Ideias à solta

“Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana” por Carlos Duarte

Fevereiro 15, 2015
Uma tartaruga perspicaz
 
Andavam certo dia a onça e a tartaruga a passear, quando, em conversa sobre a vida que estavam levando, acabaram por concluir que, o que lhes estava fazendo falta para se organizarem direitinho na vida, era casar.
 
Feito isto, não perderam tempo, e dirigiram-se à aldeia mais próxima, onde, após anunciarem os seus intentos, lhes foram apresentadas as moças em idade de casar.
 
Como coube à tartaruga escolher em primeiro lugar, ela tratou de escolher a moça mais elegante de todas, e que por coincidência, era a filha do chefe.
 
A onça, que também se achava inclinada pela mesma moça, não restou outra alternativa, que não fosse escolher uma outra, que embora não fosse feia, nem por sombras se comparava em beleza, à filha do soba.
 
E assim ficou a escolha feita, mas não em definitivo decidida, pois a onça, não concordando com o desenrolar dos acontecimentos, procurou o chefe da aldeia, e explicou-lhe que, se por acaso, havia algum pretendente que merecia a filha dele, era ela a onça, pois era muito melhor caçadora que a tartaruga.
 
A tartaruga nada objetou, mas no dia seguinte, logo pela manhã, saiu do arimo em direção à mata, e a quem perguntava onde ia, respondia que ia caçar alguns insetos, única caça para qual se sentia apta.
 
Mal se achou perto de um bebedouro natural, encheu um cesto com pedras, e sentou-se do lado.
 
Passado algum tempo, duas palancas que por ali passavam, a caminho do bebedouro, vendo-a perguntaram-lhe:
 
– Escuta tartaruga, é você sozinha quem vai carregar essas pedras todas?
 
– Você tem força para tanto peso?
 
Ao que a tartaruga respondeu:
 
– Tenho força para este peso, e ainda conseguiria levar vocês duas junto com as pedras!
 
Os enormes antílopes riram, e duvidaram do que a tartaruga dizia. A tartaruga então, aparentando disposição para tirar qualquer dúvida, convidou-as a sentarem no cesto.
 
As duas palancas sentaram-se, e permitiram até que a tartaruga, a pretexto de que não caíssem, as amarrasse bem amarradas.
 
Terminando de prendê-las, certificou-se de que estavam impossibilitadas de se mexerem, e matou-as.
 
Foi em seguida à aldeia, chamar alguns homens, para a ajudarem a transportar uma oferta, para o jantar do soba.
 
Grande admiração causou este pedido, de maneira que, a aldeia inteira se deslocou para o lugar indicado pela astuta tartaruga.
 
A gratidão do chefe pela oferta foi tal, que voltou a trocar as noivas, dizendo que, um bicho tão astuto assim, certamente seria bom marido para a filha dele.
 
“A astúcia e a inteligência vencem a força.”

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil)

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