Ideias até ao infinito

Entrevista a Idília Silva

Julho 23, 2009
O Armazém de Ideias Ilimitada (AII) esteve com a artista plástica Idília Silva (IS), no Hotel Inglaterra (local onde está a decorrer a exposição “Percursos (d)e Vidas”) e aproveitamos para lhe fazer uma pequena entrevista. Que agora publicamos para os/as) nossos/as leitores/as.

AII- Quando sentiu que o seu caminho era o das Artes Plásticas?IS-Entre os 5 e os 14 anos. Aos 15 anos soube perfeitamente que queria ser artista plástica. Sentia que todas as actividades que envolvesse as mãos e criar, eu estava lá.

AII – Nas suas obras sente a influência de algum pintor, tendência ou movimento?IS – Sou influenciada por vários artistas. Porque quando gosto de uma forma de pintar de um grande mestre assimilo e adapto à minha maneira de pintar. Algumas pessoas identificam determinadas expressões na minha pintura e muitas vezes nem identifico que estou a ser influenciada por determinado pintor.

AII – De onde vem a inspiração para pintar?IS – A inspiração, muitas vezes vem de uma palavra, de uma conversa ou apenas da vontade de passar uma mensagem para os seres, em geral. A partir daí faço pesquisa para começar a compor os quadros para uma exposição.
AII – Quando terminou a licenciatura em Artes Plásticas começou logo a pintar?IS – Não. Pintei durante a licenciatura. Por razões pessoais parei durante uns anos. Por outro lado uma das minhas paixões na altura era a gravura e tinha condições para poder trabalhar nesta área. A vida vai-nos dando oportunidades. Cinco anos após terminar a licenciatura surgiu a oportunidade para fazer a primeira exposição individual e foi assim que reacendeu a paixão de pintar.
AII – Sei que fez uma viagem à Holanda. Considera que essa viagem teve alguma influência no seu trabalho?ID – Quando se faz uma mudança, há sempre o ver as coisas através de uma certa perspectiva. Toda aquela combinação de cores dos campos de tulipas… Dizer que não me influenciou seria mentira.Sim influenciou-me a nível da cor. Reforçou aquilo que já é inerente em mim: as cores. Esta viagem foi um banho de cultura em 10 dias! Aproveitei ao máximo.
AII – A sua exposição actual tem como título “Percursos (d)e Vidas”. Ainda é jovem e já são assim tantos os percursos?ID – São.Porque independentemente de ser nova, a minha vida é o resultado de muitos percursos que tive de filtrar.
AII – Pinta acrílico, aguarela e pastel, no entanto esta exposição é composta por obras a óleo.Prefere o óleo a outros materiais?IS – Dependendo das fases… Não considero que o óleo seja mais nobre que os outros materiais. Mas presta-se a coisas que os outros materiais não se prestam. Com o óleo conseguem-se coisas que com outros manterias são mais difíceis de conseguir. O óleo já é um material que vou conhecendo, vou fazendo descobertas muito próprias, muito minhas. Não tenho este conhecimento com a aguarela e o pastel não conheço tão bem, porque não dedico tanto tempo a estes materiais…



AII – A Idília é multi facetada. Para além da pintura já fez uma incursão pelas ilustrações e pela arte pública. Fale-nos um pouco destes projectos.

IS – A ilustração surgiu numa postura de voluntariado. Em conversa de café, uma amiga que estava a desenvolver um projecto com escolas, desafiou-me. Ela tinha algumas histórias, mas não tinha nada para acompanhar essas histórias.Queria despertar as crianças para a leitura. Uma das histórias chamava-se o “Castelo Amarelo” e a ideia foi através de aguarelas representar vários objectos que vão aparecendo ao longo da história e que tinham algo em comum – a cor amarela.

E à medida que se contava a história as crianças iam-se envolvendo com as imagens (aguarelas).A arte pública também surgiu de um projecto com escolas. Neste trabalho planifiquei e reestruturei um painel de azulejos. As crianças criaram o painel, eu reproduzi os azulejos e compus cada painel. Eram cerca de 800 azulejos. O painel está na Avenida dos Bons Amigos, no Cacém.

AII – Nestas áreas tem alguma coisa programada para o futuro?
IS – Tenho.A ilustração de um livro que sairá brevemente.


AII – E depois desta exposição, no Hotel Inglaterra, o que se segue?IS – Cenários…


AII – Como descreve o seu habitat criativus?
IS – É um manancial de tranquilidade, serenidade e qualidade. Sem estas três componentes não sai nada. Se não tiver bem comigo mesma, não sai nada.





Se tiverem curiosidade e quiserem saber mais informações sobre a artista consultem o seu blog em: http://idiliasilva.blogspot.com/

A exposição “Percursos (d)e Vidas” estará patente até dia 12 de Agosto.Vale a pena!
Rosária Casquinha Silva

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