Ideias à solta

Um pouco de Tudo, por Aldy Coelho

Outubro 27, 2014
 
Newgrange: Um lugar onde história, lenda e
misticismo se unem
Há cerca de um ano visitei este lugar. Uma sensação
incrível de saber que nada neste mundo existe sem uma razão, e que sobre nós
existem muito mais mistérios do que imaginamos. Impossível manter-se cético ao
visitar um lugar como este e não sentir-se numa ligação direta com o Universo.

Aproximadamente 60 km de distância do
centro de Dublin, no Condado de Meath, você pode conhecer o mais importante
tesouro arqueológico da Irlanda – Patrimônio Histórico e Mundial reconhecido
pela UNESCO desde 1993 e que atrai anualmente cerca de 200 mil visitantes. Mais
antigo do que a pirâmide de Quéops no Egito, Newgrange foi construído há 5.000
anos – cerca de 3.200 anos antes de Cristo – durante o período Neolítico, por
uma comunidade agrícola que prosperou nas ricas terras do Vale do Rio Boyne.
Newgrange é uma grande construção
pré-histórica que foi utilizada como túmulo de antigos líderes tribais, ainda
hoje desconhecidos, e que mantém em sua base pedras engenhosamente empilhadas,
algumas das quais são ricamente decoradas com arte megalítica. Uma estreita e
tortuosa passagem interna leva a uma câmara em formato de cruz, com três nichos
laterais para enterros, totalmente escura, e que é iluminada somente uma única
vez ao ano, durante o solstício de inverno. O espaço interno é construído de
pedras em camadas, formando um telhado que ocupa o peso do monte acima, sem
argamassa e sem vazamento de água por mais de 5.000 anos. Os nichos laterais possuem
uma espécie de bacia em pedra, que supõe-se ter sido usada para lavar corpos,
receber oferendas funerárias, depositar as cinzas de restos cremados, ou para
rituais sacerdotais.

Eis aí a parte fantástica e recheada de
mistério acerca deste túmulo. Acima da entrada para a passagem de Newgrange
existe uma abertura, semelhante a uma claraboia. Sua finalidade é permitir que
a luz solar penetre na câmara sobre os dias mais curtos do ano, em 21 de
dezembro, o solstício de inverno.


Com sua arquitetura inclinada
propositalmente, um feixe estreito de luz penetra pela abertura e atinge o chão
da câmara, que se estende gradualmente para a sua parte traseira. À medida que
o sol sobe, o feixe se alarga dentro da câmara de modo que toda a sala se
ilumine. Este evento tem a duração somente de 17 minutos. O raio de sol toca
uma bacia de pedra ao fundo da câmara e acende uma série de entalhes em espiral
cujo significado é desconhecido. A visita guiada ao túmulo inclui uma
reconstituição impressionante deste efeito.
 
Mitos e Teorias
São muitos os mistérios que envolvem o
monumento: Quem construiu? Quais eram seus objetivos? O que significam os
desenhos em espirais? Tantos questionamentos levaram a uma série de teorias
sobre sua verdadeira origem e finalidade.

Desde a sua descoberta, arqueólogos
classificam Newgrange como um túmulo passagem, no entanto, o local pode
representar muito mais do que um túmulo. Templo ancestral talvez seja a
classificação mais adequada, ou um lugar de relevância astrológica, espiritual,
religioso e cerimonial.

A lenda diz que o túmulo foi dedicado a
Dagha, o deus do sol em um período pré-cristão e, mais tarde, tornou-se a
sepulturas dos reis pagãos de Tara. A veneração do sol é certamente sugerida
pelas muitas esculturas de símbolos sol em suas pedras.

Há diversas teorias sobre o significado
desses símbolos. As espirais podem ser interpretadas como símbolos de uma
viagem para o outro mundo, e o túmulo pensado para ser um templo solar de uma
raça pré-histórica de pessoas sobrenaturais. Com base na sua forma, também foi
sugerido que Newgrange poderia ser um modelo de um disco voador.

Outras definições para os símbolos
desenhados envolvem o curso do Rio Boyne, a representação das tumbas de
Newgrange, Knowth e Dowth – outros dois túmulos históricos e importantes na
mesma região – e, ainda, o próprio ciclo da vida. Newgrange é especialmente
reverenciado pelos aderentes da Nova Era que acreditam que ele seja um lugar de
grande energia e poder místico. Para mim, este monumento é uma prova eloquente
da engenhosidade e inteligência de seus antigos arquitetos e construtores.
 
 
Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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