Pindamonhangaba, Curitiba também possui um templo Hare Krishna
no centro da cidade, próximo à Catedral de Curitiba, das igrejas da Ordem e
Presbiteriana, assim como da Mesquita, o que mostra o quão diversificada e
tolerante é esta cidade.
 
O que não se
pode negar é que, durante a visita ao templo, mesmo não sendo devoto da
religião, é impossível não entoar, ao menos uma vez, o mantra: “Hare Krishna,
Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama,
Hare Hare”. 

Aldy Coelho

aldycoelho@gmail.com

(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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