Ideias à solta

Um Pouco de Tudo, por Aldy Coelho

Novembro 27, 2013
A Declaração da Independência da Irlanda em 1919 (Foto Wistorial)
 

Irlanda: Uma história de guerra, dores e superação
 

Pra conhecer um pouco sobre a Irlanda, é importante conhecermos a
origem desta ilha, desde a sua fundação até os dias atuais, afinal, se tem um
país com história pra contar, cheio de conquistas, dores e superação, é a
Irlanda. E o mais interessante disso tudo, é que em todos os cantos do país,
principalmente sua capital Dublin, alguns pontos da cidade tornaram-se atrações
turísticas como monumentos, praças e prédios públicos que serviram de cenário
para os acontecimentos históricos irlandeses.


A história da Irlanda é marcada principalmente por
revoltas e conquistas de seu povo. Os primeiros assentamentos humanos na
Irlanda datam de 8.000 a.C. A partir de 4.000 a.C há indícios das primeiras comunidades
agrícolas, que deixaram como herança, importantes construções megalíticas em
diversos lugares da Irlanda, uma destas construções é a famosa Newgrange,
história que contaremos com mais detalhes no futuro.


Essa população, conhecida como Celta, era de origem
gaulesa e ajudou a construir a identidade irlandesa que conhecemos hoje, dando
origem à chamada antiga civilização gaélica. Esta civilização bem organizada
socialmente permaneceu por séculos e acrescentou muito à cultura irlandesa com
suas crenças pagãs e mitologias.


Mais tarde, no século V, missionários cristãos
desembarcaram na ilha e o Cristianismo foi substituindo as antigas religiões
pagãs. Eles eram liderados pelo lendário São Patrício, hoje padroeiro da
Irlanda. Os monges se instalaram em mosteiros nas colinas e em aldeias
próximas, introduziram o alfabeto romano, documentaram parte das ricas coleções
de antigas histórias e lendas celtas, e aos poucos foram catequizando a
população, mas sem descartar totalmente suas origens.


No século IX d.C os Vikings invadiram a Irlanda,
saquearam e destruíram vilas e mosteiros, construíram assentamentos, e fundaram
cidades importantes da Irlanda, que incluem Dublin, a capital da República da
Irlanda, bem como Limerick, Cork, e Wexford. Esta ocupação permaneceu durante o
século IX e X, o que resultou numa fusão entre os Celtas e Vikings, incorporando
elementos das duas culturas.
Devastada, a Irlanda dividiu-se em
vários principados rivais, o que facilitou a ocupação de mercenários normandos
em 1166, ficando sob o domínio do Rei da Inglaterra durante os 400 anos
seguintes.


Desde então, diversas revoltas foram travadas entre
irlandeses e ingleses. Quando os ingleses adotaram o protestantismo em 1536, o
catolicismo irlandês transformou-se num denominador comum entre os que lutavam
pela ocupação de suas terras. Em resposta, a Inglaterra destruiu as populações
rebeldes e enviou colonos ingleses para acabar com a maioria irlandesa.


A religião se tornou um motivo de divisão e revolta, um
papel que ele manteve até tempos recentes. Durante o século 18, muitas leis
foram aprovadas pelo governo inglês discriminando os políticos católicos a fim
de proteger a hegemonia anglicana. A língua gaélica foi proibida nas escolas, apenas
cinco por cento das propriedades de terra era pertencente aos irlandeses católicos.


Em 1801, o parlamento irlandês foi abolido e Irlanda
tornou-se parte do “Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda”, onde os
católicos não podiam exercer o cargo parlamentar até 1829.


Foi um período em que a pobreza tornou-se generalizada,
e para muitos irlandeses a batata era o mais importante alimento, até que em
1845 veio o desastre, uma terrível praga que destruiu grande parte da colheita
da batata. A causa da praga não foi facilmente descoberta, e os governantes ingleses
pouco fizeram para ajudar a situação. Cerca de um milhão de pessoas morreram de
fome ou doença. Outro milhão emigrou para escapar da pobreza e da fome. Por
causa da praga da batata, a população da Irlanda caiu de mais de oito milhões
em 1841 para cerca de seis milhões em 1852.


O desejo de um governo autônomo da Coroa inglesa, mesmo
com tanta calamidade, não
esmoreceu. Pelo contrário, fortaleceu-se. A luta política passou a ser dominada pelos
sucessivos esforços de dotar a Irlanda de um governo independente e de
distribuir as terras pela população através de leis que incentivassem a compra
de terra aos grandes senhores.


Houve movimentos pela reforma agrária e movimentos para
trazer o gaélico como a língua oficial da Irlanda.
 O ato “Home Rule” (Regra da Casa, em tradução
livre, era o nome da proposta feita pela Irlanda ao governo inglês de autonomia
política) foi aprovada em 1914, o que teria dado ao país alguma autonomia, porém
foi suspensa quando a Primeira Guerra Mundial foi iniciada.

Aproveitando que as forças armadas da Grã-Bretanha
estavam destinadas para os combates da Primeira Guerra, foi planejada pelos
partidários irlandeses uma revolta no dia de Páscoa, em 24 de abril de 1916. Porém,
a Revolta da Páscoa não teve força suficiente para conseguir espalhar para além
Dublin, e os seus líderes foram presos e executados. O tratamento brutal
derrubou a opinião pública em favor da independência.


Uma nova guerra
pela independência irlandesa começou em 1919 e continuou até 1921.
Em 1922 constitui-se o Estado Livre da
Irlanda no Tratado Anglo-Irlandês, englobando os condados do sul, de maioria
católica. O norte da ilha, majoritariamente protestante, permanece ligado ao
Reino Unido.


O
governo autônomo irlandês foi aos poucos cortando os laços constitucionais com
a Grã-Bretanha, até que em 1937 foi introduzida uma nova constituição que
permitiu à Irlanda ficar neutra durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1949 é
proclamada a República da Irlanda e a definitiva separação entre a Irlanda do
Sul e a Irlanda do Norte, que ainda pertence ao território inglês. Aconteceram
ainda alguns conflitos entre os nacionalistas que queriam a união das duas ‘Irlandas’,
mas um acordo de paz foi assinado, embora até hoje aconteçam algumas revoltas
no lado norte por este motivo.


Economicamente, as coisas começaram a melhorar para a Irlanda
no final dos anos 1950, um profundo programa de reformas econômicas e políticas
foi instituído, em 1973 o novo país passou a integrar a Comunidade Europeia e
depois a União Europeia, em 1993. No início da década noventa, começou a
demonstrar uma surpreendente capacidade de crescimento devido a investimentos
na indústria tecnológica, e implementou um extenso plano para recuperar as
tradições culturais, banidas e perseguidas durante os oito séculos de ocupação
inglesa.

Período da crise da batata, 1845 (Foto Wistorial)
A cidade de Dublin em 1900 (Foto Wistorial)
 
Revolta da Páscoa em 1916 (Foto Wistorial)
 
Confronto entre as tropas britânicas e irlandesas durante a guerra da independência, 1920 (Foto Wistorial)
 

ALDY COELHO

aldycoelho@gmail.com

(esta crónica é escrita em português do Brasil)  

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